A juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elisabeth Kather, anulou nesta segunda-feira (21) um laudo feito por uma perita do IML (Instituto Médico Legal) sobre o homicídio do estudante Matheus Evangelista, 18 anos, em março de 2018. A justificativa da magistrada foi de que o exame, encomendado pelo advogado Marcelo Camargo, que defende o guarda municipal Fernando Neves, um dos acusados do crime, possui "conteúdo de caráter pessoal, ferindo a imparcialidade". Na mesma decisão, ela determinou que a Corregedoria da Polícia Científica do Paraná abra uma sindicância contra a servidora.

Imagem ilustrativa da imagem Justiça anula laudo do IML de morte de estudante em Londrina
| Foto: Reprodução/Facebook


A suspeita de irregularidade foi levantada pela defesa da família do jovem, que alegou "excesso de linguagem e ausência de uma postura isenta e imparcial".

"Tais fatos autorizam concluir de forma inequívoca que a iniciativa de socorrer a vítima de imediato e conduzi-la ao hospital mais próximo, no caso o Zona Norte, com estancamento de hemorragia foi medida correta e indispensável pela gravidade das lesões. De certa forma, a medida foi uma tentativa heróica de salvamento, sem a qual o rapaz teria falecido no local", acrescenta a analise pericial.

O promotor Ricardo Domingues também foi consultado sobre o apontamento da perita. "Ela claramente teceu opinião pessoal quando da elaboração das informações complementares ao laudo de necropsia, o que fere a imparcialidade oficial".

Em entrevista à FOLHA, Camargo entendeu que "o assistente de acusação infelizmente não quer que a verdade real dos fatos fique no processo. Ainda não decidi se irei tomar alguma providência junto ao Tribunal de Justiça", disse. Para o advogado dos familiares do estudante, Mário Barbosa, "houve manifestação de modo contrário ao que determina a legislação. Eu creio que isso ocorreu para favorecer os agentes públicos", comentou.

O caso

Matheus Evangelista foi morto durante uma abordagem da Guarda Municipal no jardim Porto Seguro, zona norte de Londrina. Os agentes Fernando Neves e Michael de Souza Garcia vão a júri popular por homicídio qualificado e fraude processual. Um terceiro GM, João Victor Goés Arruda, dirigia a viatura.

Segundo as investigações, Evangelista teria sido baleado no pescoço por Neves, que nega as acusações. Ele e os outros envolvidos afirmam que foram chamados por moradores do bairro para atender uma ocorrência de perturbação de sossego.

Justiça ainda não marcou a data do júri.

mockup