O Tribunal do Júri de Maringá (Noroeste) marcou para 16 de setembro, a partir das 8h30, o julgamento do pai e da avó de Eduarda Shigematsu, morta aos 11 anos em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), em abril de 2019. Ricardo Seidi e Terezinha de Jesus Guinaia deveriam sentar no banco dos réus nesta terça-feira (4), mas a falta de um juiz provocou o oitavo adiamento do júri.

A nova data foi definida poucos dias após o cancelamento da sessão, formalizado em 27 de julho. Entre idas e vindas, já são quatro adiamentos somente em Maringá, cidade escolhida para sediar o júri popular. Inicialmente, houve divergências sobre o local do julgamento, que foi transferido de Rolândia para Londrina e, posteriormente, para Maringá.

À FOLHA, a tia de Eduarda, Juliane Pires, afirmou que o sentimento ainda é de “incredulidade” e que, após tantos adiamentos, “fica cada vez mais difícil acreditar que a justiça realmente será feita”.

“Quando um crime de tamanha brutalidade permanece sem um desfecho, não é apenas a família que sofre. Sofre toda a sociedade, que assiste à credibilidade da Justiça do Paraná se desgastar a cada novo obstáculo, a cada nova remarcação, a cada promessa que não se concretiza”, afirmou em nota. “Ainda quero acreditar que setembro marcará o dia em que a justiça finalmente prevalecerá. Mas, neste momento, a esperança já não fala mais alto que o cansaço.”

O advogado de Terezinha, Mauro Valdevino, disse que recebeu com “tranquilidade” a definição da nova data. “Nós temos certeza da sua inocência e queremos que esse julgamento termine quanto antes, para que seja restabelecida a verdade.”

Já o advogado Roberto Ekuni, que representa Ricardo Seidi, informou que ainda não teve acesso à decisão que definiu a nova data e que se manifestará posteriormente.

Eduarda morreu em 24 de abril de 2019, em Rolândia. No dia seguinte, a avó registrou um boletim de ocorrência informando o desaparecimento da menina. As buscas mobilizaram familiares, vizinhos e a Polícia Civil, com o apoio do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas). O corpo foi localizado no dia 28, enterrado na garagem de um imóvel da família.

Câmeras de segurança registraram o último momento de Eduarda com vida, às 11h56 do dia 24, quando ela chegou em casa após a escola. Por volta das 13h32, Ricardo aparece saindo da residência em um Gol, já com o corpo da filha no porta-malas, segundo a investigação. Minutos depois, outra câmera registra o veículo chegando ao imóvel onde o corpo foi enterrado.

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Ricardo Seidi é acusado de homicídio triplamente qualificado, por asfixia, por recurso que dificultou a defesa da vítima e por feminicídio, com aumento de pena por se tratar de vítima menor de 14 anos. Ele também responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Preso desde abril de 2019, sempre negou ter matado a filha.

Terezinha responde pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Ela ficou presa por seis meses, mas foi solta e aguarda o julgamento em liberdade.

Em depoimento à PCPR após a prisão, Ricardo disse que a filha havia cometido suicídio e que, desesperado, decidiu enterrá-la. O laudo de necropsia, no entanto, concluiu que a morte ocorreu por esganadura. Um documento mais recente da Polícia Científica, juntado ao processo em agosto de 2025, reforçou que não houve suicídio: o corpo apresentava “estigmas digitais no pescoço, equimose e escoriações no queixo”.

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