A Justiça de Maringá (Noroeste) definiu que o julgamento do caso Eduarda Shigematsu ocorrerá no dia 23 de junho, às 8h30. Irão a júri Ricardo Seidi, pai da menina morta aos 11 anos, e a avó paterna, Terezinha de Jesus Guinaia. O Tribunal do Júri estava marcado para o dia 6 de outubro de 2025, mas foi cancelado poucos dias antes da sessão devido a um problema no sorteio dos jurados.

O julgamento de Ricardo e Terezinha já foi cancelado seis vezes. Inicialmente, seria em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), onde o crime ocorreu, em 2019. Depois foi transferido para Londrina e, a pedido da defesa, para Maringá. Em maio do ano passado, a sessão foi adiada pela ausência de um juiz substituto no Tribunal do Júri.

Em nota, a família de Jéssica Pires, mãe de Eduarda, afirma que recebeu a informação da nova data com “sentimentos misturados”. “Esperança, mas também exaustão, tristeza profunda e indignação. Já se passaram mais de seis anos desde que nossa menina, com apenas 11 anos, teve sua vida interrompida de forma brutal. Seis anos em que nossa família vive em luto permanente. Seis anos revivendo a dor a cada adiamento, a cada decisão que posterga aquilo que deveria ser básico, Justiça”, diz a nota, que cita que cada cancelamento “foi uma nova violência”.

"Diante dessa nova data, nos manifestamos publicamente para pedir, com toda a força que ainda nos resta, que o julgamento finalmente aconteça. Que não haja mais manobras, mais adiamentos, mais silêncio. Que o Ministério Público atue com a firmeza, o compromisso e a responsabilidade que a gravidade desse caso exige", acrescenta a família.

O advogado Mauro Valdevino, que representa a avó de Eduarda, afirmou que a defesa terá a oportunidade de demonstrar a inocência de Terezinha na sessão do júri.

A FOLHA entrou em contato com a defesa de Ricardo e aguarda retorno sobre a nova data do julgamento.

Relembre o caso

Eduarda morreu em 24 de abril de 2019, em Rolândia. No dia seguinte, a avó registrou um boletim de ocorrência informando o desaparecimento da menina. As buscas mobilizaram familiares, vizinhos e a Polícia Civil, com apoio do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas). O corpo foi localizado no dia 28, enterrado na garagem de um imóvel da família.

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Câmeras de segurança registraram o último momento de Eduarda com vida, às 11h56 do dia 24, quando ela chega em casa após a escola. Por volta das 13h32, Ricardo aparece saindo da residência em um VW Gol, já com o corpo da filha no porta-malas, segundo a investigação. Minutos depois, outra câmera flagra o carro chegando ao imóvel onde o corpo foi enterrado.

Ricardo Seidi é acusado de homicídio triplamente qualificado, por asfixia, por recurso que dificultou a defesa da vítima e por feminicídio, com aumento de pena por se tratar de vítima menor de 14 anos. Ele também responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Preso desde abril de 2019, sempre negou ter matado a filha.

Terezinha responde pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Ela ficou presa por seis meses, mas foi solta e aguarda o julgamento em liberdade.

Em depoimento à PCPR após a prisão, Ricardo disse que a filha havia cometido suicídio e que, desesperado, decidiu enterrá-la. O laudo de necropsia, no entanto, concluiu que a morte ocorreu por esganadura. Um documento mais recente da Polícia Científica, juntado ao processo em agosto de 2025, reforçou que não houve suicídio: o corpo apresentava “estigmas digitais no pescoço, equimose e escoriações no queixo”.

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