O juiz da 5ª Vara Criminal, João Henrique Coelho Ortolano, alegou "questões de foro íntimo" e declarou-se suspeito para coordenar o processo que apura o roubo no camelódromo de Londrina, ocorrido em novembro de 2019 e que terminou com quatro pessoas presas. Mesmo com o Fórum Criminal fechado por causa da Covid-19, a primeira audiência do caso deveria acontecer na tarde da última segunda-feira (15), mas terá que ser remarcada por conta da suspeição do magistrado.

Nesta sessão, sete testemunhas de acusação convocadas pelo Ministério Público, sendo dois policiais militares e cinco comerciantes, deveriam ser ouvidas. Com os depoimentos cancelados, uma juíza substituta fica responsável por agendar outra data para as oitivas. Todos os acusados continuam presos. Eles foram denunciados pela promotora Luciana Esteves por roubo e receptação.

Imagem ilustrativa da imagem Juiz se declara suspeito e audiência de roubo no camelódromo é cancelada
| Foto: Google Maps

O advogado Alfeu Brassaroto Júnior, que defende Cleiton Brandão Coutinho, considerou acertada a decisão do juiz em comunicar seu impedimento e agora analisa se "está caracterizado excesso de prazo". O advogado Guilherme Lepri Longas, responsável pela defesa de Guilherme Aparecido de Lima Camargo, teve a mesma opinião.

A advogada Fernanda Brunassi Zambaldi, defensora de Thiago Almeida Costa, informou que é preciso esperar a Justiça marcar outra data para a audiência criminal. O advogado Rodolfo Moreira dos Santos, que atua na defesa de Taffarel Cleyton Menezes, disse que recebeu com "tranquilidade" a notícia da suspeição de Ortolano. Ele não descartou entrar com um recurso para revogar a prisão preventiva do seu cliente.

Os criminosos foram até o camelódromo disfarçados de policiais civis e apresentaram mandados falsos de busca e apreensão quando o camelódromo já estava fechando, perto de 18h. Em uma das lojas, avisaram o proprietário que iriam recolher celulares e eletrônicos. Como o empresário teria se negado a entregar os aparelhos, o quarteto revelou a sua verdadeira identidade, rendendo quem estava no interior do empreendimento comercial.

Durante a abordagem, algumas pessoas se esconderam e avisaram a Polícia Militar. O grupo foi preso em flagrante na esquina das ruas Cuiabá com São Salvador, na Vila Portuguesa, região central. Depois que as testemunhas de acusação forem ouvidas, será a vez das convocadas pelas defesas dos réus, que só serão interrogados já na fase final da instrução processual.

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