Homens 40+ unem basquete e camaradagem na UEL
Projeto gratuito é realizado aos sábados de manhã, com inscrições abertas a novos membros; atletas jogam em um ritmo condizente com a idade
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de novembro de 2025
Projeto gratuito é realizado aos sábados de manhã, com inscrições abertas a novos membros; atletas jogam em um ritmo condizente com a idade

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Quem passa pelo Cefe (Centro de Educação Física e Esporte) da UEL (Universidade Estadual de Londrina) aos sábados de manhã, escuta o bater de uma bola de basquete e o barulho dos tênis em quadra. Desde 2018, homens com mais de 18 anos se encontram para jogar e participam de torneios. Mas em fevereiro, uma categoria específica foi criada para quem não se move mais como na adolescência, com foco em quem tem mais de 40 anos: o Basquete Máster.
A iniciativa promove a atividade física, socialização e lazer por meio do esporte, unindo a comunidade interna da UEL, com professores e servidores, a externa. Ainda, contribui com a formação dos graduandos do curso de Educação Física, que monitoram as atividades e organizam eventos.
“Como é um projeto de extensão, os alunos realizam pesquisas com o pessoal, trabalhamos com a análise do perfil dos praticantes. Um tempo atrás, fizemos uma análise de biomecânica no arremesso do basquete, e outra do equilíbrio e de capacidades físicas e motoras dos participantes”, elencou o coordenador Victor Okazaki.

Idade não é impedimento
A adesão foi grande desde o início, com atletas mais velhos da categoria Adulto Livre (18+) buscando um time com uma faixa etária parecida. Os homens diziam “o jogo é muito rápido para a gente, queríamos uma turma somente da nossa idade, para que possamos jogar um pouco no nosso ritmo”, contou o professor.
Hoje, mais de 100 pessoas integram as duas categorias, com horários diferentes reservados na quadra do Cefe aos sábados de manhã. O mais “antigo”, como descreveu, é Enock Martins, médico-veterinário de 62 anos. Ele chegou em terra pé-vermelha em 2024, vindo de Ribeirão Preto (SP), e buscou o basquete na UEL para “se colocar na sociedade” londrinense.
Ele enxerga as atividades como “diversão e socialização”, com os benefícios à saúde como um bônus. “Está formando um grupo que um brinca com o outro. Eu tento vir todo sábado, tem uns dias que dá uma ‘lesionadinha’ por causa de um dedo, mas sempre participamos, todo mundo com interesse”, informou aos risos.

‘O bom é ser Máster’
Martins voltou às quadras depois de muito tempo longe, sendo que jogava frequentemente na infância e adolescência, desde os 11 anos. “O basquete maltrata um pouco o corpo, meu joelho já não funciona direito, então eu quis um grupo que estava começando, para eu participar sem aquela competição exagerada”, disse.
Um incentivo a mais é a limitação da idade de quem pode integrar, visto que todos se respeitam e “acabam não trombando”. “O bom é ser Máster, não é a molecada que tem toda aquela vitalidade e corrida”, considerou o veterinário.

Amizades antigas e novas
Rodrigo Pachemshy tem 46 anos e sempre priorizou o esporte em sua vida, tanto que só falta aos sábados quando o filho, de 10 anos, joga em campeonatos de futebol. Contando que já conhecia alguns membros de outras quadras de Londrina, disse que encontrou no Basquete Máster um lazer que não depende da idade.
“Desde os 16 anos gosto de basquete. Tem algumas pessoas que estão aqui, que jogávamos juntos no Zerão. Mas conforme fomos ficando mais velhos, começa a não ter lugar para jogar, os horários não batem. Agora ficou bem melhor”, relatou.
Dois anos atrás, o advogado começou a jogar na categoria Adulto Livre, mas machucou as costas “tentando acompanhar os meninos de 20 anos, que são rápidos”, e desistiu. Pachemshy disse que ainda é normal sofrer algumas lesões, porque é competitivo, exemplificando outro machucado recente nas costas, mas garantiu que prefere o novo grupo e seu ritmo de jogo.
Disse ainda que os benefícios vão desde a saúde até a integração. “Estamos aqui dando risada juntos. É um grupo novo, nós somos pais de família, então é bom estar em um ambiente onde ficamos descontraídos e nos divertindo”.
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'Prazer em vir'
Já Marcelo Tarifa é um dos representantes da comunidade interna da UEL no grupo - ele é professor de Ciências Contábeis. Aos 45 anos, frequenta a universidade de segunda a sexta-feira, escolhendo retornar aos sábados por lazer.
“Estávamos comentando de trazermos nossos filhos, para eles brincarem aqui do lado enquanto jogamos. A UEL faz parte da minha vida, me formei aqui, virei professor, meu pai foi professor e minha irmã é professora, então está no DNA”, brincou.
Contando que vem de uma família “basqueteira”, disse que aprecia o fato de começar o fim de semana já com disposição por conta do esporte, além do condicionamento físico trabalhado. “O clima do pessoal é bem tranquilo, não tem cobrança. É uma coisa muito gostosa de fazer, temos prazer em vir, e é muito importante trazer o pessoal para dentro da UEL”, considerou.

Serviço
O coordenador explicou que as vagas para a categoria Adulto Livre já estão lotadas, mas que os 40+ interessados em integrar o Basquete Máster podem se inscrever via e-mail: [email protected]. O projeto ocorre aos sábados de manhã, das 8h às 9h30, gratuitamente.
Um torneio para as duas categorias é planejado para dezembro, com as práticas a todo vapor.

Envelhecimento Ativo
Já para as mulheres da terceira idade, a UEL oferece o projeto Estudo Longitudinal Envelhecimento Ativo, ofertando musculação supervisionada e analisando o impacto causado pelas atividades nos indicadores de saúde de mulheres na pós-menopausa.
As participantes têm o acompanhamento de uma equipe multiprofissional, com estudantes e profissionais de Educação Física, Nutrição, Psicologia, Farmácia e Medicina. Interessadas em integrar o projeto podem entrar em contato com o Laboratório de Metabolismo, Nutrição e Exercício no Cefe, de segunda a sexta, em horário comercial.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


