Foragido por tentativa de feminicídio é preso por sargento de folga
Mulher foi mantida em cárcere privado por três meses e sofreu graves traumatismos faciais; saiba como a Patrulha Maria da Penha atua na proteção de vítimas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
Mulher foi mantida em cárcere privado por três meses e sofreu graves traumatismos faciais; saiba como a Patrulha Maria da Penha atua na proteção de vítimas

Um homem de 26 anos foi preso em Londrina, na quarta-feira (12), após passar três meses foragido, com acúmulo de mandados de prisão que iam de violência doméstica, descumprimento de medidas protetivas e tentativa de feminicídio, com sua companheira como vítima. As agressões ocorreram em agosto no Distrito de Paiquerê (zona sul), sendo que ele manteve a namorada, de 50 anos, em cárcere privado nos três meses anteriores. Após a última agressão, depois de ele ter sido preso e solto, agrediu a mulher de maneira que ela sofreu traumatismos no rosto e teve que ser submetida a duas cirurgias.
No dia 9 de agosto, a PM (Polícia Militar) localizou o homem na casa da companheira no distrito, visto que ele possuía dois mandados de prisão em aberto, por roubo agravado e tráfico de drogas. Durante a ação, a vítima relatou que vivia em cárcere privado e sofria violência física e psicológica, tendo sido agredida na madrugada anterior após o uso de drogas pelo companheiro. Ela também informou que o agressor a ameaçava de morte e exigia o dinheiro do benefício Bolsa Família para comprar entorpecentes.
“Além do problema do mandado de prisão, foi dada voz de prisão ao indivíduo pelo cárcere privado e pela violência doméstica. A situação foi encaminhada à delegacia de plantão e foram feitos todos os procedimentos legais”, contou o sargento André Campos, da Patrulha Rural. A namorada foi inserida na rede de apoio à mulher vítima de violência doméstica. Eles mantinham um relacionamento há quatro meses.
Leia mais:
‘Parou de bater porque achou que estava morta’
Em 10 de agosto, no sistema prisional, o jovem foi notificado judicialmente sobre as medidas protetivas de urgência solicitadas pela vítima. Já no dia seguinte, ele foi posto em liberdade, sendo que retornou à casa da mulher na madrugada do dia 12 e a agrediu violentamente “de forma cruel e absurda”, desfigurando o seu rosto.
“Ele quase a matou com socos e chutes, foi ainda mais violento do que nas outras vezes. Praticamente destruiu a face da senhora, chutes no abdômen, ela estava toda machucada”, informou o sargento Campos.
O agressor não foi localizado, enquanto a namorada foi atendida pelo Samu e encaminhada à Santa Casa de Londrina. Com múltiplas fraturas na face, incluindo traumas no crânio e maxilar, a mulher apresentava confusão mental e não teve a capacidade de conversar com as policiais da Patrulha Maria da Penha, que iniciou o acompanhamento no caso.
Quando internada, pôde expressar o temor pela sua vida e solicitou que fosse a um acolhimento protegido. Foram lavrados boletins de ocorrência por lesão corporal e descumprimento de medida protetiva.

Agressor reconhecido e preso
Nos três próximos meses, Campos pontuou que foi “intensificada novamente a tentativa de localização do rapaz”, com o recebimento de múltiplas informações. Na tarde desta quarta no centro de Londrina, o sargento, de folga, reconheceu o autor das agressões e da tentativa de feminicídio.
Ao abordá-lo a partir da chegada do apoio, o homem tentou se passar pelo irmão, mas foi reconhecido por meio de fotos do sistema policial. Confirmada a identidade e os antecedentes, ele assumiu a autoria e foi dada voz de prisão, sendo conduzido à Central de Flagrantes. A Delegacia da Mulher segue investigando a tentativa de feminicídio.

Patrulha Maria da Penha
Integrante da Patrulha Maria da Penha, a cabo Heloysa Sales relatou que a vítima já foi informada da prisão do ex-companheiro, sendo que “o sentimento é de alívio e ela está se reestruturando”. A equipe promove, em média, cem visitas por mês em Londrina, majoritariamente na zona sul. Também realiza palestras em escolas, empresas e comércios, mediante solicitação.
“Nosso acompanhamento inclui visitas de fiscalização da medida protetiva. Ela pode ser uma visita preventiva, que é antes da mulher solicitar a medida, ou quando ela solicita e nós vamos e fiscalizamos se o autor está cumprindo. Se ela necessita de algum apoio psicológico, jurídico, ou financeiro, nós também, através da rede de proteção do município, fazemos o encaminhamento da mulher”, elencou Sales.
A cabo esclareceu que as ocorrências que a Patrulha mais atende são relacionadas a violências físicas, psicológicas e patrimoniais. “Depois, cuidamos mais da fiscalização sobre as quebras de medidas protetivas, e fazemos a intervenção junto com a rede de proteção”.
Se precisar, ligue
Sales informou que uma vítima pode solicitar apoio via 180 (Central de Atendimento à Mulher), 181 (Disque-Denúncia), 190, em casos de urgência e emergência, ou ainda o 153, para contatar a Guarda Municipal.
Garantiu que “a Patrulha Maria da Penha vai fazer o possível para atender e orientar a mulher em tudo o que ela precisa para ajudá-la a sair do ciclo da violência”.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.




