Centenas de fiéis lotaram a Paróquia São José Operário, na zona oeste de Londrina, na manhã desta sexta-feira (1º), para acompanhar celebrações eucarísticas em honra do santo homônimo, padroeiro dos trabalhadores. O tema da programação no Jardim Leonor é “São José, homem justo e silencioso, ensinai-nos a confiar e fazer a vontade de Deus”, com os participantes convidados a apresentar suas intenções e preces, especialmente ligadas ao mundo do trabalho. A iniciativa ocorre há anos na paróquia, com a tradicional bênção das carteiras de trabalho e carreata pelas ruas do bairro.

A primeira eucaristia do dia foi realizada às 7h30, com Santa Missa presidida pelo pároco, padre Dirceu Júnior dos Reis, seguida pela consagração a São José. Às 9h30, foi a vez de Dom Geremias Steinmetz, arcebispo da Arquidiocese de Londrina, liderar os fiéis em mais um momento de comunhão, antes da carreata e entrega de medalhas de São José Operário, gesto simbólico de proteção e intercessão para os trabalhadores. Ele salientou que o padroeiro é identificado como aquele que ganhou a vida através do trabalho, sendo reconhecido como pai terreno de Jesus Cristo.

Padre Dirceu Júnior dos Reis abençoando veículos durante a carreata
Padre Dirceu Júnior dos Reis abençoando veículos durante a carreata | Foto: Kacieli Mendes/PASCOM

‘Trabalhar com dignidade e proteção’

Mencionando que o carpinteiro de Nazaré “foi alguém que teve o seu trabalho respeitado”, Steinmetz refletiu quanto à dignidade empregatícia atual, elencando problemas da escala 6x1, em que um profissional tem folga somente um dia da semana. “Cada vez mais, nas análises dos especialistas na área do trabalho, eles vão identificando uma exploração do fato do ser humano praticamente viver para o trabalho, que já não consegue mais ter família ou estar com a família. Quem está hoje nessa jornada do 6 por 1, não consegue mais”.

Dom Geremias Steinmetz, arcebispo: trabalho respeitado
Dom Geremias Steinmetz, arcebispo: trabalho respeitado | Foto: Heloísa Gonçalves

Também abordou a chamada “pejotização”, a substituição de trabalhadores contratados com carteira assinada por profissionais que atuam por meio de um CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica). “Muitos jovens trabalham sob o argumento de ganhar mais um pouquinho, mas perdem, muitas vezes, a proteção social, de saúde e de aposentadoria. Deixam de lado as leis de proteção do trabalhador, e isso acontece também com empresários, que o fazem querendo ganhar mais”, pontuou.

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Pedidos atendidos

Nair Dias levou a sua carteira de trabalho para ser abençoada pelo arcebispo na segunda Missa do dia. Ela “já trabalhou muito” em sua vida e, atualmente, é dona de casa. Acompanhada do esposo, Walter, que é pedreiro, disse que costuma celebrar São José Operário anualmente na paróquia do Jardim Leonor, mas que frequenta uma igreja próxima de sua casa nas demais datas especiais. “Eu venho por causa do dia, gosto dele (do padroeiro), e como eu também não tenho estudo, venho porque eu tenho que ter fé em alguma coisa”, contou Dias.

Nair e Walter Dias não são membros da Paróquia São José Operário, mas frequentam a igreja anualmente no Dia do Trabalhador
Nair e Walter Dias não são membros da Paróquia São José Operário, mas frequentam a igreja anualmente no Dia do Trabalhador | Foto: Heloísa Gonçalves

Nair recordou como a fé a guiou em momentos difíceis, explicando que seu esposo teve o costume de beber “muito” por anos, desde antes do casamento. “Eu pedi para o santo da igreja que eu vou, e hoje ele não bebe mais. Só trabalha e saímos, sempre juntos”.

Já Marli Cavalcante não levou o seu registro profissional à paróquia, dizendo que já havia realizado uma série de orações durante a novena. “Eu já fiz os meus pedidos para São José, então tudo que eu necessito já está com ele. Hoje, o que tiver que fazer, eu faço para São José no meu coração”. O que a professora almeja é uma mudança de ambiente de trabalho, visto que atua no mesmo local há muitos anos e “é sempre bom ter uma mudança na vida da gente”.

Com família devota de São José, a filha de Cavalcante, Maria Beatriz, foi batizada na paróquia. Nesta sexta, mãe e filha estavam juntas do patriarca, João.

Marli Cavalcante junto de seu esposo e filha: 'já fiz os meus pedidos para São José'
Marli Cavalcante junto de seu esposo e filha: 'já fiz os meus pedidos para São José' | Foto: Heloísa Gonçalves

Confiança no padroeiro

Rosângela e Ricardo Morais também são fiéis da igreja, e riram ao explicar o motivo de não terem levado suas carteiras de trabalho para serem abençoadas. Ela disse que acabou esquecendo, já o esposo contou que o registro dele é digital. Comentando a importância de celebrar São José Operário, a vendedora pontuou que tem confiança no protetor dos trabalhadores.

Rosângela e Ricardo Morais pediram sustento e saúde ao padroeiro dos trabalhadores
Rosângela e Ricardo Morais pediram sustento e saúde ao padroeiro dos trabalhadores | Foto: Heloísa Gonçalves

“A gente acredita que ele está nos protegendo, nos guardando e nunca nos deixando faltar nada do que precisamos durante o ano todo. Eu estou pedindo a graça para que não nos deixe faltar o trabalho, principalmente a saúde, para que nós possamos trabalhar e ter o nosso sustento”, explicou Rosângela.

O pedido de Ricardo foi sempre estar em consonância com a vontade do Criador, “independente do trabalho que eu estou fazendo hoje, ou do que Deus está providenciando para mim amanhã, eu estar fazendo a minha parte profissional na vontade de Deus”.

Programação

A celebração será finalizada com uma terceira eucaristia às 19h30, com o padre Dirceu dos Reis presidindo nova Missa, abençoando os registros profissionais e entregando os cordões de São José.

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