O vereador Matheus Thum (PP) apresentou um pedido de informação à Prefeitura de Londrina sobre a dívida do Londrina Esporte Clube com o município, débito assumido em contrato pela SAF do clube, administrada pela Squadra Sports. Pelo acordo firmado em 2024, a quitação ocorre por meio das reformas no Vitorino Gonçalves Dias (VGD), imóvel municipal cedido em comodato ao LEC. A dívida do clube com a administração municipal vem desde o fim dos anos 1990.

No pedido, Thum solicita que a prefeitura detalhe “eventuais acordos de compensação por benfeitorias no Estádio Vitorino Gonçalves Dias, responsabilidade pelo pagamento do débito, investimentos realizados no centro de treinamento e cópia dos contratos firmados”. Ele também pede informações específicas sobre os investimentos no futuro centro de treinamento, que será de propriedade particular do Londrina.

O vereador explicou à FOLHA o que motivou o requerimento. Disse que a discussão surgiu após a publicação de uma "matéria" que trouxe dúvidas sobre o tipo de reforma realizada no estádio e os valores envolvidos. “Queremos saber quais investimentos foram feitos e qual é o valor desses aportes, já que o VGD é um patrimônio público e as melhorias estão sendo pagas por meio de uma permuta entre a Prefeitura e a SAF”, afirmou.

Segundo ele, o tema ganhou força após declarações recentes do CEO da SAF, Armando Chekerdemian, que mencionou as melhorias já executadas no estádio. Para Thum, isso reforça a necessidade de transparência. “Há dois anos tivemos uma assinatura de compromisso e agora começamos a ver resultados. Queremos verificar se a Prefeitura tem o controle do que está sendo feito no VGD, se há planilhas atualizadas, quais valores foram aplicados e em que etapas”, disse o vereador. Ele também destacou que, por se tratar de um bem público, é essencial que os investimentos sejam significativos e devidamente registrados. “A Prefeitura está abrindo mão de receita de um patrimônio público em favor de uma entidade privada. Precisamos ter clareza total.”

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Em entrevista coletiva na quarta-feira (29), o dono da SAF, Guilherme Bellintani, detalhou parte das obras já realizadas no VGD e as previstas para os próximos anos. Segundo ele, os investimentos iniciais foram decisivos para reabrir o estádio, que estava fechado desde 2016 e voltou a receber jogos em 2025. “Fizemos R$ 6 milhões de investimento no VGD, que estava fechado havia nove anos. Quase R$ 1 milhão foi só na iluminação do estádio. É uma iluminação totalmente nova”, disse. Ele acrescentou que, após concluir as intervenções no centro de treinamento até o fim deste ano, a equipe voltará a investir no VGD em 2027. “Devemos aplicar mais R$ 5 milhões. Vamos começar pela Curva, que tem potencial de crescimento, mas hoje é uma área mais crítica. Já temos arquiteto contratado trabalhando no projeto", seguiu ele. Uma das melhorias recentes foi a troca completa do gramado do VGD, no valor de cerca de R$ 700 mil.

Bellintani também comentou o pedido de informação apresentado pelo vereador e reforçou que todo o processo tem acompanhamento institucional. “Que bom que ele protocolou. O Londrina paga mensalmente a dívida dentro do acordo. Tudo está no contrato, é público. Todo o investimento no VGD é compensado na dívida com o município e acompanhado pelo Ministério Público. Todo ano enviamos relatório ao Ministério Público e à Prefeitura. Dos cerca de R$ 11 milhões, aproximadamente metade já está compensada. Está tudo sob controle”, afirmou. (Colaboração Douglas Kuspiosz)

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