Imagem ilustrativa da imagem Execução acende alerta sobre mortes de policiais
| Foto: Marcos Zanutto



O corpo do soldado Wagner da Silva Prado, 35, da PM (Polícia Militar), foi enterrado nesta segunda-feira (19) no Parque das Allamandas, na zona oeste de Londrina. Ele estava de folga e foi assassinado a tiros na noite de sábado (17), em frente a uma padaria na rua Roberto Conceição, no conjunto São Lourenço (zona sul). De acordo com a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária), 58 mortes de policiais militares foram registradas no Estado nos últimos anos: 22 em 2016, 19 no ano passado e 17 neste ano.

Em todo o País, ao menos 367 policiais foram mortos no ano passado, uma média de um policial civil ou militar assassinado por dia, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os números foram repassados por órgãos de segurança pública do País e fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018. As estatísticas são diferentes das registradas pela Sesp e apontam para 12 mortes de policiais civis e militares no Estado em 2016, uma delas em Londrina, e nove em 2017. O policial militar Cristiano Bottino foi assassinado no final de janeiro de 2016 em Londrina, crime que teria desencadeado outras 11 mortes na sequência. As demais vítimas da chacina não eram policiais.

No final do mês passado, o coronel aposentado da PM, Valdir Copetti Neves, foi executado com mais de dez disparos de arma de fogo em Ponta Grossa (Campos Gerais). No início de setembro, o investigador da Polícia Civil, Jorge Brito, que atuava em Curitiba, foi baleado e morreu no Litoral.

O diretor de Comunicação da Amai (Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas do Paraná), coronel César Alberto Souza, explica que ações na Justiça reivindicam melhorias nas condições de trabalho, como a compra de coletes balísticos. Além da questão dos equipamentos, ele ressalta que há defasagem no efetivo e falta de reposição salarial.

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O presidente do Sinclapol (Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná), Fábio Barddal, afirma que falta atenção da administração pública para o setor da segurança. No caso dos policiais civis, segundo ele, o acúmulo de função deixa os profissionais em risco. "A governadora [Cida Borghetti] assinou um decreto transferindo a administração de 37 cadeias das delegacias para a gestão plena de funcionários do Depen [Departamento Penitenciário do Paraná]. Vamos passar a acompanhar isso para saber como será implementado, mas existe excesso de trabalho, desvio de atribuição e incapacidade do policial de desempenhar a atividade para a qual ele fez o concurso. Isso tudo frustra o policial. Cuidar de presos traz um risco terrível", ressaltou.

O CRIME

Neste fim de semana, ao menos dez tiros atingiram a cabeça, tórax e pernas do soldado Wagner da Silva Prado, segundo o Instituto de Criminalística. De acordo com o comandante da 4ª Companhia Independente, major Nelson Villa, a divulgação de informações precipitadas pode dificultar o andamento das investigações. Villa desmentiu notícias falsas sobre suspeitos do homicídio veiculadas nas redes sociais.

Segundo ele, a PM só se manifesta oficialmente. "A Polícia Militar não costuma fazer isso [postagens nas redes], nem a Civil. Normalmente as manifestações são oficiais. Tenho orientado que as pessoas que têm alguma informação levem ao conhecimento da polícia e evitem fazer divulgações precipitadas porque podem colocar em risco pessoas inocentes", afirmou.

Villa argumenta que, embora a coleta de dados e informações seja integrada, a incumbência legal da investigação é da Polícia Civil. Segundo o delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial, Osmir Neves, a investigação foi instaurada e é conduzida pela Delegacia de Homicídios. "Estamos aguardando alguns autos periciais. É um trabalho complexo", disse. De acordo com Neves, ainda não há prazo para a conclusão da investigação.

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