Os números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam para uma redução de quase 5% nas mortes de policiais no País no ano passado na comparação com 2016. Todavia, para Elisandro Lotin, membro do fórum e presidente da Anaspra (Associação Nacional de Praças), nos últimos cinco anos a quantidade de policiais mortos em ocorrências ou fora delas tem aumentado significativamente. "Pelo que a gente tem contato com algumas associações da Polícia Militar e dos bombeiros, a avaliação que se tem é que neste ano será maior do que no ano passado", acrescentou.

Para Lotin, isso acontece porque o País opta por uma política de segurança pública "evidentemente repressiva e de enfrentamento". "Não se trabalha a questão da prevenção, não se trabalha questão de inteligência nem investigação. O Brasil opta, independentemente de governo, por fazer enfrentamento. E quando há esse enfrentamento infelizmente vão ocorrer muitas mortes de policiais, assim como também ocorrem mortes de outras pessoas", opinou.

O presidente acredita que se trata de uma "política errada de segurança pública", que leva à morte principalmente policiais da base, como soldados e cabos. "Os índices de violência no Brasil subiram muito e a opção burra do Estado para reduzir essa violência é fazer o enfrentamento puro e simples. Isso não vai reduzir, pelo contrário, isso vai aumentar a violência", afirmou. A solução, aponta, se daria por meio de investigação e políticas preventivas. "Teríamos redução de violência e redução de criminalidade."

APOIO

De acordo com o presidente, as associações locais de praças prestam apoio às famílias das vítimas, mas essa não seria a "função da associação", mas sim do Estado. "As famílias de vários policiais que morrem em serviço ficam correndo de repartição em repartição para poder ter os direitos mínimos preservados."

Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR (Ordem dos Advogados do Brasil - Seção do Paraná), Alexandre Salomão, a comissão mantém proximidade com a PM. "Hoje nós temos diversas atuações que fizemos em conjunto com a PM, inclusive relacionado a essa questão de mortes de policiais em confronto com meliantes", garantiu.

Entretanto, Salomão explica que a Comissão de Direitos Humanos "apura normalmente as lesões de direito da população comum". "Nós temos dentro da OAB tanto a Comissão de Vítimas de Crimes, como a Comissão de Direito Militar, que mantém relação próxima com as associações dos policiais militares. A Comissão de Direitos Humanos é solidária ao PM, inclusive no apoio a melhores condições de trabalho, atuando diretamente junto ao comando da Polícia Militar", explicou.

Para o presidente da Anaspra, o Estado se omite com relação aos direitos mais básicos desses policiais, então as associações trazem advogados "para tentar agilizar os processos com relação aos direitos das famílias", contou. Segundo a Apra-PR (Associação de Praças do Estado do Paraná) a associação ajuda em questões como na obtenção do seguro de vida, na tramitação dos documentos e na apuração das responsabilidades, bem como na investigação e esclarecimento do fato.

"Às vezes a burocracia do Estado deixa familiares dos policiais abandonados. É um desrespeito completo com um profissional que dá a vida pela segurança pública. Chega a ser ridículo o policial morrer em serviço e depois a família ter que ficar mendigando para o Estado para que ele reconheça o direito dos policiais falecidos", concluiu.

Por meio de nota, o Comando Geral da Polícia Militar informou que todo o apoio está sendo dado aos familiares do soldado assassinado. "Inclusive a comandante geral, coronel Audilene Rosa de Paula Dias Rosa, acompanhou pessoalmente o velório e o sepultamento do soldado. A Polícia Militar, por meio do Comando Geral, presta todo o apoio necessário conforme o que é previsto para cada caso". (I.F.)

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