Evento em Londrina debate a descarbonização do cultivo da soja
O encontro técnico é encabeçado pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina e deve reunir mais de 350 convidados
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segunda-feira, 25 de agosto de 2025
O encontro técnico é encabeçado pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina e deve reunir mais de 350 convidados

A AEA (Associação dos Engenheiros Agrônomos) agendou para esta quarta-feira (27) a 16ª edição da Reunião de Tecnologia para a Produção de Soja. A entidade sempre traz assuntos de relevância voltados à produção do grão, envolvendo principalmente o papel da tecnologia para produzir mais com menos. Neste ano, o encontro deve reunir nomes importantes do agronegócio para debater a sustentabilidade e a descarbonização da cadeia produtiva da soja.
Presidente da AEA, Renato Arantes explica que a temática da descarbonização e da sustentabilidade na produção de soja foi escolhida por ser “a bola da vez”, já que são temas atuais e que atraem pesquisadores, produtores rurais e estudantes. O Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná) também faz parte da organização do evento.
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A descarbonização é um dos assuntos de destaque no seminário, sendo que a palestra vai ser encabeçada pelo agrônomo Eduardo Bastos, do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), um dos principais nomes do ‘agrocarbono’ no Brasil. “Nós queremos ser um palco para compartilhar conhecimento e para que esse conhecimento possa chegar onde precisa chegar”, afirma.
Por ser um evento de difusão de tecnologias, ele é voltado para pesquisadores, produtores rurais e estudantes, que podem implementar no dia a dia no campo as tecnologias e informações debatidas no encontro em diferentes regiões do Paraná.
Apelidado de ‘Vale do Silício do Agro”, Arantes destaca o potencial que a região Norte do Paraná tem para o desenvolvimento do agronegócio, já que é um polo de pesquisa, inovação e difusão de tecnologias. Lar de diversas universidades e centros de pesquisa, como é o caso da Embrapa Soja e do IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), a região também conta com três mil engenheiros agrônomos, o que representa cerca de 30% de todos os profissionais da área no Paraná.
Espelho
Diretor Técnico do AEA, Adriano Custódio afirma que o mundo “pede” por uma discussão envolvendo a descarbonização da cadeia produtiva e que, por isso, a associação bateu o martelo na hora de incluir a temática. Além disso, ele garante que o Norte do Paraná serve como um “espelho” para o restante do estado, assim como o que acontece no Paraná reflete em todo o agronegócio brasileiro.
O sistema do plantio direto, por exemplo, nasceu no Norte do Paraná e é um das principais tecnologias que trabalham a descarbonização ambiental. “O solo é o maior meio de reter o carbono”, detalha. Em um futuro próximo, ele acredita que os países vão pagar mais pela soja produzida com a menor emissão de gases poluentes na atmosfera.
Na linha da descarbonização, o encontro também vai tratar de temas relacionados à sustentabilidade, ao terraceamento, ao manejo integrado de pragas e à possibilidade de ter duas ou três safras em uma mesma área agrícola. “São ações que trabalham para reduzir o efeito carbono atmosférico”, afirma, explicando que profissionais de peso da região devem participar das discussões.
No Paraná, a descarbonização ainda engatinha, com muito ainda a ser alcançado, entretanto, Custódio reforça que o estado permanece como referência no Brasil.
Além disso, representantes de cooperativas voltadas ao agronegócio também integram o debate, aliando teoria e prática. “A gente quer entender se o que estamos falando na palestra é o que está acontecendo no campo”, reforça.
Ele cita um movimento que vem se desenrolando no país para que os produtores consigam ganhar mais ao passo em que colocam em prática um sistema produtivo mais sustentável. Uma saca de soja, por exemplo, poderia ser vendida com um valor 20% maior.
Gervásio Oliveira é diretor de Política Profissional da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina e afirma que a descarbonização precisa ser da economia, mas que o agronegócio é o único setor que tem como prerrogativa o sequestro de carbono. O engenheiro também reforça a importância de aproximar essa temática da população, já que a geração de gases poluentes é consequência das ações humanas. “Esse evento tenta trazer essa conversa para dentro de casa”, afirma.
O diretor reforça ainda que é papel da AEA preparar os agrônomos para as exigências e necessidades dos dias atuais, principalmente aqueles que estão há pouco tempo no mercado de trabalho.
Responsabilidade social
Renato Arantes explica que o evento é destinado para agrônomos, produtores rurais, técnicos e demais profissionais voltados ao agronegócio. A aquisição pode ser feita diretamente na sede da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina, na Rua Kozen Igue, n° 345, das 8h às 12h.
O objetivo central é que os participantes possam difundir o conhecimento para outros cantos do Paraná e do Brasil. Para os associados, a inscrição custa R$ 50; para quem não é associado, o valor é de R$ 100, sendo que em ambos os formatos é necessário levar dois quilos de alimentos não perecíveis, que serão doados para o Ilece (Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais).
O presidente destaca que a responsabilidade social é uma das missões da associação. A ONG Viver, que atende famílias de crianças atendidas no Hospital do Câncer de Londrina, também vai comercializar produtos ao final do evento.


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.




