Estudante é indiciado por vídeo por Delegacia de Crimes Raciais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Rafael Fantin <br> Editor on-line 
O estudante Pedro Bellintani Baleotti, 25 anos, foi indiciado na terça-feira (30) pela Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) após prestar depoimento em São Paulo. O aluno de Direito do Mackenzie gravou o vídeo durante o último domingo (28), em Londrina, quando se dirigia para local de votação no segundo turno das eleições.
Segundo o Decradi, o investigado foi indiciado como incurso nas penas do artigo 20, parágrafo 2., da Lei do Crime Racial 7.716/89, estando sujeito a reclusão de dois a cinco anos e multa. "Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, estando sujeito a reclusão de dois a cinco anos e multa", diz o artigo.
No vídeo, Baleotti aparece com uma camisa de Jair Bolsonaro e diz "indo votar ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco pra ver um vadio vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo, ó, tá vendo essa negraiada (apontando a câmera para uma moto ocupada por duas pessoas), vai morrer, vai morrer, é capitão!" Após repercussão, ele foi demitido do estágio em um escritório de advocacia paulistano e suspenso previamente da universidade.
O estudante enviou à imprensa um áudio nesta quarta-feira (31) e disse que o vídeo foi "infeliz". Baleotti pediu desculpas aos ofendidos, afirma que não é racista e ainda diz que ele e a família estão sofrendo ameaças. Ouça o áudio na íntegra:
O Decradi ainda teve acesso a um segundo vídeo gravado por Baleotti em que ele aparece com uma arma na mão e diz: "Capitão levanta-te, hoje o povo brasileiro precisa de você."
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Questionado sobre os vídeos durante o depoimento, o estudante respondeu que divulgou a gravação em um grupo do Whatsapp que participava, mas que teria se arrependido e apagado o conteúdo. "Sobre o segundo vídeo, em que aparece segurando um revólver, o estudante disse que o gravou na casa de seus pais, em Londrina, antes do primeiro turno das eleições. Sobre a arma usada no vídeo, o investigado afirmou que pertencia ao seu avô, acreditando que esteja registrada em nome de seu pai. Ele se comprometeu a encaminhar à Decradi a documentação da arma de fogo", informou a delegacia.

MANIFESTAÇÕES
Em sua página no Facebook, o Coletivo Negro Afromack relatou que duas manifestações foram realizadas nesta terça-feira (30) dentro do Campus Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
"Consideramos o ato de grande relevância, dado o momento em que vivemos, onde os discursos de ódio, sobretudo, racistas têm ganhado força. Mas, não podemos perder de vista, que este é apenas um pequeno passo para mudanças importantes que devem ocorrer, para o bem-estar e viver da população negra", declara o coletivo.
Além disso, o grupo acompanha o processo interno aberto pela universidade contra o estudante acusado de racismo. "O mesmo fora suspenso por cinco dias, teve um processo administrativo instaurado para sua expulsão - objetivo maior e garantido a nós", afirma na postagem.


