Imagem ilustrativa da imagem Diretor de clínicas investigadas pelo MP vira réu em ação de apreensão de armas
| Foto: Arquivo Folha

O juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Luiz Valério dos Santos, acatou a denúncia do Ministério Público por posse irregular de armas de fogo e também de uso restrito contra o diretor da Clínica Psiquiátrica de Londrina e Villa Normanda, Paulo Fernando de Moraes Nicolau. A decisão é de 27 de junho. As instituições são investigadas por supostas irregularidades pela Promotoria de Saúde, que já apresentou duas ações paralelas por diversos crimes, como cárcere privado de pacientes, falsidade ideológica, peculato e organização criminosa.

Nicolau também foi denunciado nestas duas ocasiões. Ele está afastado da direção a pedido do MP, que acredita que as investigações seriam prejudicadas se o acusado continuasse na coordenação das atividades. A defesa ingressou com pedidos de habeas corpus para reverter o afastamento, mas a Justiça ainda não analisou os recursos.

Segundo a denúncia apresentada pelo promotor Jorge Fernando Barreto da Costa, boa parte do arsenal foi encontrado no escritório de Paulo Nicolau, que fica no mesmo endereço das clínicas, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Os policiais localizaram 24 armas, três canetas revólver e 1,9 mil munições de diversos calibres.

Durante interrogatório ao delegado Thiago Vicentini, que conduziu o inquérito na época, o réu, que compareceu por vontade própria ao Gaeco (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado) para esclarecer o caso, disse que "o armamento é herança de família. Minha atual mulher nem gosta disso. Antes eu queria ser colecionador porque sempre gostei de arma. Nem me lembro de algumas que possuía. Não era nem pra ficar na clínica", disse. Ele não chegou a ser preso.

De acordo com o advogado de defesa Walter Bittar, "as armas de fato pertencem ao dr Paulo Nicolau e estavam em sua residência, que é anexa à clínica. Elas estavam em local separado e seguro. Ele sempre colecionou, fruto de duas gerações de colecionadores. É uma pessoa que construiu sua vida em Londrina e sempre se mostrou comprometido com a comunidade. Responderá ao processo pois confia na Justiça."

O Ministério Público indicou que o contrato da Prefeitura de Londrina com as clínicas, que atendem mais de 260 pessoas, fosse rompido, orientação que foi aceita. Ela não só perdurou porque o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública, Marcos José Vieira, suspendeu a determinação tomada após processo administrativo interno para que novas provas fossem produzidas, como depoimentos de testemunhas e investigados. As oitivas começam na semana que vem.

O Grupo CPL e Villa Normanda também obteve um despacho favorável em caráter liminar do desembargador Nilson Mizuta, da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, para que uma períicia judicial seja feita nos procedimentos administrativos. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, o pedido para este levantamento foi apresentado à prefeitura desde o início do ano, quando começaram as investigações do MP.

Em nota, a comunicação das clínicas "nega todas as acusações e afirma que vai provar na Justiça a falsidade delas, Ganhamos o direito à perícia externa pois acreditamos que só um profissional isento e imparcial capacitado em psiquiatria pode avaliar realmente a qualidade e correção do serviço prestado".

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