Durante a investigação, que apura supostos maus-tratos de pacientes e falsificações de prontuários de duas clínicas psiquiátricas localizadas na zona oeste de Londrina, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) encontrou, no escritório do diretor das instituições, Paulo Fernandes de Moraes Nicolau, uma coleção de armas ilegais.

As armas e munições estavam no escritório do médico e em dois outros locais no mesmo terreno da clínica. Foram apreendidas 24 armas, três canetas revólver e 1.900 munições de diversos calibres. Entre as armas foram encontradas uma pistola de 9mm e uma submetralhadora, ambas de uso restrito, ou seja, que sequer poderiam ter sido adquiridas. "Há também munição produzida fora do País, o que é proibido", afirmou o coordenador do Gaeco de Londrina, Jorge Barreto.

Barreto disse que a apreensão foi uma surpresa. "Nenhuma dessas armas está regularizada. Estão com registro vencido", contou. As armas são relativamente novas, segundo o promotor. "O médico ainda não prestou esclarecimento, mas declarou extraoficialmente que queria se tornar colecionador de armas de fogo e que a legislação mudou e que ele não teve condição de regularizar. No nosso entendimento não tem justificativa para permanecer com essas armas nos locais onde estavam", afirmou.

Uma pistola glock foi, inclusive, encontrada dentro de um livro de medicina com páginas recortadas para esconder a arma. A investigação ficou sob responsabilidade do delegado Thiago Vicentini, que, após ouvir testemunhas e o indiciado, optou pela liberação de Paulo Nicolau. Mesmo com a apreensão das armas, o médico irá responder ao inquérito em liberdade porque, no entendimento do delegado, não houve situação de flagrante.

mockup