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. | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

Estagiários da UEL (Universidade Estadual de Londrina) terão o pagamento dos VT (vales-transporte) suspensos por tempo indeterminado. O benefício é pago aos alunos que exercem suas funções em repartições da própria instituição. A justificativa é o corte de recursos direcionados pelo governo do Paraná às universidades estaduais – o governo classifica o arrocho como contingenciamento.

Os alunos foram avisados por e-mail nesta terça-feira (4). Cerca de 200 alunos fazem estágio na UEL e recebem bolsa-auxílio de R$ 5,29 por hora – como a maioria cumpre 20 horas semanais, o valor recebido no mês fica em torno de R$ 465,50. Sem o vale-transporte, os estudantes passarão a arcar com a própria condução, consumindo praticamente metade do que recebem.

Confira o e-mail enviado aos alunos:

Imagem ilustrativa da imagem Com falta de recursos, UEL deixa de pagar vale-transporte a estagiários
| Foto: Reprodução

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Rodrigo Dourado, estagiário da assessoria de comunicação da UEL no período matutino, cursa o terceiro ano de Jornalismo noturno e já fez as contas do prejuízo que terá se o pagamento do VT não for retomado. “Se eu trabalhar quatro horas por dia e pagar o ônibus, vou gastar metade da bolsa. Assim, fica inviável para eu continuar no estágio e, sinceramente, acho que será difícil a UEL encontrar um estudante do período noturno que aceite estagiar pela manhã”, afirma.

Além dos que trabalham no campus há quem cumpre seus horários em outras repartições, como a Casa da Cultura, na região central, ou no HU (Hospital Universitário), na Zona Leste. É o caso de Isabela Albano Buriola, que trabalha no período vespertino no HU e também estuda Jornalismo à noite na UEL.

Segundo ela, a bolsa-auxílio é de extrema importância porque auxilia nos custos da casa. Ela mora apenas com a mãe, que, sem contrato formal de emprego, faz trabalhos temporários para sustentar a casa. Ela afirma que o pagamento da bolsa pelo governo do Estado é inconstante e atrasa com frequência, mas, sem o VT, a situação piora muito. “Sem este benefício, eu praticamente vou pagar pra trabalhar e não tenho condição pra isso”, diz a universitária.

Se tiver de pagar o ônibus até o HU e, depois, do HU para a UEL, a outra parte da bolsa será gasta no RU (Restaurante Universitário), cuja refeição custa R$ 4,70 para os universitários. “Não vai sobrar nada. Não está compensando fazer estágio, mas, se não aceitarmos, fica mais difícil conseguir entrar para o mercado de trabalho depois de formado”, lamenta Isabela.

Por meio de nota, a UEL informa que negocia com a Secretaria Estadual da Fazenda os recursos para custear o VT dos estudantes estagiários e que os valores de maio foram custeados normalmente. “As negociações envolvem a Pró-reitoria de Graduação (Prograd), responsável pelos estágios acadêmicos, juntamente com a Pró-reitoria de Administração e Finanças (Proaf), que já solicitou liberação desses recursos para o governo estadual”, diz o texto.

Ainda de acordo com o comunicado oficial, o e-mail enviado aos estudantes teve o objetivo de alertar sobre o não repasse de valores, que poderá alterar a rotina dos trabalhos desenvolvidos. “Qualquer novidade será comunicada aos estudantes imediatamente”, conclui.


A Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (antiga Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) foi procurada, mas disse que o assunto seria tratado exclusivamente pela UEL.

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