Coluna 'fora de rota'
Sociólogo Marco A. Rossi celebra cem edições da coluna “A Cidade Futura” na Folha de Londrina
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quinta-feira, 09 de maio de 2019
Sociólogo Marco A. Rossi celebra cem edições da coluna “A Cidade Futura” na Folha de Londrina
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 

O professor Marco Antônio Rossi escreve nesta quinta-feira (9) sua centésima coluna na FOLHA. Graduado em Ciências Sociais em 1997, especialista em Sociologia em 2000 e mestre em Ciências Sociais em 2003 pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), também é doutorando em sociologia pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).
A coluna “A Cidade Futura” tem uma pretensão “meio fora de rota”, como define o professor. “Desconectar o leitor das virtualidades precipitadas e conduzi-lo por um caminho de reflexões mais demoradas, exigentes”, propõe. Em seus textos, Rossi destaca debates suscitados por sociólogos, filósofos, antropólogos e cientistas políticos. Desde a primeira coluna, a intenção, aponta, é manter a coerência e respeitar o leitor que não se ilude com ódios e “guerras culturais”.
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Confira a coluna desta quinta-feira
Cem colunas atrás o mundo não era o mesmo. A sociedade muda, mas permanece a disposição de Rossi para compreender e compartilhar suas impressões e preocupações. Disso depende a cidade futura, do debate, do texto que alcance pessoas que pensem de maneira distinta do colunista. Cabe ao professor, aponta, o empenho em “reconectar corações e esforços por uma sociabilidade mais livre, menos robotizada e apressada”.
Desafiador é escrever semanalmente em um mundo no qual as pessoas estão conectadas ininterruptamente ao celular e que não leem opiniões diferentes das que têm. “Minha pauta exclusiva é o ser humano e a questão de como faremos para viver juntos. Se, de alguma maneira, ainda que timidamente, a coluna apontar para essa possibilidade, terá cumprido a função em nome da qual veio ao mundo.”
A coluna “Um arqueólogo no campus”, publicada em junho de 2017, virou matéria na rádio UEL FM e percorreu o Brasil, como um manifesto poético em defesa da universidade livre e autônoma, conforme lembra Rossi. “Foi muito impactante, já que a UEL é o lugar mais importante do mundo para mim, uma instituição à qual devo minha formação, minha história.” Valores afetivos foram adquiridos por conta dos textos, como a amizade com a companheira do filósofo brasileiro Leandro Konder.
“O poder da autocrítica”, publicado há três anos, sobre Konder, rendeu ao professor uma série de elogios por resgatar o trabalho e a memória do filósofo. “Leandro Konder é minha maior referência humana e intelectual, além de ‘objeto’ de minha pesquisa de doutoramento.”
Cem colunas atrás eram 100 problemas a menos, lembra Rossi. “Por outro lado, ao ter 100 problemas a menos, havia também 100 reflexões a menos sobre esses novos problemas.” Assinar “A Cidade Futura” em um jornal de grande circulação representa angústia, vaidade e responsabilidade para o professor.
“Horrorizam-me as manifestações públicas que privatizam o debate com mesquinharias. Espero me manter imune a isso. Os velhos gregos, em sua ancestral sabedoria, já haviam mostrado a importância de separar os domínios do público e do privado. É obrigação compreender e praticar essa lição. Disso depende não só o futuro da cidade, mas a própria ideia de futuro. Espero estar lá, debatendo republicana e democraticamente alternativas e ideias.”


