Coleta seletiva engatinha em municípios da região de Londrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de junho de 2018
Matheus Camargo<br>Estagiário 
Os municípios de Arapongas, Cambé, Rolândia e Tamarana, na Região Metropolitana de Londrina, pretendem promover melhorias na coleta de material reciclável nos próximos meses. As ideias passam pela conscientização da população e por projetos em escolas. Reportagem da FOLHA, publicada na edição de FDS de 9 e 10 de junho, mostrou que apenas 18% dos municípios têm programas de coleta seletiva no País.
"Contatei as escolas para que haja essa instrução dos alunos. Dá para envolvê-los nisso. Eles podem ajudar, as crianças se interessam. Tem gente que ainda desperdiça material, mas se a coleta for melhorada aumenta ainda mais nossa porcentagem", revela José Carlos dos Santos, secretário do Meio Ambiente de Tamarana.
O município tem um dos números mais satisfatórios da Região Metropolitana de Londrina em relação à totalidade de lixo coletado, atingindo 24,2% de todo o lixo recolhido pelo serviço no mês de maio, quase dobrando a média nacional que é de 13%.
"Tem que haver uma melhora ainda na separação. Envolveremos mais a comunidade nisso. Há ainda uma perda de produtos porque pessoas colocam lixo úmido e que não vão para o reciclável de acordo. Agora começamos também um projeto com as escolas, para que os alunos falem com os pais e mães sobre o que vai e o que não vai para a reciclagem", diz o secretário, afirmando que a expectativa é que a coleta do lixo chegue a 30% nos próximos meses.
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"A possibilidade existe porque nós temos o controle do que vai para o transbordo e então assim eu sei os números que estão indo para lá. Daquele material que vai para esse transbordo eu já marquei mais de 5% que, se for feita a logística correta, pode ser reciclado", explica.
Arapongas disponibiliza no site da prefeitura a planilha completa dos dias em que as coletas são realizadas (www.arapongas.pr.gov.br/coleta_seletiva). Em média, a cidade recolhe cerca de cem toneladas de lixo que vão direto para a reciclagem todo mês, segundo a Secretaria do Meio Ambiente. Esse número pode aumentar se depender do próximo edital de licitação para a empresa que comandará o serviço.
"Nós iremos propor na próxima licitação um projeto de educação ambiental que será inserido nas escolas, com panfletagem entre as crianças, também iremos inserir isso nas empresas, aumentaremos a divulgação nos meios de comunicação, principalmente no rádio e na TV, e isso está tudo previsto dentro do edital", afirma Renan Rodrigues, diretor de Serviços Públicos da Arapongas.
Rolândia tem o cenário menos favorável, segundo o próprio secretário de Meio Ambiente da cidade, Luiz Antônio Soares. Em maio, foram recolhidas 47 toneladas de lixo reciclável pela cooperativa ARRR Ambiental, sendo coletados, em média, 900 quilos diariamente. "Esse montante não é satisfatório. Eles [da cooperativa] têm pedido ajuda da prefeitura, por isso tem que haver esse empenho para aumentar essa quantidade de lixo recolhida", afirma Soares.
Para o secretário, Rolândia precisa de uma reorganização, passando por uma reeducação que começaria nas escolas, mas também por um reagendamento nos horários de passagem dos caminhões. "Temos recicladores na cidade e eu acho que isso acontece em vários lugares do Brasil e eles já sabem os dias em que passa o caminhão do reciclável e acabam passando antes. Com isso, a cooperativa acaba recebendo o mínimo, porque o reciclador passa a qualquer momento. Estamos pensando também nessa mudança no horário da coleta seletiva", adianta Soares.
Em Cambé, a administração municipal não tem contrato com cooperativa ou empresa terceirizada, o que faz com que o processo de coleta seletiva seja feito em pontos espalhados do município. "Aqui é fragmentado, algumas cooperativas e associações fazem por toda a cidade. Na região central, temos a Recicla Brasil, mas temos outra que trabalha no Monte Catini, outras em outros bairros. Algumas associações de moradores trabalham fazendo a própria reciclagem e vendendo. Como não há um contrato da prefeitura com nenhuma delas, o que procuramos fazer é fornecer o barracão e as sacolas timbradas próprias para a coleta", destaca Deives José dos Santos, assistente administrativo da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente.
Uma das responsáveis pela Recicla Brasil, a assistente social Elisângela da Silva afirma que é essencial que seja feito um convênio entre a prefeitura e a cooperativa, visto que é a única que funciona com CNPJ no município e que atende toda a área central, além de 20 bairros adjacentes. "Atendemos com um caminhão que foi adquirido de forma parcelada, ainda não temos condição de abraçar todo o município. Subsidiamos todo o combustível também. A ajuda que nós temos veio após a formalização da cooperativa e com a nossa inclusão no sistema. Eles [prefeitura] pagam água e luz, além do aluguel do barracão", explica.
Supervisão: Fernando Rocha Faro Editor de Geral


