Cooperados enfrentam dificuldades financeiras

Tanto na cooperativa ARRR Ambiental, de Rolândia, quanto na Recicla Brasil, de Cambé, os cooperados passam por dificuldades financeiras. O ganho mensal raramente é superior a um salário mínimo (R$ 954).
Segundo a presidente da Recicla Brasil, Aparecida Brito da Silva, quem mais recebe retorno na cooperativa é o motorista do único caminhão da entidade. "Ele tira R$ 1.300. Os meninos que vão para a rua tiram mais ou menos R$ 1.200, mas o pessoal aqui de dentro ganha por produção, alguns tiram R$ 700, R$ 800, normalmente menos", revela.
O cooperado Elton Brito, 24, é técnico em logística, mas começou como motorista e catador há três anos, e hoje faz trabalho interno. "Nós fazemos a separação do resíduo. Aqui a renda é por base de rateio, nós vendemos e dividimos dependendo da função de cada um", explica.
São 15 funcionários na cooperativa cambeense, mas nenhum deles contribui com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Um convênio com a prefeitura é a principal esperança para que a renda aumente. "Assim eu não teria que tirar tanto dinheiro do meu bolso", afirma Aparecida Silva, que oferece três refeições por dias aos cooperados café da manhã, almoço e café da tarde.
A ARRR Ambiental tem contrato com a Prefeitura de Rolândia, mas nem assim todo o material reciclável da cidade vai para a cooperativa. Segundo Luiz Antônio Soares, secretário de Meio Ambiente, a pasta vai fiscalizar as empresas de coleta para detectar irregularidades.
Houve uma queda vertiginosa em relação ao material que chega à ARRR em um período de três anos. Quem afirma é uma das cooperadas mais antigas. "Caiu muito o material ultimamente, não sei o que está acontecendo. Está difícil", lamenta Maria Odete Fernandes, 51. "Aqui nós recebemos, prensamos, vendemos e dividimos entre todos que cooperam", aponta.(M.C.)





