CMTU revoga licitação para reforma de escadas rolantes do Terminal Central
Valor final proposto pela única interessada correspondeu ao teto máximo do edital; processo irá atrasar alguns meses
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segunda-feira, 20 de julho de 2026
Valor final proposto pela única interessada correspondeu ao teto máximo do edital; processo irá atrasar alguns meses

A reforma das escadas rolantes do Terminal Central de Londrina sofreu um revés e irá atrasar por mais alguns meses. A empresa vencedora da licitação apresentou um preço final considerado exorbitante para a realização do serviço, com disparidade significativa, tendo em conta o orçamento submetido inicialmente - diferença de R$ 62 mil. Como a terceirizada foi a única participante do processo, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) vai encerrar e arquivar o processo licitatório. Um novo procedimento pode levar ao menos 90 dias do início à conclusão. A empresa não apresentou defesa.
A CMTU revogou o pregão eletrônico por meio de publicação no Jornal Oficial do Município na semana passada, antes da assinatura de um contrato para a execução do serviço. O ato se deu para “preservar o interesse público”, considerando a “expressiva discrepância” entre o orçamento apresentado pela empresa durante a fase interna do processo licitatório - R$ 70 mil - e o preço final mantido no certame - R$ 132.666,67 (correspondente exato ao teto máximo do edital).
Segundo a Companhia, houve “ausência de vantajosidade material da contratação, somada à inexistência de competição efetiva e à frustração da tentativa de negociação”. O órgão se referiu à iniciativa que objetivou reduzir o valor ofertado “e assegurar a obtenção da proposta mais vantajosa para a CMTU”. “Contudo, não houve êxito na negociação, permanecendo inalterado o valor inicialmente proposto pela licitante”, completou.
O órgão aguardava, nas últimas semanas, o prazo legal para que a empresa apresentasse a sua defesa. A Companhia informou que o direito não foi exercido, e desta forma, encerrou e arquivou o processo licitatório. Um novo procedimento será aberto para a contratação de outra empresa especializada, sem previsão de data. A CMTU informou que a licitação toda, do início à conclusão, deve levar pelo menos 90 dias.
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Melhorias previstas
A nova contratada irá prestar serviços relativos à reforma de quatro escadas rolantes instaladas no Terminal Urbano de Transporte Coletivo, incluindo mão de obra para substituição de peças e desmontagem/montagem, lavagem, revisão e pintura de 194 degraus, com fornecimento de materiais de consumo, insumos, de todo ferramental e equipamentos.
O prazo para execução será de 150 dias corridos - aproximadamente cinco meses - contados a partir do quinto dia útil após a assinatura do acordo.
'Nem arrisco' conferir
As escadas rolantes e o elevador do Terminal Central foram inaugurados em 2004. O custo da instalação dos dispositivos foi de R$ 1,2 milhão à época, bancado pela TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), uma das concessionárias do serviço, conforme previsto no contrato. Passageiros reclamam há anos sobre o mau funcionamento das escadas, com recorrente operação precária ou totalmente paradas.

Após um novo reparo realizado há duas semanas, conforme um segurança do local, as quatro estruturas estão operantes, o que surpreendeu Denise Viushenski após receber a informação pela reportagem. “Eu nem sabia que estava funcionando, sempre está em manutenção, então nem arrisco ir ali. Faz uns dois meses que eu quebrei o meu pé e, no caso, a escada rolante seria uma mão na roda, mas eu tive que usar o elevador e as idosas todas olhavam pra mim com cara feia, aí eu tinha que mostrar o meu pé machucado. Desde então, eu nunca vi funcionando”, recordou a vendedora.
Viushenski contou que faz uso do transporte público diariamente para ir e voltar da floricultura em que trabalha. Ponderou como o bom funcionamento das estruturas rolantes seria benéfico a pessoas com deficiência física ou pais com crianças pequenas, visto que “o elevador fica sobrecarregado, nunca dá pra pegar ele”.
A diarista Rosa Farias também pega ônibus todos os dias como locomoção ao trabalho, sem costume de usar as escadas rolantes. “Eu não vejo funcionando a maioria das vezes, quase nunca, então não passo perto. É difícil se locomover, porque tem que andar até lá na frente, subir as rampas, é complicado. O ideal seria funcionar todos os dias, tanto para subir quanto para descer. Tem dia que funciona uma e a outra não, aí você tem que voltar”, reclamou.

Daniel da Silva também observa o mau funcionamento das estruturas com frequência. “Eu geralmente não uso porque as minhas pernas são boas, mas sempre quando eu pego ônibus aqui cedo, elas não estão funcionando. Para um idoso, pra quem tem menos resistência ou problema no joelho, é complicado”, considerou.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.



