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m de leitura Atualizado em 04/04/2022, 20:26

Chapa `UEL de volta para casa´ diz defender a diversidade de ideias

FOLHA começa a publicar nesta terça-feira (5) série de quatro entrevistas com os candidatos às eleições para a reitoria da UEL

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de abril de 2022

Vítor Ogawa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Roberto Custódio
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As eleições para reitor e vice-reitor da UEL serão realizadas, em primeiro turno, no próximo dia 12 de abril e a FOLHA inicia nesta terça-feira (5) a publicação de uma série com quatro reportagens trazendo entrevistas com os candidatos. A ordem de publicação segue o número da chapa. A série começa com a Chapa 1, que tem à frente Gabriel Giannattasio e Marcelo Canteri. 

Quatro chapas estão inscritas para a disputa prevista para o próximo dia 12 de abril (1º turno) e em 27 de abril (2º turno). As demais chapas são  formadas pelos professores Marta Regina Favaro (CECA) e Airton Pretis (CCS); Nilson Magagnin Filho (CTU) e Laura Brandini (CLCH) e Frederico Garcia Fernandes (CLCH) e Patrícia Mendes Pereira (CCA).

Pela primeira vez estudantes, professores e agentes universitários deverão participar de eleição direta para escolha dos dirigentes máximos da instituição de forma eletrônica. A votação será online pelo sistema Saele (Sistema Aberto de Eleições Eletrônicas), por meio dos portais do estudante e do servidor. O acesso será permitido mediante a senha pessoal. Mais informações na página da Comissão Eleitoral (https://sites.uel.br/eleicoes/wp-content/uploads/2022/03/Resolucao-010-2020.pdf).

Acompanhe a seguir a entrevista com Giannattasio  e Canteri. 

CHAPA 1 

Na eleição para reitor e vice-reitor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), a chapa “UEL de volta para casa”, defende a diversidade ideológica no ambiente universitário. Composta pelos candidatos Gabriel Giannattasio (CLCH- Centro de Letras e Ciências Humanas) ao cargo de reitor e Marcelo Canteri (CCA- Centro de Ciências Agrárias) ao cargo de vice reitor, a dupla entende que a universidade deve “voltar para a sua casa.” “Nas últimas décadas a universidade saiu um pouco dos trilhos. Se não houver direito de divergir, ou de debate entre pensamentos diferentes, é um sinal de que a universidade abandonou as suas raízes. Nós percebemos que a universidade não era exatamente esse ambiente”, afirmou Giannattasio.

Gabriel Giannattasio e Marcelo Canteri  são os candidatos a reitor e vice da UEL pela Chapa 1 Gabriel Giannattasio e Marcelo Canteri  são os candidatos a reitor e vice da UEL pela Chapa 1
Gabriel Giannattasio e Marcelo Canteri são os candidatos a reitor e vice da UEL pela Chapa 1 |  Foto: Roberto Custódio
 

Ele defende um modelo que nasceu nos Estados Unidos chamado Academia Heterodoxa, que busca incentivar a pluralidade de ideias no ambiente acadêmico. “Uma das possibilidades de implantar isso é criando uma espécie de tolerômetro, um índice de tolerância, do mesmo modo como nós temos índices capazes de medir a diversidade demográfica na universidade. Nós também criaríamos uma secretaria especial junto à reitoria da UEL que trataria unicamente deste problema da diversidade de ideias na academia”, destacou Giannattasio.

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Segundo Canteri, na Agronomia já há uma certa tolerância presente que, pode ser usada como exemplo para os demais departamentos. “Há uma certa convivência pacífica e respeitosa. Isso pode ser disseminado mais abertamente. A pesquisa e o ensino vão funcionar muito bem se houver essa convivência harmônica em função da tolerância.”

Lei Geral das Universidades

Sobre a LGU (Lei Geral das Universidades), Giannattasio afirma que quer valorizar a gestão acadêmica e técnica, evitando o viés ideológico. “No que diz respeito à LGU, um dos grandes problemas é a leitura de um documento na sua totalidade. Qualquer projeto tem pontos positivos e negativos. Tudo passará por uma avaliação e por um diálogo com as instâncias governamentais, o mais aberto e sincero possível, evitando a contaminação deste diálogo por princípios, seja de situacionismo, seja de oposicionismo”, afirmou o candidato a reitor.

Em relação ao problema de falta de recursos, Giannattasio defende um reexame da relação com as instâncias governamentais. “O diálogo fica prejudicado quando cortamos pontes. A universidade tem valores a serem defendidos e as instituições acadêmicas, como o HU (Hospital Universitário) e o HV (Hospital Veterinário), dependem dos recursos. É preciso também incentivar as relações público-privadas, que podem ser uma fonte de financiamento extremamente importante para a recomposição orçamentária e a recomposição também do quadro docente administrativo.”

Canteri complementou que a UEL possui o centro de inteligência artificial na agricultura, que recebe recurso público e de empresas. “É uma parceria público- privada que tem gerado seus resultados e está em implementação. É um caminho a seguir, sem fechar portas, sem ser de um lado, onde não se aceita recursos privados, ou de outro lado, que não se aceita recursos públicos.”

CONCURSOS

Sobre a falta de técnicos e professores, Giannattasio reforça haver risco de que concursos caduquem, caso os candidatos aprovados em concursos não forem chamados no prazo de dois anos. “Isso significa desperdício de recursos, porque há custos para você fazer um concurso. A chamada dos professores aprovados, bem como do quadro técnico administrativo, está sendo substituída por uma terceirização, ou substituição de trabalhadores concursados por trabalhadores contratados. Isto tudo precisa ser equalizado. Há setores e departamentos com uma premência maior, e outros, onde a situação é menos urgente.” Esse levantamento serviria de subsídio para a gestão junto ao governo estadual para a contratação dos profissionais concursados e que ainda não foram chamados nos setores mais urgentes. 

Canteri afirma que a integração de cursos de informática com outros departamentos pode gerar algo muito positivo e resultados satisfatórios aplicados para a comunidade. “Na Agronomia temos uma integração desse centro da UEL, com a UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), junto ao IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná) e com a Embrapa Soja, e com outras instituições. Nós podemos usar isso como um modelo. Vamos gerar conhecimento para transferi-lo para potenciais inovadores. Londrina é um polo de inovação na parte agrícola reconhecido pelo Ministério da Agricultura. Nós temos o Agro Valley e temos todo esse complexo próprio de inovação com o Sebrae auxiliando bastante”, apontou. Ele reforça que seria possível realizar competições de soluções inovadoras, chamadas de hackathons, com times de todo o Brasil. 

Giannattasio, que integra o Conselho Nacional de Educação do MEC, afirma que a reformulação do ensino médio criará o itinerário do ensino tecnológico e que isso irá refletir no ensino superior. “Nós teremos mais de 200 cursos tecnológicos abertos à escolha dos alunos. Junto a isto eu lembro da reforma que está sendo feita na universidade com o novo extensionismo, de tal modo que os cursos e os docentes, os professores começarão a ministrar cursos extensionistas e essa carga de trabalho dos professores passará a integrar a carga horária de trabalho de cada docente. É uma grande articulação entre universidade e ensino médio exatamente na perspectiva de que a universidade consiga formar também profissionais técnicos, porque essa é uma grande demanda que nós temos.”

BOLSAS PARA PESQUISA 

Sobre a baixa oferta de bolsas e financiamentos de pesquisas, Canteri apontou que não sabe exatamente o reflexo dessa baixa disponibilidade. “O que nós vemos é que aquele aluno que está realmente interessado em fazer pesquisa tem participado. Isso acaba refletindo na qualidade dos alunos em relação àquele aluno que queria a bolsa para ter algum recurso para sua manutenção.  Mas, claro, quando nós temos mais recursos é mais interessante.”

Os integrantes da chapa argumentam que não adianta ficar construindo novos prédios e não cuidar do patrimônio já existente. “Há laboratórios com equipamentos caríssimos que estão cobertos com plástico, porque chove naquele ambiente. Esta situação é emergencial e será o centro de atenção inicial”, afirmou  Giannattasio. 

Podcast traz série de entrevistas com os candidatos à reitoria da UEL

Em suas considerações finais Giannattasio se dirigiu a todos que se sentiram desconfortáveis nos últimos anos por manifestar o seu modo de pensar. “Isto não é o ambiente que nós queremos. Quando eu estou convencido de uma ideia, posso defendê-la publicamente. O ambiente atual não pode se sustentar na universidade. Peço que todos reflitam bastante sobre isso no dia 12 de abril.” 

Canteri, por sua vez, declarou que além dessa preocupação com a convivência harmônica dentro da universidade, a chapa presta atenção nos três principais pilares que são o ensino, a pesquisa, e a extensão. “Mas criando essa atmosfera da tolerância para que essas três áreas possam crescer e interagir com a comunidade”, apontou.

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