As campanhas de vacinação contra a Poliomielite e Multivacinação seguem até o dia 30, dirigidas a crianças e adolescentes, em todo o Paraná. O Estado tem 1.850 salas de vacinação distribuídas em todos os municípios, mas a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) está orientando as secretarias municipais a promoverem atividades de imunização em pontos de grande circulação na cidade.

Imagem ilustrativa da imagem Campanhas de vacinação seguem até dia 30 em todo o Estado
| Foto: Venilton Kuchler/Arquivo AEN

“Reiteramos o pedido para que os municípios realizem e divulguem a vacinação junto à população e, ao mesmo tempo, reforçamos para que os pais levem seus filhos aos postos e atualizem as cadernetas; a vacina protege e salva contra muitas doenças”, afirmou o secretário da Saúde, Beto Preto.

A campanha de vacinação contra a poliomielite tem como público-alvo as crianças a partir de 12 meses a menores de 5 anos. A vacina utilizada na campanha é a oral, com duas gotinhas para cada criança.

Conforme a chefe do programa estadual de Imunização, Vera Rita da Maia, o Paraná tem 583.962 crianças nesta faixa de idade que devem ser imunizadas. Apenas 49 mil - em torno de 8% - já foram vacinadas. Para que a vacinação seja efetiva no Estado é preciso atingir a cobertura vacinal de 95% desta população.

"Serão três semanas de intenso trabalho", ressalta Maia. "Não temos casos de poliomielite no Estado desde 1987, mas precisamos manter altos os índices de cobertura vacinal para evitar que a doença adentre novamente não só no Paraná como no Brasil."

MULTIVACINAÇÃO

A campanha multivacinação oferta 14 tipos de vacinas para crianças e adolescentes, como sarampo, meningite, rubéola, caxumba, difteria, tétano, pneumonia e diarreia, entre outras.

O foco da vacinação contra o sarampo, que teve um surto no Estado de agosto de 2019 a setembro desse ano, é de adultos de 20 a 49 anos. Mas a vacina está disponível para pessoas de seis meses a 59 anos.

A meta da campanha do sarampo é vacinar 4 milhões de pessoas nessa faixa etária. A estimativa da Secretaria de Estado da Saúde é que apenas 500 mil, cerca de 10%, estejam imunizados contra o vírus.

"Uma pessoa que tenha o vírus do sarampo pode contaminar 18 pessoas por gotículas. O aerosol tem durabilidade mais longa que o da Covid", alerta a chefe do programa estadual de Imunização. "O sarampo pode causar encefalites, vários problemas no organismo que podem se tornar crônicos, e é evitável com duas doses."

As campanhas contra a Poliomielite e Multivacinação começaram no dia 28 de setembro. Para Maia, o momento exige atenção não só à prevenção da Covid-19, mas também à imunização contra doenças evitáveis para evitar a reentrada de surtos. "Todo mundo está ansiosamente aguardando a vacinação contra a Covid-19, e temos várias vacinas que previnem doenças tão graves quanto. Um surto de meningite em uma escola é tão grave quanto à exposição ao coronavírus. Precisamos, sim, tomar precauções em relação à Covid-19, mas precisamos tomar vacinas para evitar doenças preveníveis."

COBERTURA VACINAL

No ano passado, todas as oito vacinas recomendadas para crianças de até um ano (BCG, Febre Amarela, Meningo C, Pentavalente, Pneumocócica 10, Poiliomielite (VIP), Rotavírus e Tríplice Viral) ficaram abaixo da meta de 90% (para BCG e Rotavírus) e 95% (para as demais) no Paraná, conforme noticiou a FOLHA.

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Segundo o secretário da Saúde, Beto Preto, todos os municípios estão abastecidos de vacinas e os profissionais preparados para receber o público para a vacinação. Para saber onde encontrar as vacinas, a orientação da Sesa é procurar informações na Unidade de Saúde mais próxima.

Sala de Imunizações tem baixa procura em Londrina

Em Londrina, a campanha de vacinação contra a Poliomielite e Multivacinação acontece nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) e, desde segunda-feira (5), na Sala de Imunizações, montada na Supercreche, localizada na rua Benjamin Constant, 800. O local atende em horário estendido, das 14 às 20 horas, de segunda a sexta-feira.

"É um local central, de fácil acesso, voltado somente para vacinas. Não precisa misturar com outras demandas nas UBS", comenta Felippe Machado, secretário municipal de Saúde. As UBS estão atendendo mediante agendamento por telefone e a Sala de Imunizações com agendamento pela internet, no site da prefeitura, como medida de prevenção à Covid-19.

Machado afirma, no entanto, que a Secretaria registra baixa procura por vacinas tanto nas UBS quanto na Sala de Imunizações que, na última quarta-feira (7), atendeu apenas 16 agendamentos, sendo que a capacidade de atendimento é de 200 por dia.

"Temos há alguns anos um movimento antivacinação, que é muito prejudicial. As consequências deste movimento é a reinserção de doenças que outrora não circulavam mais, como o sarampo", salienta Machado. O medo da Covid-19, na visão do secretário, também influencia na baixa procura, mas a redução já era observada antes da pandemia.