O Aeroporto Governador José Richa recebeu, na manhã deste sábado (23), 19 crianças que integram o projeto Bombeiros Mirins, de Londrina, Cambé e Cornélio Procópio - as duas últimas integrantes da Região Metropolitana do município. De idades entre 4 e 10 anos, a maioria nunca havia pisado em um aeroporto antes.

Entusiasmadas, os pequenos bombeiros ecoavam “vou ver um avião pela primeira vez na vida”, perguntando se “ele é grandão?” e “como é lá dentro?”. O objetivo foi “proporcionar uma integração à sociedade com essa experiência que muitas crianças não têm acesso”, explicou Leandro Negrão, supervisor de Operações e Segurança do Grupo CCR Aeroportos, administradora do terminal.

Os pequenos bombeiros viram como funciona uma operação de combate a incêndio no Aeroporto de Londrina
Os pequenos bombeiros viram como funciona uma operação de combate a incêndio no Aeroporto de Londrina | Foto: Heloísa Gonçalves

CAMINHÕES EM AÇÃO

O homem elencou para os visitantes as regras de como deviam se portar na área restrita, desde o raio-x até a chegada na pista de pouso e decolagem. As crianças receberam protetores auriculares e ouviram de longe o som de sirenes. Dois caminhões de combate a incêndio, usados exclusivamente no aeroporto, estacionaram na frente dos jovens, demonstrando a força da água que sai das mangueiras.

Lucas, Davi e Lucas na cabine com o bombeiro motorista Wesley Neves
Lucas, Davi e Lucas na cabine com o bombeiro motorista Wesley Neves | Foto: Heloísa Gonçalves

“O nosso caminhão é diferente do convencional. Ele tem o combate tanto manual, externo ao caminhão, como os canhões direto. As crianças puderam vivenciar a experiência com os mangotes, que são as mangueiras externas, conhecer o cockpit, a cabine, toda a operação do caminhão, a rotina e um pouco da maneabilidade que os bombeiros de aeródromo precisam desenvolver”, pontuou Negrão.

Na cabine de cada veículo, os bombeiros motoristas mostraram o funcionamento do painel, deixaram as crianças afivelar os cintos e ainda falar ao microfone. Elas também puderam manusear o mangote e escolher a intensidade da água que estava jorrando, com auxílio da equipe.

‘UMA GRANDE BOMBEIRA’

Tayla Almeida, 7, contou que sua parte favorita da visita foi ver os profissionais em ação. “Foi bem legal, gostei do guincho que solta água lá em cima do caminhão e de ver a tela”, mencionou, se referindo ao painel que fica na cabine. Disse ainda que pretende se tornar “uma grande bombeira”, valorizando a experiência de ver os profissionais de perto.

Tayla Almeida, 7, quer se tornar "uma grande bombeira
Tayla Almeida, 7, quer se tornar "uma grande bombeira | Foto: Heloísa Gonçalves

Ramon Gomes, 5, relatou que gostou “mais da mangueira e do teto solar do caminhão”. Também afirmou que das atividades que realiza no curso de Bombeiros Mirins, sua preferida é o acampamento.

Ramon Gomes, 5
Ramon Gomes, 5 | Foto: Heloísa Gonçalves

Já Felipe Viana, 7, veio de Cambé para participar da visita, contando que jogou água “da mangueira e foi muito legal”. Quando questionado se pretende se tornar um herói da cidade no futuro, seguindo a profissão, não titubeou na afirmação: “claro!”.

Felipe Viana, 7
Felipe Viana, 7 | Foto: Heloísa Gonçalves

ATUAÇÃO

O projeto Bombeiros Mirins está em vigor desde 2018, presente, no momento, em quase 40 cidades do Paraná. Cerca de 3 mil crianças, de 4 a 12 anos, já se formaram no curso, que tem duração de seis meses e é realizado quinzenalmente.

O Aeroporto de Londrina recebeu a visita das crianças que fazem parte do  projeto Bombeiros Mirins
O Aeroporto de Londrina recebeu a visita das crianças que fazem parte do projeto Bombeiros Mirins | Foto: Heloísa Gonçalves

Calebe Nunes é um dos instrutores que atua em Londrina, informando que a equipe da coordenação conta com socorristas, bombeiros civis e técnicos de enfermagem. Os jovens aprendem sobre primeiros socorros e manobras no âmbito do protocolo APH (Atendimento Pré-Hospitalar), com linguagem adequada à faixa etária dos contemplados. Também são ensinados os números de serviços de urgência, como o 192 do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e 193 do Corpo de Bombeiros.

“Sabem a respeito de pequenos ferimentos, como podem prejudicar se forem mal limpos. Eles adoram o acampamento, temos a trilha que fazemos para eles terem noção de animais peçonhentos. Também aprendem a não aceitar nada de estranhos, têm aula de educação no trânsito, porque a gente tem que começar desde cedo, saber dos perigos”, elencou Nunes.

Ainda sobre os acampamentos, o instrutor acrescentou que objetivam o contato dos pequenos com a natureza, de uma forma que deixem os celulares e a internet de lado. “Eles aprendem o respeito que devem ter com a mata e a natureza, batemos muito na questão do lixo também. Fazemos o famoso rastejo na lama, que o pai tem que jogar a roupa fora e quer matar o professor, mas depois agradece”, brincou o instrutor.

VISITAÇÃO

Com o fim das obras de ampliação do aeroporto neste ano, que tiveram investimento de R$ 200 milhões, a intenção da concessionária que administra o Aeroporto é retomar as visitas de grupos de diversas organizações, que haviam sido suspensas para não colocar os externos em risco.

Leandro Negrão, Supervisor de Operações e Segurança do Aeroporto de Londrina
Leandro Negrão, Supervisor de Operações e Segurança do Aeroporto de Londrina | Foto: Heloísa Gonçalves

“Já recebemos idosos e somos procurados por escolas, por entidades filantrópicas que buscam conhecer as instalações. A gente vai conseguir implementar uma rotina, uma frequência de visitação para proporcionar essa integração à sociedade”, objetivou Leandro Negrão.

Em tempo, não foi dessa vez que as crianças do Bombeiros Mirins viram de pertinho um avião.

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