O Jardim Botânico de Londrina, ponto turístico com entrada gratuita na zona sul, está recebendo melhorias emergenciais desde o dia 15 de julho. A revitalização parcial iniciada faz parte da reforma completa do espaço anunciada pelo Governo do Estado em junho deste ano, que tem prazo de conclusão de 14 meses, sem valor de investimento definido.

Com custo de R$ 2,3 milhões ao IAT (Instituto Água e Terra), órgão responsável pelo Jardim e vinculado à Sedest (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável), o foco da primeira fase da revitalização é a reforma da estufa, além de reparos no lago e na sede administrativa. Esta etapa deve ser finalizada em cerca de 60 dias, conforme a assessoria da Sedest.

ESTUFA INACABADA

Localizada próxima à porção inferior do lago, a estufa nunca foi finalizada e não comporta nenhuma planta. Quando a FOLHA esteve no local em 08 de julho, a estrutura cercada por um alambrado estava cheia de mato alto, lixo de visitantes e vidros estilhaçados ou faltantes.

No dia, o secretário da Sedest, Rafael Greca, antecipou detalhes do planejamento à reportagem. A ideia era retirar os vidros para transformar o espaço em uma galeria com exibição de diferentes espécimes botânicos. “Eu vou pôr a flora da mata tropical do Rio Ivaí, todas as árvores da Mata Atlântica do Rio Paraná, que era a cobertura vegetal antiga de Londrina. E no meio do caminho vou fazer uma carreira de pés de café, porque Londrina foi a capital do café”, pontuou Greca na época.

A lagoa que fica em frente à estufa será esvaziada e deve passar por melhorias: reforma completa do Jardim Botânico deve demorar mais 13 meses
A lagoa que fica em frente à estufa será esvaziada e deve passar por melhorias: reforma completa do Jardim Botânico deve demorar mais 13 meses | Foto: Heloísa Gonçalves

No momento, todos os vidros já foram removidos da estrutura. As peças estilhaçadas estão sendo retiradas do local em um caminhão, enquanto que as sem danos serão reaproveitadas, informou um dos trabalhadores. “Estamos fazendo a limpeza dos vidros para deixar o ambiente limpo, alguns não tiveram salvação”, informou. A empresa contratada para realizar o serviço é a System Seg Serviços LTDA.

Greca atestou que os vidros estavam nesta condição por conta da amplitude térmica que Londrina registra, considerando que, “como é muito quente e não tem ar-condicionado, eles estouram”.

PONTE BLOQUEADA

É necessário dar uma grande volta para chegar na estufa, por conta da interdição, desde 2023, da ponte que conecta os dois lados do Jardim. O serviço inicial também contempla a reforma da estrutura, que “já está pronta, só não liberaram ainda”, segundo o trabalhador ouvido pela reportagem.

Ponte interditada no Jardim Botânico
Ponte interditada no Jardim Botânico | Foto: Heloísa Gonçalves

“A gente reformou ela inteira, tirou tudo, trocamos as madeiras, pintamos, lixamos e envernizamos”, elencou.

LAGO VAZIO

O lago do Jardim Botânico tem uma grande extensão, que corta boa parte do perímetro do espaço e é dividido em “lagoas” menores. A porção que fica em frente à estufa está quase completamente vazia, somente com a pouca água que cai de um buraco vinda da lagoa ao lado, vegetação seca e terra. Do mesmo modo, o corpo d’água do canto direito tem pouco volume, com a maior parte coberta também por vegetação seca, além de grandes pedras e o ocasional lixo de visitantes.

As porções da parte superior do lago estão mais cheias, mas observa-se que o volume está raso. Está previsto o esvaziamento do lago para que ele seja impermeabilizado, o que objetiva a proteção contra vazamentos e infiltrações.

O projeto ainda prevê reparos elétricos e a reforma de caminhos, fontes, da casa dos terceirizados e do anfiteatro externo. O acabamento do vestiário já está sendo realizado, conforme o trabalhador.

SEDE ADMINISTRATIVA

Localizada perto da entrada, os pisos da sede administrativa do Jardim foram completamente retirados, como parte das obras de requalificação da unidade. A madeira será substituída por porcelanato, com finalização do serviço prevista para um mês, segundo outro trabalhador da empresa.

Troca de pisos na sede administrativa do Jardim Botânico
Troca de pisos na sede administrativa do Jardim Botânico | Foto: Heloísa Gonçalves

HISTÓRICO

Alvo de reclamações por parte dos visitantes, o Jardim Botânico foi criado por decreto, em 2006, para ser uma unidade de pesquisa e conservação de espécies nativas e exóticas do Paraná, voltado à proteção e cultivo de espécies silvestres. Ele é dividido em cinco jardins temáticos, que abrigam diferentes tipos de plantas.

Estufa ainda com os vidros. Foto foi feita no dia 8 de julho
Estufa ainda com os vidros. Foto foi feita no dia 8 de julho | Foto: Heloísa Gonçalves

Com 97 hectares de área, a unidade foi aberta ao público oficialmente em 2013, sem nunca ter sido completamente finalizada.

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