Um dos cartões-postais de Londrina, o Jardim Botânico é motivo constante de reclamação por parte dos usuários por conta da situação de abandono e da falta de uma revitalização completa. Com a promessa de uma obra de reestruturação do parque, na prática, nada ainda saiu do papel, o que revolta quem gosta de caminhar ou de aproveitar a tranquilidade do lugar.

Os problemas aparecem logo na entrada: a cerca que coloca um limite entre a área do estacionamento e a do parque está remendada com pedaços de madeira e de arame. Ao passo em que o visitante desce as escadarias em direção aos lagos, a conservação das lixeiras e dos suportes de segurança chamam a atenção: ali, a ação do tempo corroeu parte das estruturas.

A dona de casa Maura Shibayama, 55, e a filha, Mariana Shibayama, 20, gostam de frequentar o Jardim Botânico aos finais de semana, apesar da distância de casa, já que moram próximo ao Aeroporto de Londrina. Para elas, o principal motivo de reclamação é a ponte, que já está há mais de um ano interditada para reforma, assim como o fato de vários dos lagos estarem secos. “Dá uma dó de ver porque a gente sempre trazia ração para os peixes e para as tartarugas”, lamenta Maura.

Para elas, o parque ainda é o mais bonito e seguro da cidade, já que o Arthur Thomas também está em uma situação precária e o Zerão costuma "estar muito sujo". No Lago Igapó, mãe e filha não costumam frequentar pelo fato de Mariana estar no TEA (Transtorno do Espectro Autista) e não gostar de locais tão cheios. “Aqui é mais tranquilo, traz uma paz”, afirma

Em março, a FOLHA entrou em contato com o IAT (Instituto Água e Terra) para entender os detalhes sobre a obra de revitalização do Jardim Botânico. Na época, a resposta foi de que a obra incluiria, entre outras coisas, a impermeabilização dos lagos, a remoção de vidros da estufa, a troca de tabuleiro e assentos e a recuperação pontual das estruturas metálicas da passarela e do guarda-corpo. “Tem que agilizar porque a população perde muito”, garante Maura Shibayama.

Com uma área de 6.850 m², o total estimado pelo IAT para a revitalização do Jardim Botânico de Londrina fica na casa de R$ 1,4 milhão. Uma das principais reclamações da população, para a reforma da ponte que atravessa o lago está prevista a retirada de todo o assoalho de madeira e a colocação de um novo piso, incluindo a aplicação de duas camadas de pintura. Nesta semana, a reportagem entrou em contato com o instituto novamente para questionar sobre o andamento da obra, mas o IAT limitou-se a dizer que o projeto de reestruturação está finalizado e aguarda dotação orçamentária.

O administrador Ricardo Rodrigues, 47, vai todos os finais de semana ao Jardim Botânico com a família, já que as filhas adoram o lugar. Para ele, é uma tristeza ver o local sendo destruído ano após ano sem que ninguém assuma a responsabilidade pelo cuidado com o parque. O local onde seria o chafariz, por exemplo, já está com a estrutura inutilizável e, inclusive, com pontos de água parada, e a maior parte dos vidros do orquidário está quebrada.

Ele também critica o fato de a ponte não ter sido reformada anos após ter sido interditada, assim como a falta de segurança do trecho, que não tinha parapeito. “O parque nunca deveria ter sido aberto porque ele nunca foi concluído”, aponta, complementando que o Jardim Botânico é um exemplo de "descaso com o dinheiro público". Rodrigues que o problema da falta de manutenção do parque também é visto em outros pontos de lazer da cidade.

O casal Maiara Aparecida Correia, 30, e Ronaldo Ramiro da Silva, 33, aponta que se o Jardim Botânico fosse revitalizado, mais pessoas frequentariam o parque. Para a atendente, a estrutura do orquidário é muito bonita, sendo uma pena que, de fato, não seja aproveitada para a finalidade. “Mas se até a saúde está abandonada, imagina isso aqui”, lamenta. O motorista de aplicativo também complementa que quem é de fora fica animado em poder conhecer o parque, já que imagina que vai ser parecido com o Jardim Botânico de Curitiba, mas se decepciona ao ver a situação de abandono.

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