O Governo do Estado do Paraná iniciou o pagamento de uma bolsa equivalente a meio salário mínimo nacional para cuidadores familiares que dedicam tempo ao cuidado diário de pessoas em situação de dependência. Os repasses começaram em dezembro de 2025 e o projeto-piloto está em execução em 20 municípios, com previsão de ampliação gradativa conforme a identificação de novas demandas no Estado.

Atualmente, 141 pessoas (110 mulheres e 31 homens) recebem o benefício, no valor de R$ 810,50, meio salário-mínimo nacional, com base no piso de R$ 1.621,00 em 2026. O nome do programa é Bolsa Cuidador Familiar.

Entre as cidades contempladas estão Londrina, Ponta Grossa (Campos Gerais), Cianorte (Noroeste) e Cascavel (Oeste). Cada município recebe 15 bolsas, totalizando 300 benefícios destinados a cuidadores familiares de pessoas idosas em situação de fragilidade e dependência.

“A maioria dos beneficiários do programa é composta por mulheres, o que evidencia que o trabalho de cuidado, historicamente, sempre esteve associado ao papel feminino. Trata-se de mulheres que dedicam grande parte, ou todo tempo, ao cuidado de familiares, muitas vezes abrindo mão da própria renda, o que reforça como essa atividade sempre esteve atrelada às mulheres”, observa a secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Leandre Dal Ponte.

Na avaliação da secretaria, o programa também atua de forma preventiva, ao fortalecer a permanência das pessoas idosas em seus lares e reduzir a necessidade de institucionalização. Segundo ela, o programa simboliza um avanço no reconhecimento do cuidado exercido dentro dos lares.

Leia mais:

Impacto na rotina

De acordo com a diretora de Políticas Públicas para a Pessoa Idosa, Larissa Marsolik, o apoio financeiro tem contribuído para a reorganização da rotina doméstica e para a garantia de melhores condições de cuidado às pessoas idosas em situação de dependência.

Cirlei de Souza, beneficiária do programa em Francisco Beltrão (Sudoeste), que cuida da mãe há 12 anos, conta que o auxílio tem impacto direto na rotina da família. Antes, elas viviam com a renda da mãe e com a ajuda dos irmãos e, mesmo assim, os recursos eram insuficientes.

“Minha vida hoje é cuidar da minha mãe. Tudo começou quando procurei o Cras para saber se havia algum benefício disponível e, ao conhecer a Bolsa Cuidador Familiar, vi uma esperança. Minha mãe tem Alzheimer e, há 12 anos, depende de mim para todas as necessidades. O cuidado é diário e exige dedicação integral. Com esse apoio, consigo manter as despesas organizadas”, contou Cirlei, 51, cuidadora da mãe, de 72 anos.

Quem pode receber

Para receber o benefício, o familiar cuidador deve ter 18 anos ou mais, residir no mesmo domicílio da pessoa idosa, estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com registro válido e atualizado, e integrar família com renda per capita de até um salário mínimo nacional.

Já a pessoa idosa deve apresentar fragilidade clínico-funcional, conforme registro no Sistema de Informação da Pessoa Idosa do Paraná (SIPI/SESA), não estar institucionalizada e estar incluída no CadÚnico.

A Bolsa Cuidador Familiar integra o conjunto de políticas públicas do Governo do Estado voltadas à valorização do cuidado, à promoção da dignidade e ao fortalecimento da rede de proteção social no Paraná.

(Com informações da Agência Estadual de Notícias)

mockup