Transformações paisagísticas da zona leste foram tema de outorado; esforço dos pioneiros para local deixar de ser inóspito
Transformações paisagísticas da zona leste foram tema de outorado; esforço dos pioneiros para local deixar de ser inóspito | Foto: Anderson Coelho



A zona leste, que ao longo da história tem sido importante para o desenvolvimento de Londrina, tem sofrido transformações recentes significativas.
"A zona leste foi a primeira área que a CTNP (Companhia de Terras Norte do Paraná) se instalou por ter nascentes e terrenos planos. Isso deve ter sido atraente nesse sentido para a primeira caravana que veio para cá", observou a professora da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Ana Cláudia Duarte Pinheiro, que estudou a região durante doutorado no programa de pós-graduação em geografia, cuja tese é "Transformações paisagísticas da região do Marco Zero na cidade de Londrina-Paraná: uma análise hemeróbica".

A professora se refere à chegada da primeira caravana da CNTP. Em agosto de 1929, em que o topógrafo Alexandre Razgulaeff determinou o primeiro marco da cidade de Londrina, surgiu o ponto que se tornou testemunha das mudanças da zona leste. Naquela clareira foram construídos os primeiros ranchos de palmito da CTNP. Daqueles primeiros tempos restou um pequeno pedaço de mata, que ainda é cuidado por Pedro Barbosa, conhecido também como Pedro da Mata.

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A professora explica que a CTNP, que colonizou a região, era de natureza privada, mas tinha norteador de natureza pública. "Para atrair interessados em adquirir as terras, ela precisava criar mecanismos para deixar que o local deixasse de ser inóspito", apontou. Segundo ela, foi lá que fizeram os primeiros ranchos de palmito e aproveitaram minas de água para obter água potável. Por terem encontrado três minas d'água o local foi chamado inicialmente de Três Bocas.

Desde então, a região leste viu a abertura da Estrada dos Pioneiros, a chegada dos trilhos da ferrovia, a construção das avenidas Dez de Dezembro e Leste-Oeste, a edificação do Terminal Rodoviário e, mais recentemente, a do Boulevard Londrina Shopping, da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e da Unicesumar. O local também abrigará o teatro municipal, embora as obras estejam paradas.

A zona leste abrigou a primeira favela de Londrina e também viu o primeiro conjunto habitacional do município ser construído com recursos do BNH, o Vitória Régia, com 132 casas. A região ainda foi palco de um dos primeiros trabalhos sociais de Londrina na área habitacional - frei Nereu Bassi do Valle, da Ordem dos Capuchinhos, se dedicou às comunidades carentes entre 1958 até início de 1970. Ele foi responsável pelo desfavelamento da Vila do Grilo, batizada depois como Vila da Fraternidade, porque as doações começaram durante uma campanha da fraternidade da igreja católica.

Foi lá também que foi construído o primeiro posto de saúde periférico de Londrina, estrutura conhecida atualmente como UBS (unidade básica de saúde). Frei Nereu intermediou a doação dos terrenos onde hoje estão instaladas a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e a Creche Santa Rita de Cássia.

A professora Pinheiro ressalta que um dos locais analisados por sua tese foi o conjunto habitacional Pindorama. "Seu surgimento aconteceu na década de 1970, na administração do prefeito Dalton Paranaguá. Ele surgiu de um programa federal desenvolvido pela administração municipal", explica.

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