Um dos primeiros casais a morar no conjunto Pindorama é José Divino Gonzaga, conhecido como Prego, e Luzia Augusta dos Reis Gonzaga, ambos com 87 anos de idade. Eles revelam que no início dos anos 1970 as moradias foram destinadas aos funcionários da prefeitura. "Aqui era um brejo e cheio de pedra; os pés ficavam sujos de barro", relembra Luzia, contando que havia uma "lavanderia coletiva" no bairro. "Na beira do campo tinha uma casa onde havia cinco ou seis tanques e a gente levava arame farpado para fazer o varal ao lado do tanque."

Prego, por sua vez, era funcionário da prefeitura e ajudava a capinar o mato no município. Antes de vir a Londrina ele era integrante da dupla sertaneja Curitibano e Campanário. "Depois que uma pessoa me reconheceu carpindo o mato, voltei à vida no rádio. Aqui em Londrina fui radialista na rádio Auriverde, Difusora, Londrina e Norte", contou. Ele disse que naqueles anos não havia opções de diversão na região e seus ensaios com o violão atraíam toda a vizinhança. "O repertório era só de música sertaneja. Eu ficava na frente de minha casa tocando o violão e enchia a casa", relembrou.

O motorista aposentado Claudinei Sanches Americhi, 66, mora na região há quase 30 anos. "Eu gosto desse local. Eu sou muito conhecido no bairro porque sou católico vicentino e ajudo as pessoas necessitadas com cestas básicas", revelou. Quando a reportagem chegou à sua casa, ele estava auxiliando uma moradora em situação de rua.

E moradores de rua existem aos montes na região. Na mata do Marco Zero muitos deles moram em barracos improvisados. Pelo menos com a reportagem, todos agiram de maneira cordial e foram bastante educados, mas a presença deles gera bastante insegurança a quem mora na região. Alguns deles são acusados de praticar assaltos ou furtos.(V.O.)

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