Apesar de alguns avanços, o Marco de Ação de Belém, assinado em 2009 no Brasil, informou não ter alcançado a meta da Educação para Todos de atingir 50% de melhoria nos níveis de alfabetização de adul
Apesar de alguns avanços, o Marco de Ação de Belém, assinado em 2009 no Brasil, informou não ter alcançado a meta da Educação para Todos de atingir 50% de melhoria nos níveis de alfabetização de adul | Foto: Fotos: Fábio Alcover



Rosilda é amiga de Luiz, que é amigo de Roseli, que por sua vez é amiga de Maria Aparecida, que é amiga de Josefa. Com histórias de vidas distintas, eles têm algumas coisas em comum: têm mais de 50 anos e passaram por muitas dificuldades na vida. Até bem pouco tempo atrás, os alunos da Educação de Jovens de Adultos (EJA) da Escola Ruth Ferreira, no Parque Universidade, na zona oeste de Londrina, não sabiam ler ou escrever frases simples. Ao contrário dos cinco londrinenses, 758 milhões de adultos em todo o mundo ainda não haviam conseguido se livrar desta condição em 2015. Os dados são do 3º Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos (Grale III), divulgado recentemente pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Apesar do avanço nas políticas de aprendizagem e de educação de adultos nos últimos anos, a maioria dos 144 países signatários do Marco de Ação de Belém, assinado em 2009 no Brasil, informou não ter alcançado a meta da Educação para Todos de atingir 50% de melhoria nos níveis de alfabetização de adultos até 2015. Pelo acordo, os países concordaram em melhorar a aprendizagem e a educação de adultos em cinco áreas: políticas, governança, financiamento, participação e qualidade. Os signatários se comprometeram a adotar ações em aprendizagem e educação de adultos por meio de políticas públicas e leis.

Segundo o Grale III, a maioria dos países signatários relatou progressos na implementação de todas as áreas do acordo. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, segundo a Unesco, especialmente na redução da desigualdade de gênero. Conforme o levantamento, a maioria dos excluídos da escola é formada por meninas: 9,7% das meninas de todo o mundo estão fora da escola, índice comparado a 8,3% dos meninos.

Da mesma forma, mostra a pesquisa, 63% dos adultos com baixas habilidades de alfabetização são mulheres. "A educação é essencial para a dignidade e os direitos humanos e é uma força para o empoderamento. A educação de mulheres também tem grande impacto nas famílias e na educação das crianças, influenciando o desenvolvimento econômico, a saúde e o engajamento cívico de toda a sociedade", expõe trecho do Grale III.

Já de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País tem 13 milhões de analfabetos, o que corresponde a 8,3% da população maior que 15 anos. A taxa era de 11,5% em 2004. Mesmo com todos os esforços, a redução não conseguiu atingir a meta da ONU, de chegar a 6,5% da população adulta iletrada em 2015. Segundo o IBGE, o Nordeste tem a pior situação, com índice de 16,6% e o Sul, a melhor, com 4,4% de analfabetos.

Imagem ilustrativa da imagem Analfabetismo atinge 758 milhões de adultos no mundo


De acordo com a Secretaria de Estado da Educação (Seed), a taxa de analfabetismo no Paraná é 4,5%, o que equivale a aproximadamente 495 mil pessoas, contingente próximo à população de Londrina (553 mil). De acordo com a coordenadora da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Seed, Márcia Dudeque, 8.274 alunos cursam a modalidade em 483 escolas estaduais de todo o Paraná. Os números correspondem a alunos da rede estadual, a partir do 6º ano do ensino fundamental.

De acordo com Márcia, contando com os alunos dos anos iniciais (1º ao 5º), o número de matrículas cresce consideravelmente, porém ela não soube informar os dados, de responsabilidade dos municípios. A coordenadora também chamou a atenção dos municípios quanto a importância de manter a EJA. "Os anos iniciais são de responsabilidade dos municípios, não importa a idade dos alunos", ressalta. Segundo ela, dos 399 municípios paranaenses, 50 não ofertam a EJA nos anos iniciais. "Os anos iniciais são fundamentais para o processo de erradicar o analfabetismo. Para isso, é necessário o empenho de todos os agentes envolvidos no processo", argumenta.

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