Ana Paula Cardoso esbanjava “sede de vida”, diz chefe e amiga
Corpo de jovem londrinense foi encontrado nesta quinta (30), em Sapopema, após cinco dias de buscas; linha de investigação adotada é de morte acidental
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quinta-feira, 30 de julho de 2026
Corpo de jovem londrinense foi encontrado nesta quinta (30), em Sapopema, após cinco dias de buscas; linha de investigação adotada é de morte acidental

O corpo de Ana Paula Cardoso, fotógrafa londrinense de 29 anos que estava desaparecida desde sábado (25) em Sapopema (Norte), foi encontrado na manhã desta quinta-feira (30) e já entregue ao IML (Instituto Médico-Legal) de Londrina. A PCIPR (Polícia Científica do Paraná) é a responsável pelo laudo pericial, documento que será encaminhado à PCPR (Polícia Civil do Paraná). A linha de investigação adotada pelo delegado responsável é de morte acidental, sendo que a amiga que estava junto da vítima e foi encontrada com vida, Ana Carolyne Camilo, já prestou depoimento, assim como demais hóspedes da pousada Salto das Orquídeas. Ana Paula completaria 30 anos no próximo mês, era conhecedora da natureza e evoluía em sua profissão a cada dia mais, sempre com “sede de vida”.
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Após cinco dias de buscas e mobilização de múltiplos órgãos públicos, a jovem foi encontrada por volta das 7h10 de quinta, durante um dos voos diários de reconhecimento realizados com drone. As imagens captadas pelo equipamento permitiram localizar o corpo flutuando no rio, em um ponto que fica entre 150 e 200 metros após o Poço Preto, próximo a um conjunto de pedras. A redução do nível da água registrada nas últimas horas da manhã contribuiu para a visualização.
O comandante-geral do CBMPR (Corpo de Bombeiros Militar do Paraná), coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, destacou o trabalho realizado pelos brigadistas. “Nossos bombeiros atuaram continuamente em um ambiente de alto risco, com forte correnteza, grandes desníveis e acesso restrito. Foram empregados mergulho especializado, buscas em superfície, varreduras aéreas e técnicas de progressão em área de cachoeira, sempre com foco em localizar a vítima, mantendo também a segurança das equipes”, pontuou. Mais de 100 mil metros de área foram percorridos durante os trabalhos, entre buscas terrestres, aquáticas e aéreas, com emprego de drones, cães, barcos e caiaques.
Morte acidental
A investigação do ocorrido está a cargo da Delegacia de PC em Sapopema, com Thiago Luiz como responsável. O delegado informou que a apuração segue em andamento, com o principal ângulo sendo uma morte acidental. “Estamos realizando a extração dos dados dos equipamentos eletrônicos da vítima, como o computador e o aparelho celular. A colega que estava com a vítima no momento do acidente também já prestou depoimento”.
O proprietário do Salto das Orquídeas e hóspedes que estavam na pousada no sábado, dia do desaparecimento, estão sendo ouvidos. Luiz aguarda o envio do laudo pericial pela Polícia Científica, que atestará se a morte foi decorrente de afogamento, trauma na cabeça ou de outro motivo.
Comemorar 30 anos de vida
A mãe de Ana Paula, Raquel Silveira, pediu que seja resguardada a “privacidade, imagem e dignidade da família neste momento de profundo luto e comoção”. Horas antes de a busca ser encerrada com a descoberta do corpo, Silveira postou um apelo em uma rede social, clamando pelo retorno de sua filha.
“Converso com ela nos meus pensamentos e até grito pra ela parar com essa brincadeira de esconde-esconde, falo que ela é muito esperta, porque tem muita gente, mas muita gente mesmo procurando por ela e não a encontram. Filha, seu lugar é aqui com a gente, venha, vamos comemorar seus 30 anos mês que vem, vamos reunir seus amigos e vamos brindar com um bom vinho. Tô te esperando”, finalizou.
‘Sempre com sorriso no rosto’
Ana Paula Cardoso acumulava experiências em trilhas e escaladas, era formada em Ciências Sociais pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), era ativa na comunidade teatral londrinense e atuava como fotógrafa esportiva. Ela integrava a equipe da empresa Ana Lugli Fotografia, com foco em ginástica rítmica, há três anos, após deixar o emprego de garçonete para trabalhar exclusivamente com a oitava arte.
O interesse pelo esporte foi incentivo de Lugli, chefe e amiga, que cresceu ainda mais com o ingresso de sua prima na ginástica. Nestas competições, Ana Paula fazia questão de gravar vídeos para enviar ao grupo da família, enquanto Lugli fotografava a criança. A mulher foi até Sapopema esta semana acompanhar a busca pela amiga, recordando de “perrengues” enfrentados pela dupla em viagens a trabalho.
“Já teve ônibus que quebrou com a gente, aí tivemos que esperar outro que nunca chegou, e outra pessoa teve que nos buscar no lugar, que era horas de distância daqui. E não importa o perrengue que a gente passasse, não importa o quão frustrada eu estivesse ou ela estivesse com a situação, eram raras as vezes que ela transparecia. Todos os momentos passados ali, nas viagens e nesses eventos, eram sempre com um sorriso no rosto”, recordou Lugli.

Amor infinito
Fazendo a cobertura de eventos sozinha, Ana Paula estava deslanchando na carreira, com a chefe procurando uma terceira fotógrafa que pudesse auxiliar a jovem. Lugli contou que se sente desorientada no momento, relembrando como a amiga tinha “sede de vida”.
“O luto só vem de verdade ao longo do tempo. Ana Paula vai deixar muita saudade, o sorriso dela vai deixar muita saudade, os dentes muito brancos”, riu. Com afirmação no presente, disse que “ela é uma pessoa muito amada, porque o nosso amor por ela não acaba, o amor da família dela é infinito”.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.




