Amigos e familiares vão lembrar aniversário de adolescente morto por PM em Londrina
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terça-feira, 27 de março de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
A morte do estudante Gabriel Sartori, 17 anos, por um tiro efetuado pelo policial militar Bruno Carnelos Zangirolami, em junho de 2017, será lembrada em um ato público organizado por amigos e familiares e agendado para o dia 15 de abril, na zona sul de Londrina. A data coincide com o aniversário de 18 anos da vítima e os 10 meses que o crime aconteceu em frente ao Colégio Estadual Maria José Aguilera, no conjunto Cafezal. No Facebook, o caso é tratado "como um homicidio praticado pelo Estado contra um jovem inocente da periferia". Dias depois do disparo fatal, colegas de Sartori estamparam cartazes contra a ação do policial, que responde o processo em liberdade.

Segundo a Polícia Civil, o menor foi morto depois que ele e mais dois amigos foram abordados pelo PM, que morava nos fundos da escola pública. Havia a suspeita de que o trio tentava pular o muro da instituição. Durante interrogatório na 1ª Vara Criminal, Zangirolami disse ter sacado a pistola depois que os garotos não obedeceram a ordem de parada. "Quando chegaram mais perto, atirei no chão para impedir que me agredissem ou tomassem a minha arma", contou à juíza Elisabeth Kather. Para o Ministério Público, a atitude pode complicar o agente. O promotor Ricardo Domingues ofereceu denúncia por homicídio em dolo eventual, quando alguém assume o risco de uma eventual morte.
O Instituto de Criminalística apurou que o tiro resvalou na calçada antes de atingir o peito de Gabriel. O policial assegura ter acionado o Siate, que não pôde intervir a tempo. Zangirolami chegou a ser detido em flagrante, mas foi liberado no mesmo dia. Ainda no ano passado, ele teve o porte de arma limitado pela Justiça. Outra obrigação imposta é cumprir apenas atividades administrativas na 4ª Companhia Independente, pelotão onde está lotado há seis anos.
A mãe do adolescente, Cristiane Sartori, sabe que a manifestação do próximo dia 15 não trará o filho de volta. "Porém, é importante não deixar a morte dele em vão, cair no esquecimento. Passar o Natal, Ano Novo, Páscoa e outras datas importantes sem a pessoa mais relevante de sua vida é muito difícil. Viver sem ele (Gabriel) é como não ter a metade de um mundo", alegou. Ela reiterou que "não é contra a PM", mas defende uma avaliação mais rígida para seus integrantes, principalmente a parte psicológica. "Sabemos que não é uma profissão fácil, mas o treinamento dos policiais precisa ser aprimorado. Queremos agentes saudáveis trabalhando nas ruas", completou.
Essa também é a bandeira de movimentos que acompanham a investigação da morte do jovem Matheus Ferreira Evangelista, 18 anos, na zona norte de Londrina. Até agora, a Delegacia de Homicídios (DH) suspeita que um guarda municipal, preso temporariamente, tenha participação no caso. Outros dois agentes estão sendo averiguados pelos investigadores. Todos foram afastados da Secretaria de Defesa Social pelo responsável pela pasta, Evaristo Kuceki. Nesta segunda-feira (26), ele participou de uma reunião no Ministério Público com representantes de várias instituições que pedem uma reavaliação na formação dos servidores.


