Grupo pede mudança na formação da Guarda Municipal
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segunda-feira, 26 de março de 2018
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Em tempos de intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro, Londrina busca uma solução diferente para lidar com a violência urbana. Diante da necessidade de pensar alternativas para que o problema não necessite de tomada de medidas extremas como a adotada pelos cariocas, um grupo formado por representantes de diversas instituições se reuniu no Ministério Público na tarde de segunda-feira (dia 26) para discutir o problema e um dos focos foi o número de mortes envolvendo agentes da GM (Guarda Municipal) de Londrina.
O caso mais recente ocorreu no dia 11 de março. Um agente da GM é acusado de matar o jovem Matheus Ferreira Evangelista, 18 anos, na zona norte da cidade, durante uma abordagem, fato que colabora para o que o promotor Paulo Tavares classifique a Guarda Municipal proporcionalmente como mais violenta que a Polícia Militar, já que no intervalo de um ano foi responsável pela morte de cinco pessoas.
O secretário municipal de Defesa Social de Londrina, Evaristo Kuceki, afirmou que todos os guardas municipais envolvidos nas mortes estão respondendo pelos atos administrativamente e que aqueles que tinham sido reprovados no exame psicotécnico e conseguiram trabalhar com um laudo pericial de outro profissional conseguiram isso amparados na legislação. Mas exemplificou que Ricardo Leandro Felippe, que matou três pessoas, já foi desligado da Guarda Municipal e está preso.
O representante do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná, José Maschio, apontou que é fundamental estruturar um grupo de trabalho para pensar em uma guarda municipal mais comunitária. "É preciso desmilitarizar a cabeça e as mentes da Guarda Municipal e a gente tem que convencer a direção da instituição disso", apontou Maschio.
O professor de psicologia social da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Alexandre Lima apontou que a reunião foi histórica, porque essa questão das mortes de jovens em periferia acontece regularmente no Brasil, mas é a primeira vez que suscita uma dinâmica de grupos de pessoas das mais diversas representações para pensar sobre isso em Londrina.
Entre as sugestões colocadas na mesa durante a reunião a mais recorrente foi a de repensar a formação de agentes da Guarda Municipal e como ela é realizada. "Tem essa lógica de um militarismo como se no Brasil estivéssemos em guerra e não estamos. A segurança deve ser pensada como uma segurança comunitária para que os cidadãos se sintam seguros com a presença da polícia e não o contrário", apontou. Uma das soluções apontadas na reunião foi a possibilidade de instituições externas à GM poderem aconselhar sobre quem poderia ministrar as aulas de formação dos agentes.
Kuceki destacou que o encontro foi positivo. "Temos que primar por uma guarda cidadã, ver quais as reclamações e tentar corrigir o que está errado. A Guarda deve atuar em todos os serviços para o bem do cidadão", afirmou. Sobre o aprimoramento na formação dos agentes ele ressaltou que tudo o que vier a aprimorar e ajudar a Guarda Municipal será muito bem-vindo", garantiu.
Canais de denúncias ajudam na investigação de irregularidades
CANAIS DE DENÚNCIA
Segundo dados da ONU, a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, totalizando diariamente, 63 mortes ou mais. Somente o CREAS II (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de Londrina contabilizou 70 mortes de jovens que eram atendidos na unidade de 2011 a 2017 em diferentes situações, mas 22 delas ocorreram em supostos confrontos com a polícia, sendo que cerca de 70% dos jovens eram negros.
Embora o número seja alto, as pessoas ficam com medo de denunciar por medo de represálias. O secretário de Defesa Social, Evaristo Kuceki, destacou que as denúncias podem ser realizadas pelo telefone 153 ou pela ouvidoria da Defesa Social pelo email [email protected] ou no telefone (43) 3372-4661. Outra possibilidade é a denúncia pela ouvidoria geral pelos telefones 3375-0001 ou 0800 4001234. Caso a pessoa se sinta mais confortável, pode realizar a denúncia pela central de atendimento do Ministério Público do Paraná pelo telefone 3372-9200 ou pelo e-mail [email protected].


