Advogados contestam prisões de acusados de planejarem atentado
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
Rafael Machado<br>Grupo Folha 

As defesas das sete pessoas presas em junho em uma operação da Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública) e que supostamente estariam envolvidas na morte do agente penitenciário Thiago Borges de Carvalho, 33 anos, no dia 20 de dezembro de 2016, esperam que a juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina marque as primeiras audiências do caso no primeiro semestre de 2018.
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Um ano após o crime na Avenida Guilherme de Almeida, região sul, o processo obteve poucas movimentações na Justiça. No dia 3 de julho, o promotor Ricardo Domingues ofereceu denúncia e detalhou como seria o funcionamento da possível organização criminosa. Os integrantes foram identificados como Alexandre Ferreira, Edimo Andre Bruning Silva, Hernandes Cabral Santos, Higor Salles, João Carlos Fernandes Silva, Uivirson Zornitta Constantino e Welber da Silva da Conceição.

Segundo o Ministério Público, os acusados fazem parte de "um esquema estruturalmente ordenado e caracterizado pela divisão de tarefas, cujos objetivos, dentre outros, é obter vantagem econômica com o tráfico de drogas e coagir servidores públicos do sistema penitenciário". O órgão acredita que a suposta quadrilha é encabeçada por Conceição, que seria um membro de alto escalão do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Paraná. Ele teria a função de repassar ordens aos subordinados.

Enquanto isso, conforme a denúncia, Ferreira era o responsável por executar os crimes em Londrina. A emboscada que vitimou o agente penitenciário, na época integrante do SOE (Serviço de Operações Especiais), vertente do Depen (Departamento Penitenciário) que atua em situações de crise nos presídios, teria sido comandanda por Edimo Silva, Hernandes Santos, João Fernandes e Uivirson Constantino.
De acordo com o MP, Higor Salles teria participado do atentado em dois momentos. Ele foi denunciado por seguir o comboio de viaturas onde estavam os agentes do SOE após uma revista na PEL 2, repassando informações simultaneamento ao quarteto que aguardava os servidores de outro ponto da Avenida Guilherme de Almeida.
Quando os disparos foram efetuados, Salles é considerado pelo Ministério Público como o responsável de atear fogo em um Citroen utilizado para fuga dos prováveis executores. Após o oferecimento da denúncia, a juíza Elisabeh Kather, em sentença de julho, manteve a prisão preventiva de todos os réus.
Contestações
Procurados pela FOLHA, os advogados dos acusados questionaram as investigações feitas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública. O defensor de Higor Salles, Diheyson Adalberto Furlan Cunha, afirmou que possui "provas categóricas de que ele (Higor) não estava no local citado pelo Ministério Público". A defesa apresentou um ofício do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) para reforçar que o acusado, no dia em que tudo aconteceu, procurou atendimento em uma unidade do órgão federal do Jardim Shangri-lá, na zona oeste.
O advogado Guilherme Espiga, que defende Alexandre Ferreira, informou que "o réu aguarda com ansiedade o agendamento da audiência de instrução para provar sua inocência. Até agora, o processo demorou para andar porque alguns defensores dativos foram constituídos recentemente. Daqui pra frente, se houver novo atraso, será de responsabilidade exclusiva do Judiciário, sob pena de constrangimento ilegal dos denunciados".
Segundo o advogado André Luiz Gonçalves Salvador, que atua na defesa de Welber da Silva da Conceição, "passado um ano, a polícia não conseguiu juntar provas robustas. Há falta de testemunhos e elementos que indiquem que ele (Welber) seria o mandante do crime. Elaboraram uma linha de raciocínio muito frágil. Os agentes que sobreviveram não apresentaram relatos contundentes dos acusados, além de sequer descreverem características físicas", ponderou.

O advogado Alfeu Brassaroto Junior, que defende Edimo Bruning Silva, reiterou que o denunciado "não possui nenhuma ligação com os demais réus, tanto é que, ao longo da investigação, não interceptaram nenhuma ligação telefônica dele mantendo contato com os outros. Da mesma forma, Edimo não tem desavença com qualquer servidor da área de segurança. Ele também não faz parte do PCC".
Para o advogado Deyvison Gouveia da Silva, atuante na defesa de João Carlos Fernandes Silva, "não existe qualquer correlação entre o evento que vitimou o agente Thiago com a fuga da penitenciária de Piraquara, em janeiro de 2016". A Sesp acredita que quatro fugitivos sejam integrantes da quadrilha denunciada pelo Ministério Público.
O advogado de Hernandes Cabral Santos, João Paulo Saccheto, disse que só irá se manifestar nos autos. A reportagem não obteve retorno da advogada Maria Cláudia de Araújo Coimbra, que defende Uivirson Zornitta. O promotor Thadeu Augimeri de Goés Lima, que passou a cuidar do caso nos últimos meses de 2017, não quis gravar entrevista. A FOLHA também não conseguiu contato com representantes do Sindarspen (Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná).


