Visita de Dia das Mães no cemitério
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de maio de 2023
Dailton Martins 

Eu e minha família sempre vamos ao cemitério no dia das mães.
Numa dessas visitas fomos abordados por uma moça que se apresentou como repórter do jornal de nossa cidade. Ela disse que iria fazer uma reportagem e gostaria de fazer uma entrevista nossa sobre a visita de familiares no cemitério no dia das mães ou algo assim. Fiquei meio surpreso na hora porque o cemitério tinha poucas pessoas e você nunca sabe com quem está conversando, se é uma entrevista, se é alguma brincadeira de youtuber ou qualquer outra coisa. Embora a moça se apresentasse de modo gentil e cordial e aparentasse ser uma repórter, quase pedi uma identificação mas fiquei um pouco constrangido de fazer isso poderia parecer hostil e ela me parecia sincera. Além disso, o cemitério estava bem guardado pela Guarda municipal.
Perguntado sobre a razão de visitar o cemitério no dia das mães eu disse que minha mãe e minha sogra estavam sepultadas naquele cemitério. Disse também que visitava não só o que estava sepultado ali mas na tradição em que fomos ensinados, meus pais nos levavam ao cemitério para lembrar dos que tinham sido nossos antepassados. Sociologicamente, fazemos parte de uma sociedade que nasce, vive e morre. E também transmite sentimentos àqueles que ficam pelas suas experiências familiares. Há mais do que uma materialidade do que restou de nossos pais, há o sentimento de pertença a um local onde se mora e se convive em sociedade.
Lembro que meu pai estacionava o carro lá fora. Entrávamos no cemitério com as flores compradas dos vendedores na rua, que eram muitos. Pais de famílias que trabalhavam para ganhar o pão de cada dia e também faziam parte desse ritual social. Hoje, vejo poucos vendedores fora do cemitério seja pelo costume estar diminuindo ou por causa de os supermercados também venderem flores.
Minha esposa disse à repórter que gostaria que nossos filhos não se esquecessem de levar uma florzinha nos dia das mães quando ela se for. Essa parte acho que foi a que tocou mais a repórter pois foi o que saiu no jornal. E acho que é isso que toca as pessoas. Ser lembrado. De todos os sacrifícios que uma mãe faz em vida talvez a única coisa que ela deseje de verdade é não ser esquecida. De nada vale o mundo se não se é lembrado. E mãe nunca é esquecida.
Penso que das visitas que fazíamos com nossos pais, aqueles momentos nos ensinavam sobre a efemeridade da vida e a importância de se valorizar a família assim como a todos que se importam conosco.
Não sei se devido ao horário pois já eram três da tarde, mas havia poucas pessoas realmente no cemitério. Talvez as pessoas gostem mais de ir na parte da manhã, quando o sol está mais ameno e o céu azul está mais alegre principalmente em mês de maio quando o vento começa a anunciar um vento leve do frio que virá em junho.
Da entrevista fica para mim a lição de que o sentimento maior que se transmite às pessoas realmente é o poder de ser lembrado.
Afinal, um simples vasinho de flor sobre um túmulo diz muito.


