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Londrina

Folha Rural

m de leitura Atualizado em 17/07/2022, 23:13

Tempo seco alerta para prevenção contra incêndios nas áreas rurais

O surgimento de focos de incêndio no PR é historicamente maior de junho a setembro; número de ocorrências subiu 50% em quatro anos

PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de julho de 2022

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

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Especialista alerta que a dimensão dos incêndios depende do tipo de cultivo e do tamanho da área atingida Especialista alerta que a dimensão dos incêndios depende do tipo de cultivo e do tamanho da área atingida
Especialista alerta que a dimensão dos incêndios depende do tipo de cultivo e do tamanho da área atingida |  Foto: iStock
 

O tempo seco faz com que a ocorrência de incêndios nas propriedades rurais seja mais frequente. Especialistas destacam, no entanto, que há várias ações a serem feitas no campo para prevenir esse tipo de ocorrência.

“Reforçamos que é preciso redobrar a atenção neste período mais frio, em que a vegetação está mais seca. A ocorrência de focos de incêndio no Paraná é historicamente maior de junho a setembro”, destaca Neder Maciel Corso, técnico do Departamento Técnico do Sistema Faep/Senar-PR.

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Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que o número de focos de incêndio sofreu um aumento nos últimos quatro anos no Paraná. Em 2018, foram registrados 2.511 pontos de queimadas em território paranaense. No ano passado, o número subiu para 3.698 focos, um crescimento de quase 50%.

ESTRATÉGIAS

Wilson Flavio Feltrim Roseghini, docente do Departamento de Geografia da UFPR (Universidade Federal do Paraná), destaca que as estratégias para evitar incêndios em propriedades rurais dependem de diversos fatores: a intensidade do período seco, os tipos de cultivos, o estágio em que os cultivos estão (germinação, frutificação, colheita) e a existência de áreas verdes na propriedade (bosques e capões de mata).

“Uma das principais estratégias para combater incêndios está relacionada ao volume de matéria vegetal seca (palha) presente no local, o que pode favorecer o alastramento de incêndios”, pontua.

Diante disso, ele orienta que os agricultores devem ficar atentos à limpeza dos terrenos para evitar o acúmulo desse material.

“É importante também fazer os aceiros, que são espaços vazios entre os cultivos para dificultar a propagação dos incêndios. Quando for necessário fazer a queima controlada de uma área, é fundamental solicitar orientação de um profissional especializado, envolvendo tanto o agrônomo que presta assistência ao produtor rural como o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil local para auxiliar no controle da queimada”, detalha.

Segundo o docente da UFPR, outras estratégias, embora não obrigatórias, podem ajudar a evitar maiores problemas relacionados a incêndios, como a existência de caminhão-pipa, reservatórios de água e trator equipado com gradeado, para criar aceiros em situações emergenciais.

DIMENSÃO

Sobre a dimensão dos danos causados por incêndios, Roseghini pontua que depende do tipo de cultivo e do tamanho da área atingida.

“Se for uma cultura permanente (café, cítricos e outras frutas), o prejuízo pode ser maior porque essas culturas, caso perdidas em incêndio, podem demorar alguns anos para voltar a produzir, sem contar que em alguns casos é necessário replantá-las, pois não ocorrerá rebrota, demandando anos também.”

No caso das culturas temporárias (milho, soja, trigo), os danos vão depender do tamanho da área danificada. “Mas essas culturas poderão ser plantadas novamente no ano seguinte, respeitando o calendário agrícola e o zoneamento agroclimático.”

O docente reforça a importância da manutenção de áreas verdes nas propriedades. “Essas áreas, além de serem mais resistentes ao fogo, criam uma barreira para o vento que costuma aumentar a propagação das chamas, além de manter os níveis de umidade do ar e do solo mais elevados, o que também dificulta o avanço dos incêndios”, conclui.

Cursos previnem fogo no campo

O Senar-PR oferta dois cursos gratuitos presenciais e um minicurso a distância relacionados diretamente aos incêndios ambientais.

O primeiro curso, sobre prevenção e combate aos incêndios florestais, tem duração de 16 horas, com foco em formar brigadistas ambientais em empresas de base florestal. Mais informações podem ser obtidas pelo link sistemafaep.org.br/cursos-detalhes/?ETNumero=145.

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O segundo curso, sobre prevenção e combate aos incêndios no meio rural, tem duração de 24 horas, indicado para formar brigadistas ambientais em empresas e propriedades rurais. Mais informações: sistemafaep.org.br/cursos-detalhes/?ETNumero=563.

O minicurso a distância fornece uma introdução ao tema, com inscrições abertas: ead.senar.org.br/minicurso/prevencao-incendios-florestais.

Entre janeiro e junho deste ano foram atendidas 73 turmas, impactando diretamente nas ações de prevenção e nos cuidados necessários para combater os princípios de incêndio com segurança, minimizando os prejuízos ambientais e materiais.

SERVIÇO

Para participar dos cursos, o participante deve procurar o Sindicato Rural mais próximo de seu município ou entrar em contato com uma das 10 regionais do Senar-PR para mais informações. Os contatos estão no link sistemafaep.org.br/proximo-a-voce/

QUARENTENA

O  MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento)  proibiu o uso do fogo em áreas agropastoris e de floresta, no território nacional,  por 120 dias, desde 23 de junho. 

A proibição só não vale para os casos de prevenção e combate a incêndios, agricultura de subsistência de populações tradicionais e indígenas, pesquisa científica e controle fitossanitário.

As queimadas controladas estão permitidas em áreas fora da Amazônia e do Pantanal desde que sejam imprescindíveis à agricultura e previamente autorizadas pelo órgão ambiental.

O decreto ainda prevê que, mesmo essas exceções de uso de fogo, podem ser suspensas pelo Ministério do Meio Ambiente para reduzir danos ambientais provocados por incêndios florestais.