Com a crescente demanda pelo etanol de milho, biocombustível que teve um salto de 40% em volume de produção nos últimos dez anos no Brasil, a segunda safra – também conhecida por “safrinha” – se tornou ainda mais estratégica para o agricultor. Segundo o pesquisador da Embrapa Agroenergia e ex-presidente da Embrapa, engenheiro agrônomo Maurício Antônio Lopes, a segunda safra de cereais não precisa terminar no grão. “Ela pode alimentar uma nova geração de biorrefinarias, indústrias e cadeias de maior valor agregado.”

Lopes será um dos palestrantes da 4ª Reunião de Tecnologia para a Produção de Segunda Safra, evento promovido pela AEA (Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina) e pelo Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), no dia 5 de novembro, na sede da associação em Londrina.

O pesquisador, que atualmente também integra o conselho do CGIAR, sigla em inglês para Grupo Consultivo para Pesquisa Agrícola Internacional, afirmou que o Paraná tem condições especiais que favorecem a geração de maior valor agregado à cadeia, pois além da produção intensiva de grãos e possibilidade de múltiplas safras, o Paraná apresenta forte agroindústria, cooperativismo, infraestrutura, conhecimento técnico e proximidade entre produção, processamento e centros de consumo.

O ex-presidente da Embrapa traz para a palestra inaugural o tema “Do grão à biorrefinaria: novas fronteiras de valor para o agronegócio brasileiro”. Ele pretende mostrar que a mudança agora passa por extrair mais valor agregado em cada tonelada produzida, e não apenas produzir mais toneladas.

“O grão está deixando de ser visto apenas como alimento, ração ou commodity e passando a ser matéria-prima de uma plataforma industrial capaz de produzir energia, proteínas, óleos, químicos renováveis, biomateriais e outras moléculas de maior valor agregado”, enfatizou Lopes.

Mesmo diante das crescentes e exigentes regras de descarbonização impostas pelos mercados internacionais, o Brasil tem condições de competir nesse cenário e se destacar como fornecedor de etanol de milho para o mundo. A análise é do diretor de Relações Governamentais da Unem (União Nacional do Etanol de Milho), Thiago Skaf. “O etanol de milho brasileiro é feito majoritariamente com milho segunda safra, semeado em larga escala depois da soja, na mesma área e no mesmo ano agrícola, sem abrir um hectare novo. Poucos biocombustíveis no mundo podem fazer isso”, explicou Skaf, que também será um dos palestrantes do evento.

O diretor da Unem disse que o setor de etanol de milho do Brasil já vem operando dentro dos padrões de sustentabilidade mais exigentes do mundo. Portanto, o desafio agora é alcançar o reconhecimento internacional. “Esse trabalho precisa de apoio firme da diplomacia brasileira, porque está em jogo o acesso a mercados de dezenas de bilhões de litros”, reforçou Skaf.

A Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina foi fundada em 1969 e desempenha um papel importante no desenvolvimento da agronomia na região, promovendo e defendendo o setor e seus profissionais. A relevância da entidade reside nos esforços para fomentar o conhecimento em favor do agronegócio sustentável no país.

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Para o diretor técnico da entidade de classe responsável pelo programa do evento, engenheiro agrônomo Adriano Custódio, “a agricultura brasileira não é subsidiada pelo governo e o agricultor precisa aumentar sua rentabilidade na segunda safra para se manter na atividade agrícola”. Segundo ele, “a agregação de valor monetário dos cereais vinculada à industrialização e produção de combustível renovável é uma fronteira agrícola em plena expansão no Paraná e no Brasil”.

De acordo com o presidente da AEA-Londrina, engenheiro agrônomo Renato Arantes, “a associação tem cumprido sua missão de contribuir para a sustentabilidade da agricultura regional protagonizando importantes ações de transferência de novas tecnologias e tendências agrícolas que irradiam para outras regiões cerealistas”.

SERVIÇO

4ª Reunião de Tecnologia para a Produção de Segunda Safra

Data: 5 de novembro de 2026

Horário: das 8h às 18h

Local: Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina, Rua Kozen Igue, 345, Jardim Itatiaia 01, Londrina

Participação, com almoço no local: Associados: R$50 + 2kg de alimentos não perecíveis / Não associados: R$100 + 2kg de alimentos não perecíveis

Site: http://aea-londrina.org.br

Redes sociais: aea.londrina (Instagram) e LinkedIn (aea-londrina)

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