Paraná é destaque na produção de casulos do bicho-da-seda
Cenário, no entanto, é de queda na quantidade de famílias trabalhando no ramo no meio rural
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sábado, 03 de outubro de 2026
Cenário, no entanto, é de queda na quantidade de famílias trabalhando no ramo no meio rural
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

O Paraná responde por 86% da produção nacional de casulos, seguido pelos estados de São Paulo (10%) e Mato Grosso do Sul (4%). Apesar do protagonismo, o cenário é de queda na quantidade de famílias trabalhando com o bicho-da-seda no meio rural.
No Noroeste, muitos produtores têm sofrido com perdas recorrentes causadas por deriva de agrotóxicos aplicados irregularmente por lavouras vizinhas. Nova Esperança, que já teve 1.500 produtores no auge dos anos 2000, hoje conta com pouco mais de 30 famílias, impactando diretamente o comércio e o desenvolvimento da região.
Com propriedade em Cruzeiro do Sul (Noroeste), um produtor de bicho-da-seda que preferiu não se identificar relata a queda da atividade. “Não passo o meu nome porque já tive alguns desentendimentos com donos de propriedades em relação à deriva de agrotóxicos”, pontua.
A deriva de agrotóxicos - quando o vento carrega o veneno de plantações vizinhas - contamina as folhas de amoreira, alimento do bicho-da-seda, causando intoxicação severa, alta mortalidade das lagartas e grande prejuízo na produção dos casulos.
Prestes a completar cinco anos na atividade, o produtor já pretende colocar em segundo plano a criação de bicho-da-seda, que hoje ainda é a atividade primária.
“A deriva de agrotóxicos está piorando. Não há chance de alavancar a atividade. Pelo contrário. Estou a cada ano diminuindo. No início eu tinha 4 hectares de amoreiras e hoje estou com 1,5 hectare. Dentro de alguns meses eu devo parar com a atividade”, pontua.
Renata Amano, presidente da Abraseda (Associação Brasileira da Seda), considera que o arrendamento de terras para monoculturas do agro é o principal responsável pela redução, apesar de a sericicultura ser a atividade agrícola que melhor remunera por hectare, conforme publicações do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento).
Entre os desafios da atividade, Amano, que também é CEO da Bratac, cita investimentos públicos em pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias para manutenção das famílias no campo.
“Hoje notamos a ausência de seguro rural para defender os pequenos produtores familiares contra a ação da deriva de agrotóxicos e a falta de regras claras e da fiscalização efetiva para conter esse tipo de crime ambiental.” A criação do bicho-da-seda é uma atividade sensível por conta de a lagarta ser suscetível tanto aos pesticidas químicos quanto aos biológicos.
CRESCIMENTO
Apesar da redução do número de famílias produtoras, a sericicultura cresceu no Paraná. Em 2024, o VBP (Valor Bruto de Produção) da atividade foi de R$ 44,5 milhões. Em 2023, foi de 39,2 milhões, crescimento de 13,5% em um ano, segundo o Deral.

“Esse crescimento pode ser explicado pela adoção de boas práticas na produção, que melhoram a produtividade e a qualidade dos casulos, além da valorização da seda paranaense no mercado externo. Outro diferencial é a produção de seda orgânica, na qual o Paraná é referência, atendendo a uma demanda crescente por produtos sustentáveis e agregando valor à cadeia produtiva”, explica Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná).
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O Sistema Faep tem promovido ações voltadas à capacitação e à disseminação de conhecimento técnico para os produtores. Uma das principais iniciativas foi o treinamento de “Sericicultura: produção do bicho-da-seda”, realizado em Cianorte e Nova Esperança.
O treinamento visa orientar produtores sobre boas práticas na criação do bicho-da-seda, contribuindo para o aumento da produtividade, melhoria da qualidade dos casulos e redução de perdas durante a produção.


