Salário do agro no Paraná é o 4º maior em nível nacional
Falta de mão de obra, maior demanda por produtos e aumento da produção explicam cenário
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de setembro de 2025
Falta de mão de obra, maior demanda por produtos e aumento da produção explicam cenário
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

O salário médio mensal dos trabalhadores da agropecuária paranaense atingiu R$ 3.428 no 2º trimestre de 2025, superando em 58,5% o rendimento médio de R$ 2.163 alcançado pelos ocupados no setor em âmbito nacional. Os dados estão na PNAD Contínua, pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Nesse período, o Paraná só foi superado por Distrito Federal (salário médio mensal de R$ 4.990), Rio Grande do Sul (R$ 3.873) e Mato Grosso (R$ 3.795), ficando em quarto lugar no ranking nacional.
No período de um ano, a remuneração média dos trabalhadores da agropecuária do Paraná registrou aumento real de 23%, ou seja, já com o desconto da inflação, enquanto os rendimentos no setor primário brasileiro avançaram 5,2% no mesmo intervalo.
O rendimento médio do Paraná está acima de outros estados com forte produção agrícola: em Santa Catarina, ficou em R$ 3.229; no Mato Grosso do Sul, R$ 3.149; em Goiás, R$ 3.071; em São Paulo, R$ 2.989; em Minas Gerais, R$ 2.440, e no Pará, R$ 1.425.
Flávio Roberto Schuler, assessor técnico do IBGE do Paraná, explica que o destaque do Paraná se deve a algumas características específicas, como a diversificação de produtos – condição que agrega valor à produção.
“Citamos também o uso de tecnologias que aumentam a produtividade. Isso exige uma mão de obra especializada e, consequentemente, com salário maior. Há também políticas de valorização desse tipo de profissional e uma demanda maior pelos produtos produzidos no Paraná, como soja, trigo, milho, pecuária, entre outros. Por causa dessa alta demanda, os profissionais acabam ficando mais valorizados em relação a outros estados.”
O maior aumento dos salários no Paraná também é influenciado pelo aumento da produção agrícola. Dados do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), atestam crescimento no volume de produção de diversos itens na safra 24/25 em comparação à safra anterior (23/24).
Entre os exemplos estão a soja 1ª safra (aumento de 14%, de 18,5 milhões para 21,1 milhões de toneladas); o milho 2ª safra (crescimento de 31%, de 13 milhões para 17 milhões de toneladas); e o trigo (crescimento de 13%, de 2,3 milhões para 2,6 milhões de toneladas).
Edmar Gervasio, analista do Deral, acrescenta que a carência de mão de obra rural vem sendo observada nos últimos anos no campo. “Isso acaba acarretando melhores ofertas de salário para atrair esses trabalhadores”,analisa.
TENDÊNCIA
Sobre a tendência para o próximo trimestre, o assessor técnico do IBGE reforça que as projeções apontam que o Paraná deverá se manter em destaque – a atividade econômica do estado cresceu 7,5% de janeiro a abril de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, um desempenho mais de duas vezes acima do que o resultado nacional no período, que foi de 3,5%.Esses dados fazem parte do Índice de Atividade Econômica do Banco Central(IBC-Br), levantados pelo Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social).
“Esse desenvolvimento foi bastante puxado pelo setor agropecuário”, analisa Flávio Schuler.
A PESQUISA
A PNAD Contínua é uma pesquisa domiciliar amostral conduzida pelo IBGE. Diferentemente do Censo, são selecionados alguns domicílios em todo o território nacional que vão compor os resultados para várias temáticas pesquisadas, como emprego, rendimento, nível de instrução e condições de moradia, dentre outros indicadores.
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Em seguida, as informações passam por processos de validação e análise para assegurar confiabilidade. “A PNAD Contínua é uma das principais ferramentas para análise do mercado de trabalho no Brasil. É uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas e para o desenvolvimento de estudos e análises econômicas. A pesquisa mostra um retrato da situação atual, então temos que acompanhar a divulgação de PNADs subsequentes para termos uma noção mais clara das tendências apresentadas pela pesquisa”, conclui.




