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Londrina

Folha Rural

m de leitura Atualizado em 26/02/2022, 15:16

Queda na produção de mandioca já afeta a indústria de alimentos

Segundo o Deral, forte valorização dos grãos e da arroba do boi explicam esse cenário no Paraná

PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de fevereiro de 2022

LUCAS CATANHO - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: Celso Pacheco/ 21/01/2014
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O cultivo da mandioca vem perdendo área plantada e volume de produção no Paraná nos últimos anos. O Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, aponta uma redução de 3% na área plantada e de 8% na produção na safra de 2021/22 em comparação à safra passada.

Segundo o departamento, para esta safra, a produção prevista é de 2,8 milhões de toneladas de mandioca em 131 mil hectares de terras no Paraná.

A maior redução, no entanto, ocorreu na safra de 2020/2021, com 11% na área plantada e 12% na produção de mandioca em comparação à safra anterior.

“A forte valorização de grãos, como a soja e o milho, está contribuindo para essas mudanças. Com isso, as áreas para a mandioca ficam cada vez mais escassas e com valores de arrendamento excessivamente elevados”, destaca o economista Methodio Groxko, técnico do Deral.

Ele acrescenta que, além da soja e do milho, a mandioca vem enfrentando mais uma concorrência na disputa pelo arrendamento de terras: as pastagens.

“O preço da arroba do boi está supervalorizado, a R$ 314. As pastagens, por sua vez, vêm ficando mais escassas, já que foram muito afetadas pela seca, principalmente nos últimos dois anos, e não devem se recompor pelo menos nos próximos dois meses”, diz.

O Paraná é o segundo maior produtor de mandioca do Brasil. Na safra passada – 2020/2021 – o território paranaense produziu 3,6 milhões de toneladas da raiz O Paraná é o segundo maior produtor de mandioca do Brasil. Na safra passada – 2020/2021 – o território paranaense produziu 3,6 milhões de toneladas da raiz
O Paraná é o segundo maior produtor de mandioca do Brasil. Na safra passada – 2020/2021 – o território paranaense produziu 3,6 milhões de toneladas da raiz |  Foto: Celso Pacheco/ 21/01/2014
 

Outro desafio dos produtores de mandioca apontado pelo técnico é com relação à colheita, que segue sendo essencialmente manual, o que aumenta muito os custos de produção. “As universidades estão pesquisando protótipos de colhedeiras, mas por enquanto não há no mercado”, destacou o técnico.

O recuo da mandioca no agronegócio paranaense já preocupa as indústrias que processam a raiz para produzir fécula, farinha e outros subprodutos provenientes da raiz. “A redução na produção já ocorre há alguns anos e os empresários paranaenses precisam completar as suas necessidades de matéria-prima em outros Estados”, pontua o técnico do Deral.

Aliás, esse fato já fez com que alguns produtores das regiões de Paranavaí e Umuarama se deslocassem para Mato Grosso do Sul e São Paulo em busca de arrendamentos mais baratos, apesar do aumento no transporte da produção. Ao todo, são cerca de 51 mil produtores de mandioca em território paranaense.

Sem matéria-prima, empresa de Paranavaí opera com 80% da capacidade

“Já está faltando [mandioca]. Estamos trabalhando com apenas 80% da capacidade de moagem. Compramos mandioca da região noroeste do Paraná e de algumas cidades do estado de São Paulo, onde também já ocorre falta”, afirmou Márcia Bankhardt Benetton, diretora de vendas da Amidos Bankhardt.

Farinha de mandioca, iguaria muito apreciada pelos brasileiros: indústria está com dificuldade para conseguir matéria-prima Farinha de mandioca, iguaria muito apreciada pelos brasileiros: indústria está com dificuldade para conseguir matéria-prima
Farinha de mandioca, iguaria muito apreciada pelos brasileiros: indústria está com dificuldade para conseguir matéria-prima |  Foto: iStock
 

Com sede localizada no distrito de Graciosa, em Paranavaí, noroeste do Paraná, a empresa processa a mandioca para produzir fécula, polvilho azedo e mix para pão de queijo. Toda a produção é vendida para atacadistas. Hoje, 90% da mandioca que vai pra moagem é proveniente de propriedades do Paraná.

A diretora de vendas prevê para este ano uma grande queda na oferta de matéria-prima – no caso, a mandioca.

“Será um ano difícil para o setor. Tudo indica que a falta de produto será ainda pior após o segundo semestre, talvez chegando ao ponto de não ter mandioca para trabalhar”, projeta.

Segundo ela, parte desse cenário se deve ao clima, já que não chove regularmente há mais de três anos, prejudicando muito a produção.

“Outro fator são os preços baixos dos últimos anos, que desencorajaram os produtores a aumentar áreas. Preço baixo, aumento dos insumos, concorrência com a soja/milho/gado e baixa produção por conta da falta de chuva são os grandes fatores da crise que está chegando às indústrias de moagem de mandioca”, conclui.

RANKING

O Paraná é o segundo maior produtor de mandioca do Brasil. Na safra passada – 2020/2021 – o território paranaense produziu 3,6 milhões de toneladas da raiz, quase 8% menos que o primeiro colocado no ranking, o Pará, com produção de 3,9 milhões de toneladas.

No entanto, no ranking dos estados brasileiros que mais produzem fécula, o Paraná está no topo, representando cerca de 70% da produção nacional, com aproximadamente 400 mil toneladas produzidas ao ano. A fécula abastece indústrias de todo o Brasil.