Projeção do Deral aponta safra recorde de soja no PR
Produção do grão para o período 2026/27 poderá ultrapassar 22 milhões de toneladas
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de setembro de 2026
Produção do grão para o período 2026/27 poderá ultrapassar 22 milhões de toneladas
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

O Deral (Departamento de Economia Rural) projeta uma safra recorde de soja no Paraná. Segundo a projeção inicial, a produção para o período 2026/27 poderá alcançar 22,6 milhões de toneladas e desbancar o volume obtido na safra anterior, 21,8 milhões de toneladas.
O departamento ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento) lembra que a expectativa inicial leva em conta que todas as condições ideais de clima serão atendidas.
O analista do Deral, Edmar Gervasio, explica que a estimativa de 22,6 milhões de toneladas mostra que o Paraná tem potencial para estabelecer um novo recorde, mas a safra ainda está no início.
“A área é conhecida com maior segurança, enquanto a produtividade depende diretamente das condições climáticas que serão observadas nos próximos meses”, pontua.
No entanto, o técnico destaca que o cenário inicial é bastante positivo, mas a confirmação do volume recorde dependerá da combinação entre chuvas bem distribuídas, ausência de extremos climáticos e manutenção do elevado potencial produtivo das lavouras.
A produção média esperada para esta safra está acima de 3,9 mil kg por hectare, superior aos 3,8 mil kg registrados na safra passada. “A estimativa inicial é calculada considerando as melhores produtividades já obtidas ao longo das últimas safras e, neste caso, ela é maior que a última safra.”
DESAFIOS
Entre os desafios enfrentados pelos produtores de soja no Paraná, Gervasio destaca o clima em primeiro lugar.
“A safra 2026/27 começa sob influência do El Niño, aumentando a possibilidade de chuvas mais frequentes durante a primavera. O problema pode estar tanto no excesso de chuva, dificultando o plantio e o manejo, quanto em períodos de irregularidade hídrica durante fases críticas.”
Segundo ele, os meses de setembro e outubro merecem atenção especial, por coincidirem com o período de implantação e estabelecimento de grande parte das lavouras. “Chuvas persistentes podem dificultar o plantio e reduzir as janelas de operação.”
Já entre novembro e janeiro, durante fases importantes de desenvolvimento, floração e enchimento de grãos, o técnico explica que tanto o excesso quanto eventuais períodos de deficiência hídrica poderão afetar o potencial produtivo.
“Já chuvas muito acima da média nos meses de fevereiro e março poderão impactar os trabalhos de colheita”, completa.
Outro desafio apontado são os custos de produção. “O produtor precisa manter elevada produtividade para preservar as margens, especialmente diante de um cenário em que os preços internacionais podem não acompanhar necessariamente o aumento da produção.”
Ele cita ainda os preços da commodity. “A soja paranaense está muito exposta ao mercado internacional, ao comportamento da produção dos Estados Unidos e da América do Sul, à demanda chinesa e ao câmbio.”
Por fim, Gervasio aponta como desafios dos produtores a logística e a comercialização.
“Uma safra recorde, se confirmada, significa maior necessidade de transporte, armazenagem e escoamento. Produzir mais é positivo, mas o produtor precisa conseguir comercializar essa produção em condições economicamente favoráveis”, aponta.
MARGEM
Com propriedade em Cambé, o produtor de soja Fábio Afonso Pinto tem a expectativa de igualar a produção de soja nesta safra, tanto em volume quanto em produtividade, em comparação com o período anterior.
Com o cultivo do grão em 250 hectares de terras, o agricultor projeta uma produtividade igual à safra anterior, de 75 sacas por hectare.
Sobre o mercado atual para a soja, ele considera que os preços estão em recuperação devido à quebra na safra dos Estados Unidos.
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“No Brasil, com a redução dos investimentos na safra de soja 26/27 e a previsão de falta de chuva em grande parte das regiões produtoras brasileiras, deverá ocorrer queda de produção. Em consequência, diminui a oferta e a tendência é que a recuperação dos preços continue”, explica.
Segundo o produtor, a cultura não vem dando lucros recentemente. “Foi lucrativa no passado, mas hoje não conseguimos cobrir os impostos e os custos de produção. Nosso maior desafio é ter lucratividade com essa alta carga tributária. Se não reduzir à carga tributária, será inviável produzir soja no Brasil”, conclui.


