Em três anos, criação de rãs quadruplica no Paraná
Produção em território paranaense é insuficiente para atender a demanda do mercado
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sábado, 29 de agosto de 2026
Produção em território paranaense é insuficiente para atender a demanda do mercado
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

A criação de rãs quadruplicou no Paraná em três anos. O número de animais abatidos subiu de 20 mil em 2022 para 80 mil no ano passado. O levantamento foi feito pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).
Por sua vez, o VBP (Valor Bruto de Produção), a riqueza advinda da atividade, mais que triplicou no mesmo período, saltando de R$ 271 mil em 2022 para R$ 921 mil em 2025.
“A pequena produção faz com que aumentos exponenciais nos números sejam possíveis. Há espaço para mais crescimento, a depender é claro da abertura de mercados”, analisa Thiago De Marchi, médico-veterinário do Deral.
Palotina (Oeste) é o principal produtor de rãs do Paraná, com o abate de cerca de 50 mil animais por ano e participação de 41% em nível estadual. Outro importante município produtor é Arapongas, na Região Metropolitana de Londrina, com 31% de participação em 2025.
No ano passado, nove municípios paranaenses foram registrados como produtores de rãs, porém pode haver produção inexpressiva ou não registrada em outros municípios.
“O destino da rã produzida no Paraná é principalmente para culinária (restaurantes), com menor consumo doméstico”, explica. A espécie produzida no estado é a rã-touro.
Entre os desafios dos produtores, o técnico cita o baixo consumo, pelo produto não estar presente na dieta da maioria dos brasileiros, restrito a restaurantes. “A ranicultura pode ser utilizada como uma forma de diversificação na propriedade, mas apresenta suas características próprias de manejo, requerendo assistência técnica especializada e a especialização do próprio produtor”, pontua.
HISTÓRIA
Omidio José Kieling produz rãs há 35 anos. O ranário do produtor está localizado atualmente em Toledo (Oeste). Há 40 anos, ele se formou técnico em piscicultura e fez estágio sobre criação de camarões, já que era o interesse inicial dele. Mas nesta época, assistiu a uma reportagem na televisão sobre rãs. “Daí fui buscar informação e optei pela ranicultura”, relembra.
No ano passado, a produção alcançou 3 mil quilos de rãs por mês, em média. Os anfíbios são comercializados vivos para frigoríficos em Chapecó e em São Paulo. “Agora em 2026 não estou mais fazendo a engorda, só faço a reprodução, vendo os girinos e as rãzinhas pequenas para engorda final”, explica.
Sobre o destino final das rãs, o produtor conta que os frigoríficos fazem o abate e vendem para restaurantes. Mas Omidio também vende para alguns clientes particulares.
MERCADO
O produtor pontua que a carne de rã é muito procurada. Por conta disso, a oferta é insuficiente. “Os frigoríficos que existem estão procurando rãs para abate, mas não tem. Então é só produzir que nós não temos concorrência.”

Segundo o produtor, apesar desse cenário, o preço da rã comercializado para frigoríficos ficou estagnado do ano passado para 2026, com a venda, em média, a R$ 25 o quilo da rã viva. “Em termos de carne de rã, o preço subiu um pouco. Em agosto de 2025, comercializávamos a R$ 70 o quilo, e hoje está R$ 80”, compara.
PRÁTICAS
Para garantir o máximo em produtividade e qualidade, o criador diz que o trabalho envolve a triagem das rãs por tamanho e a forma de engorda, que hoje é pelo sistema alagado para obter o máximo de rãs por metro quadrado. Trata-se de um método de engorda intensiva em que os tanques ou baias ficam permanentemente cobertos por uma lâmina de água. “E principalmente temos que nos atentar à qualidade da ração, que precisa conter 40% de proteína animal na sua composição”, completa.
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A espécie cultivada na propriedade é a rã-touro, originária da América do Norte (Estados Unidos e Canadá). “É a única rã que deu certo em confinamento”, explica o produtor.
Entre os desafios, Omidio destaca que a questão climática exerce influência na produção. “O frio atrapalha bastante, porque o metabolismo da rã desacelera e ela passa a comer menos. Então o crescimento é menor no inverno”, alerta.


