Com 65% da fatia, Londrina lidera produção de cará no PR
Município produziu 2 mil toneladas em 2023, envolvendo diretamente 25 produtores. Na vice-liderança está Tamarana
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sábado, 05 de abril de 2025
Município produziu 2 mil toneladas em 2023, envolvendo diretamente 25 produtores. Na vice-liderança está Tamarana
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

O cará, um alimento rico em carboidrato e fibras encontrou em Londrina o solo fértil para sua produção e tornou o município principal produtor do tubérculo no Paraná. Em 2023, os agricultores locais produziram duas mil toneladas da planta, o que corresponde a 65% do volume produzido no Estado. Os dados são do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).
As duas mil toneladas do tubérculo que saíram das lavouras em 2023 foram plantadas em 100 hectares de terras, que resultaram em um VBP (Valor Bruto de Produção) de R$ 4,7 milhões. Segundo técnicos, cada hectare gera em torno de 3,5 empregos diretos nas atividades de plantio, tratos culturais e colheita.
Em segundo lugar no ranking estadual de produção de cará ficou Tamarana (Região Metropolitana de Londrina), com 500 toneladas colhidas em 50 hectares, resultando em um VBP de quase R$ 1,2 milhão.
O técnico em agropecuária Paulo Roberto Mrtvi, extensionista do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural) em Londrina, explica que as condições edafoclimáticas do município favorecem o cultivo do cará.
Solo e clima
“São as características do clima e do solo de uma região ou local que influenciam o desenvolvimento das plantas. Exemplos de fatores edafoclimáticos são composição do solo, relevo, temperatura, umidade do ar, radiação, precipitação, pressão, vento e composição atmosférica”, lista.
O técnico ressalta que os migrantes do Nordeste que habitam a região de Londrina são grandes consumidores de cará.
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“O cará é um tubérculo ou raiz que contém ótimas quantidades de carboidrato, um nutriente que é a principal fonte de energia para o organismo, ajudando a melhorar a disposição física e mental. Além disso, também possui fibras que ajudam a prolongar a saciedade, diminuindo a ingestão de alimentos ao longo do dia e facilitando a perda de peso.”
Hoje são cerca de 25 agricultores familiares que cultivam o cará em Londrina. Somente a Ceasa do município comercializou quase 102 toneladas do tubérculo no ano passado.
A maioria do cará produzido em Londrina é comercializada na Ceasa local e nos mercados da região. No passado, o tubérculo já foi muito exportado para o Nordeste, principalmente para Pernambuco.
“A unidade municipal de Londrina do IDR-Paraná tem contribuído para que o agricultor tenha acesso a novas tecnologias e ao crédito rural, além de orientar na comercialização”, destaca o técnico.
Ele acrescenta ser muito importante os centros de pesquisas começarem a pesquisar novas variedades de cará que melhorem geneticamente o tubérculo e, com isso, as mudas possam ser distribuídas aos agricultores familiares.
“Eles podem ter seus bancos de mudas, ganhando em produtividade e aumentando a lucratividade dessa cultura. A mecanização é de suma importância, devido ao envelhecimento da população rural e à pouca disponibilidade de mão de obra no campo.”
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Em todo o Paraná, a produção do cará alcançou 3.081 toneladas em 190 hectares de terras em 2023, com VBP – a riqueza advinda da atividade – de R$ 7,3 milhões. Nesse mesmo ano, o cará foi produzido em 40 municípios do Estado.
Mão de obra
O produtor Jefferson Mendonça da Silva cultiva cará há 26 anos em sua propriedade localizada em Londrina.

Ele relembra que, no passado, a produção e a área plantada eram bem maiores, já que havia mais mão de obra disponível para os tratos culturais. “De início eu plantava cinco alqueires, agora caiu para meio a um alqueire, dependendo do ano”, compara.
Jefferson explica que grande parte dos tratos culturais do cará precisa ser manual – plantar, carpir, colher e lavar o tubérculo.
Apesar da produção ter diminuído em virtude da menor mão de obra disponível, o agricultor pontua que nunca teve prejuízo com o cultivo do cará. “Sempre me deu lucro. Antes eu vendia grande parte para o Norte do país e a menor parte para a Ceasa de Londrina. Hoje eu vendo somente na Ceasa”, compara.
No ano passado, a produção de cará alcançou 11 toneladas em sua propriedade, proveniente de 500 caixas com 23 quilos cada. Para 2025, a expectativa é manter o mesmo volume obtido em 2024.
Cará ou inhame?
É muito comum o público consumidor confundir o cará com o inhame. Em termos de aparência, o inhame possui casca marrom e grossa, com polpa branca. É menor e mais arredondado do que o cará, que é maior, mais comprido e com casca mais "peludinha".
“O cará é mais rígido, enquanto o inhame dissolve mais facilmente na boca”, explica o técnico em agropecuária Paulo Mrtvi.
Em comum, ambos auxiliam na regulação do sistema digestivo e são fontes de carboidratos complexos, ou seja, a glicose não cai direto na corrente sanguínea, sendo liberada aos poucos.
Além disso, o cará e o inhame são ricos em vitaminas do complexo B, ferro e minerais. São muito utilizados para fazer cremes, sopas, pães ou para substituir a batata.


