Potencial genético de suínos é determinante para o sucesso na produção


Reportagem local
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Escolher os animais que vão formar o plantel de uma granja não é tarefa das mais fáceis. Isso porque dessa decisão dependem o sucesso e a lucratividade do produtor suinícola, a evolução da produtividade e a eficiência do plantel. Por isso, uma diferença aparentemente mínima no potencial genético dos animais selecionados pode determinar, entre outros impactos, a permanência do produtor na atividade.


 

Potencial genético de suínos é determinante para o sucesso na produção
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De acordo com orientações da Embrapa Suínos e Aves, a qualidade genética dos reprodutores de um sistema de produção é considerada a base tecnológica de sustentação da produção. Assim, o desempenho de uma raça ou linhagem é fruto da sua constituição genética somada ao meio ambiente em que é criada. Porém, alertam os técnicos, de nada adianta fornecer o melhor ambiente possível para um animal se esse não tiver potencial genético para beneficiar-se dos aspectos positivos do meio, em especial a nutrição e a condição sanitária, promovendo o aumento da produtividade.


Toda a escolha e compra de reprodutores deve basear-se em dados técnicos que permitam ao produtor projetar os níveis de produtividade a serem obtidos. O acompanhamento pós-venda do material genético também é um fator importante a ser considerado na decisão de compra, pois garantirá orientação adequada para atingir as metas de produtividade recomendadas pelo fornecedor.


Daniel Metz, gerente de Fomento e Integração de Suínos do RPF Group – um dos principais produtores de proteína suína do Paraná -, em Toledo (PR), informa que escolha da genética para formação do plantel do grupo é feita a partir de avaliações de resultados zootécnicos e financeiros.  “Os principais fatores avaliados pela empresa ao escolher uma genética são a produtividade e o desempenho dos animais. Dessa forma são analisados o desempenho da fêmea como mãe; ou seja, se produz bom número de leitões por parto, com viabilidade e peso, e boa capacidade de desmame”, explica


Geovane de Toni, gerente de Qualidade da RPF, em Ibiporã (PR), complementa a informação. “O desenvolvimento dos filhos também é analisado nas fases posteriores. Desde o desmame até o abate, são monitorados fatores como conversão alimentar, mortalidade, ganho de peso, bem como rendimento e qualidade da carne abatida, que deve ter baixo teor de gordura”, esclarece.


Atualmente, o grupo utiliza dois tipos de genética para a produção dos suínos abatidos em suas unidades: machos AGPIC 337 e fêmeas TN70. Segundo a empresa, o AGPIC 337 é considerado uma das melhores genéticas existentes, pois incorpora à sua origem excelente eficiência em crescimento, conversão alimentar, ganho de peso e qualidade da carcaça. Também apresenta excelente potencial para a produção de carne com ótimas características de pH, cor e capacidade de retenção de água.


Já a fêmea TN70 é o animal ideal para o produtor em termos de performance e rentabilidade financeira, atingindo níveis de excelência e sendo considerada a melhor matriz do mundo. Assim como o macho AGPIC 337, ela possui alta eficiência alimentar, por isso produz suínos terminados que consomem uma menor quantidade de ração para produzir um kg de peso vivo.  Essa caraterística é altamente importante na produção de suínos, uma vez que o custo com alimentação representa cerca de 55% dos gastos totais da produção. Além disso, a alta prolificidade, o elevado número de leitões desmamados e de suínos terminados contribui com a diluição dos custos fixos de produção.


FASE DE TRANSIÇÃO


Mertz informa, no entanto, que mesmo diante de um produto de alta qualidade, o grupo se prepara para mudar a genética utilizada para as fêmeas, o que deve ocorrer a partir de junho de 2022. “Estamos em fase de transição para começar a utilizar a genética Camborough, também proveniente da Agroceres. A troca de genética não é algo rotineiro, pois trata-se de um processo longo e detalhado. No entanto, devido às constantes altas das comodities mais usadas na alimentação animal (milho e soja), fomos em busca de um material genético que permita economia nos custos de produção”, revela Daniel Metz. 


“Além do resultado zootécnico da creche e da terminação, a nova genética visa melhoria da carcaça no frigorífico”, diz Geovane de Toni.


Com a Camborough é possível preparar uma fêmea para o primeiro parto em menos tempo, o que significa redução nos custos com ração, mão de obra e instalações. “Com a genética atual levamos 90 dias para inseminar as fêmeas. Com a nova genética esse período deve cair para 60 a 70 dias, mantendo os resultados obtidos atualmente ou até melhores”, destaca.


A Camborough é uma matriz que é líder nos principais mercados da suinocultura internacional. Possui fácil manejo e uma altíssima eficiência da reprodução, com elevadas taxas de partos, excelente peso dos leitões e uma longa vida produtiva, explica Metz. Em comparação à fêmea TN70, produz leitões superiores em ganho de peso diário e conversão alimentar, trazendo assim, um excelente retorno econômico ao produtor.



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