Na região de Maringá, Jandaia do Sul lidera número de marcas de aguardente no Brasil

Município na região de Maringá possui 19 marcas registradas no Ministério da Agricultura

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA

Com pouco mais de 20 mil habitantes, Jandaia do Sul (PR), na região de Maringá, concentra o maior número de marcas de aguardente do País. Dados são de um relatório elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, relativos ao ano passado. Localizado na região de Maringá, o município possui 19 marcas de aguardente, igualando-se a São Roque do Canaã (ES).


 

Barris onde a Cachaça Companheira é envelhecida, em Jandaia do Sul
Barris onde a Cachaça Companheira é envelhecida, em Jandaia do Sul | Estúdio Pixel
 


Quase metade das marcas de aguardente do Paraná estão em Jandaia do Sul, sendo que a cidade puxa o Estado para cima, fazendo ele ocupar a 6ª posição no ranking nacional, com 43 marcas ao todo. 


O território paranaense fica atrás de São Paulo (161 marcas), Minas Gerais (139), Santa Catarina (111), Espírito Santo (94) e Rio Grande do Sul (68). De 2019 para 2020, o Paraná desempatou e ultrapassou o Ceará no número de marcas.


O diretor do Departamento de Fomento à Agropecuária e ao Meio Ambiente de Jandaia do Sul, Geraldo Cesar Semensato, explica que características como um bom clima e o solo próprio para o cultivo da cana são atrativos que incentivam a produção de aguardente.


“O latossolo roxo é rico em nutrientes, favorecendo o desenvolvimento e a doçura da cana. Além disso, temos temperaturas entre 10 e 20 graus no inverno, o que facilita a fermentação da cana-de-açúcar”, enumera.


O diretor relembra que as famílias Zan e Romani, pioneiras na produção artesanal de cachaça entre o final da década de 1960 e início da década de 1970, abriram caminho para a cidade se tornar uma potência quando o assunto é aguardente.


“Hoje temos a Cachaça Companheira, única produtora; a Cachaça Moretti, sendo que a Companheira produz e engarrafa para ela, e o Grupo Missiato, dono da marca Jamel, que compra a commodity, industrializa e vende”, enumera.


Devido ao grande potencial, a Prefeitura de Jandaia do Sul já estuda a realização de uma Festa Municipal da Cachaça realizada anualmente para fomentar a divulgação e a valorização do produto.


ESTOPIM


A vontade de fazer cachaça surgiu nas aulas durante a faculdade em 1978, quando o empresário Natanael Carli Bonicontro cursava engenharia química na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Vi que a cachaça podia ser uma bebida de alta qualidade”, relembra.


O desejo de produzir cachaça saiu do papel 15 anos depois, quando Natanael plantou cana em uma propriedade de Jandaia do Sul e montou o engenho que produziu a primeira cachaça em 1994. 


Engenho esse que se tornou um negócio que contempla todas as fases de produção: da plantação de 5 hectares de cana-de-açúcar, passando pelo processamento, envase, até o copo para saborear as cachaças.

 

Toda a produção de cana-de-açúcar se dá na propriedade para ser transformada em cachaça
Toda a produção de cana-de-açúcar se dá na propriedade para ser transformada em cachaça | Estúdio Pixel
 


Nesses 27 anos, os prêmios obtidos pela qualidade da Cachaça Companheira foram inúmeros. 


Entre as principais premiações figuram: Cachaça do Ano de 2014, obtido na Expocachaça em Belo Horizonte por conseguir obter a maior nota da história do concurso com a Companheira Extra Premium 8 anos, além dos destaques no Ranking da Cúpula da Cachaça, o mais conhecido do país, com ênfase para o 1º lugar de todo o concurso e a melhor cachaça da categoria Extra Premium em 2020.


Hoje, a Cachaça Companheira já dispõe de uma extensa gama de produtos – 16 cachaças, 5 licores e a Amelinha, um coquetel alcoólico feito com cachaça armazenada em tonel de umburana por 2 anos, com mel, cravo e canela.


“A mais premiada é a Companheira Extra Premium 8 anos, que nos deu visibilidade. Anualmente, escolhemos o melhor barril da adega e engarrafamos a Companheira Single Barrel no Dia Nacional da Cachaça [13 de setembro]. O barril selecionado tem cachaça envelhecida por 18 anos. Temos também uma cachaça de alta qualidade em garrafas âmbar de 600 ml, a Gatinha, para penetrar no mercado com preço bem competitivo”, lista.

 

Cachaça extra premium envelhecida 12 anos em barril de carvalho
Cachaça extra premium envelhecida 12 anos em barril de carvalho | Jônatas Lucas Lucizano
 


Ele conta que a seca prejudicou a produção de cachaça neste ano, mas a expectativa é extremamente positiva para 2022, com a projeção de produzir 50 mil litros da bebida. “Estamos com o mercado em crescimento, mesmo na pandemia.” 


O empresário explica que, para se fazer cachaça, são necessários apenas dois ingredientes: a cana-de-açúcar e a água. O canavial é próprio, com uma variedade de cana ideal para a produção. 


“A cana tem que estar madura no inverno, o que ajuda muito no controle do processo fermentativo, sendo que a temperatura deve estar entre 25 e 33 graus, o que se consegue com o aquecimento do caldo de cana a ser fermentado – uma vez que as temperaturas ambientes locais ficam entre 10 e 20 graus.”


Ele acrescenta que, em locais com temperatura ambiente alta, exige-se um controle bacteriológico rigoroso para evitar a contaminação decorrente da fermentação. 

 

Linha de produção da Cachaça Companheira; expectativa é produzir 50 mil litros em 2022
Linha de produção da Cachaça Companheira; expectativa é produzir 50 mil litros em 2022 | Estúdio Pixel
 


“A água usada no processo é proveniente de um poço semiartesiano que temos. As boas terras e as condições ambientais de Jandaia do Sul são excelentes para produção de cachaça de alta qualidade.”


NACIONAL


Hoje, os produtos são vendidos em empórios, lojas de bebidas e supermercados, além do site www.cachacacompanheira.com.br, com comercialização em nível nacional.


“A loja da fábrica, em Jandaia do Sul, é muito importante. Temos recebido visitantes, mas com a pandemia ficou prejudicado. Com relação à exportação, iniciamos a venda para Portugal há 4 anos. A pandemia paralisou este trabalho, mas estamos recomeçando.”


O negócio que começou apenas com a família hoje já conta com 9 funcionários. As filhas de Natanael, Raquel e Sara, dividem as atribuições da gestão.

 

Cachaça Companheira dispõe de loja em Jandaia do Sul para o turismo de experiência
Cachaça Companheira dispõe de loja em Jandaia do Sul para o turismo de experiência | Estúdio Pixel
 


“A Cachaça Companheira é produzida por um processo único. A colheita da cana é feita manualmente, no inverno, onde a temperatura ambiente é baixa o suficiente para impedir a formação de colônias de bactérias. As dornas de fermentação são de aço inoxidável e fechadas”, conclui. A destilação é feita em um equipamento 100% de cobre, projetado por Natanael, engenheiro químico de formação.


CACHAÇA OU AGUARDENTE?


Apesar de serem similares, a cachaça e a aguardente são produtos distintos. Cachaça é o nome da bebida feita da cana-de-açúcar. Ela é produzida pela destilação do vinho de cana. 


Para o líquido ser chamado de cachaça, deve ser usado o caldo fresco da cana-de-açúcar, a garapa. O rum, por exemplo, também é feito da cana-de-açúcar, mas do melaço, um subproduto da indústria de produção de açúcar. Para o Ministério da Agricultura, a cachaça também deve ter graduação alcoólica entre 38% e 48%.


Já a aguardente é o nome de qualquer bebida obtida a partir da fermentação e destilação de vegetais doces, podendo também ser de cana. Tequila, por exemplo, é uma aguardente de agave. A cachaça é uma aguardente de cana. E o uísque é uma aguardente de cereais. 


Pela legislação brasileira, a graduação alcoólica da aguardente vai de 38% a 54%. Ou seja, se um destilado do vinho de cana feito da garapa tiver 49% de teor alcoólico, deve ser chamado de aguardente e não cachaça. 


Assim, toda cachaça é uma aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça. Ao serem adicionadas ervas e/ou especiarias, ela é denominada aguardente composta. 


RANKING


No caso da produção de cachaça, o Paraná ocupa a 8ª posição em nível nacional quanto ao número de marcas, com 183 ao todo, segundo o relatório do Ministério da Agricultura. Fica atrás de Minas Gerais (1.908), São Paulo (705), Rio de Janeiro (404), Rio Grande do Sul (324), Santa Catarina (248), Espírito Santo (234) e Paraíba (197 marcas).



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