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Londrina

Folha Rural

m de leitura Atualizado em 13/08/2022, 14:45

Pesquisa da UFPR introduz mudas de alfarroba no Brasil

Em Curitiba, a universidade cultiva o "chocolate saudável", planta que produz uma farinha muito usada pela indústria alimentícia

PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de agosto de 2022

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: Leandro Latoh/Gepe UFPR/Arquivo pessoal
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A farinha de alfarroba é utilizada na indústria alimentícia na fabricação de bolos, cookies, bebidas, dentre outros produtos, devido ao seu elevado teor em fibras A farinha de alfarroba é utilizada na indústria alimentícia na fabricação de bolos, cookies, bebidas, dentre outros produtos, devido ao seu elevado teor em fibras
A farinha de alfarroba é utilizada na indústria alimentícia na fabricação de bolos, cookies, bebidas, dentre outros produtos, devido ao seu elevado teor em fibras |  Foto: iStock
 

Uma pesquisa conduzida pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) vem introduzindo mudas de alfarroba no Brasil, árvore típica da região do Mediterrâneo conhecida como “chocolate saudável”, que pode chegar ao cotidiano dos brasileiros de forma mais ágil e barata dentro de pouco tempo.

A farinha de alfarroba é utilizada na indústria alimentícia na fabricação de bolos, cookies, bebidas, dentre outros produtos, devido ao seu elevado teor em fibras. O produto não apresenta cafeína e teobromina (estimulantes) em sua composição, substituindo o uso do chocolate.

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A alfarroba é considerada um alimento funcional por diminuir o índice glicêmico e ter elevada composição de compostos com ação antioxidante. Pessoas com intolerância alimentar são um dos principais consumidores do produto.

A professora Katia Christina Zuffellato Ribas e seu orientando de doutorado, Leandro Porto Latoh A professora Katia Christina Zuffellato Ribas e seu orientando de doutorado, Leandro Porto Latoh
A professora Katia Christina Zuffellato Ribas e seu orientando de doutorado, Leandro Porto Latoh |  Foto: Gepe UFPR/Acervo pessoal
 

A professora titular do Departamento de Botânica da UFPR, Katia Christina Zuffellato Ribas, e seu orientando de doutorado, Leandro Porto Latoh, resolveram importar sementes de alfarrobeira, com fins de pesquisa acadêmica, para a produção de mudas dessa espécie em território brasileiro. A tese de doutorado que Latoh está desenvolvendo viabilizou o processo, desde os trâmites legais até os experimentos práticos.

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“Recebemos uma demanda de uma empresa da Região Metropolitana de Curitiba, a Carob House, sobre a possibilidade do plantio de alfarrobeira no Brasil, uma vez que essa espécie é originária da região do Mediterrâneo e atualmente toda a farinha utilizada na indústria alimentícia brasileira é importada”, explica a docente. A Carob House é a única empresa no Brasil a industrializar a alfarroba como alternativa ao chocolate.

Importação

A docente e o orientando começaram, a partir de 2019, os procedimentos legais para importação de sementes de alfarroba e sua introdução oficial no País, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Pesquisa pioneira já desenvolveu mais de 1.500 mudas; primeiras vagens devem ser produzidas entre 5 e 6 anos Pesquisa pioneira já desenvolveu mais de 1.500 mudas; primeiras vagens devem ser produzidas entre 5 e 6 anos
Pesquisa pioneira já desenvolveu mais de 1.500 mudas; primeiras vagens devem ser produzidas entre 5 e 6 anos |  Foto: Leandro Latoh/Gepe UFPR/Arquivo pessoal
 

Com o apoio da Carob House, o material chegou em território nacional e passou por quarentena no IAC (Instituto Agronômico de Campinas), sendo liberado livre de pragas e patógenos, possibilitando o início das pesquisas.

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“As pesquisas consistiram no estudo da germinação de sementes da alfarrobeira e na implantação de um minijardim, que possibilita hoje a coleta periódica de miniestacas a cada 90 dias. Após aplicação de reguladores vegetais do grupo das auxinas, elas enraízam, formando novas plantas com as mesmas características da planta matriz.”

A miniestaquia é uma técnica de propagação vegetativa da espécie, obtendo-se mudas com maior desenvolvimento. Por meio dessa técnica, após a implantação do minijardim a pleno sol, mais de 1.500 mudas já foram formadas. Dessas, parte foi utilizada para análises destrutivas previstas na tese de doutorado do Leandro, e outra parte está em um viveiro a pleno sol do Gepe (Grupo de Estudo e Pesquisa em Estaquia), Em Curitiba, ligado à UFPR.

A pesquisa teve início em 2019 e já resultou em um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), além de resumos apresentados no 4º Simpósio Paranaense de Fruticultura, realizado em novembro de 2021, e na tese de doutorado do Leandro, a ser defendida em março de 2023.

“Em setembro deste ano, com a chegada da primavera e de temperaturas mais quentes, parte das mudas já aclimatadas em viveiro serão plantadas a campo para estudos sobre seu desenvolvimento e fenologia [estudo de como a planta se desenvolve ao longo de suas diferentes etapas]”, explicou a docente.

“o Brasil poderá produzir sua própria farinha de alfarroba"

O orientando Leandro Porto Latoh estima que entre 5 e 6 anos as primeiras vagens serão produzidas – a farinha da alfarroba é obtida a partir da secagem e da moagem da polpa da vagem.

“A médio prazo, o Brasil poderá produzir sua própria farinha de alfarroba, diminuindo custos com a importação. A introdução pioneira dessa espécie no Brasil possibilitará uma outra opção para a agricultura familiar, para pequenos e médios agricultores, uma vez que os cuidados nos tratos culturais da espécie exigem atenção criteriosa. Assim, a entrada do produto (farinha) em cooperativas possibilitará o fechamento do triângulo produtor / cooperativa / agroindústria”, defende.

Leandro acrescenta que a alfarroba seria uma opção econômica para o Paraná, já que o Estado tem o mesmo tipo de clima que a área de origem da planta. “Sua adaptação certamente obterá êxito”, conclui