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Folha Rural 5m de leitura Atualizado em 29/11/2021, 13:16

Paraná é referência no cultivo de plantas medicinais

Quase 3 milhões de toneladas foram produzidos no ano passado, em 5,6 mil hectares

PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de novembro de 2021

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

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O Paraná é hoje o Estado que é a maior referência no Brasil quando se trata de plantas medicinais. A tradição no cultivo, somada à alta riqueza produzida pela atividade, fazem do território paranaense um destaque.

Camomila é a planta medicinal mais produzida no Paraná, com mais de 2 mil toneladas no ano passado
Camomila é a planta medicinal mais produzida no Paraná, com mais de 2 mil toneladas no ano passado |  Foto: Ari Dias/AEN
 

Somente no ano passado, segundo os dados divulgados pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Secretaria da Agricultura do Estado, o cultivo das plantas medicinais atingiu um VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) de R$ 239,4 milhões.

Ao todo, foram produzidas 2,99 milhões de toneladas em 5.604 hectares de terra. O levantamento do Deral levou em conta 23 itens.

A renda média bruta obtida por hectare pelos agricultores paranaenses que cultivaram plantas medicinais atingiu R$ 42,7 mil no ano passado. Só para se ter uma ideia, a cifra representa 8 vezes mais do que o VBP por hectare da soja, que alcançou quase R$ 5,3 mil.

Laís Gomes Adamuchio de Oliveira, coordenadora estadual de plantas medicinais, aromáticas e condimentares do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), explica que a maior parte das plantas medicinais é cultivada em pequenas áreas, de maneira que o produtor consegue trabalhar melhor a cultura a agregar. “A exceção fica para a camomila, que é mecanizada”, diz.

No entanto, ela pondera que hoje há um grande número de atravessadores que compram as plantas dos produtores, principalmente para revender para o mercado alimentício, o que reduz os ganhos dos agricultores.

“No ano passado, fizemos um trabalho de cadastro das indústrias que compram ervas medicinais e passamos os contatos para os agricultores dos municípios que produzem comercialmente, para que eles entrem em contato de maneira direta”, explicou.

O Paraná conta com condições diversificadas de solo e clima que favorecem o cultivo de plantas medicinais.

“Ao norte temos um clima mais tropical propício para plantas como ginseng e gengibre, por exemplo. Mais ao sul, o clima temperado favorece culturas como erva-mate, lavanda, espinheira-santa e camomila. Os tipos de solo possibilitam o cultivo de mais de 80 espécies”, destacou.

Em volume de produção, a camomila é o maior destaque entre as plantas medicinais no Paraná, com 2.211 toneladas produzidas no ano passado. O capim-limão fica em segundo lugar, com 1.074 toneladas.

Quando se trata do maior VBP, no entanto, os maiores destaques ficam para a salsinha cultivada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, com R$ 28,5 milhões de riqueza produzida no ano passado, seguida do cheiro-verde, com R$ 23,3 milhões de renda bruta, no mesmo município.

Os municípios com maior área plantada, por sua vez, são Mandirituba (730 hectares cultivados de camomila) e Paranacity (605 hectares de urucum). Na terceira colocação estão empatados São José dos Pinhais (500 hectares de camomila) e Arapongas (500 hectares de datura, princípio ativo do Buscopan). Somente as 425 toneladas de datura cultivadas geraram riqueza de R$ 10,6 milhões no ano passado.

VERSATILIDADE

Laís explica que as plantas medicinais atendem a 3 mercados distintos, o alimentício, o fitoterápico e o de óleos essenciais. Dados do governo federal de 2018 mostram que mais de 90% da produção brasileira de óleos essenciais é exportada.

“Para o produtor que pretende ingressar na atividade, é necessário que ele faça uma pesquisa de mercado. O ideal é que a planta possa ser utilizada para alimento, fitoterápico e óleo, o que garante maior versatilidade na hora da comercialização”, diz. Entre os exemplos, ela cita plantas como o alecrim, capim-limão e a camomila.

O Paraná, por sua vez, chegou a ser o maior produtor de óleo essencial de menta em nível mundial durante a década de 70, sendo responsável por 70% da produção mundial. A imigração, principalmente os japoneses, teve um importante papel no desenvolvimento da cultura no Estado. O cultivo das plantas medicinais teve início em Bandeirantes, na região Norte, com plantações de hortelã em 1925. 

PROTEÇÃO

A Aspag (Associação de Pequenos Produtores de Ginseng de Querência do Norte) foi criada em 2005 no município no noroeste paranaense, com o principal objetivo de proteger o ginseng brasileiro nativo que ocorre naturalmente nas ilhas do Rio Paraná. 

“No passado, os coletores tocavam fogo na vegetação, causando enormes danos ambientais ao prejudicar a fauna e a flora. Após o fogo, o ginseng era a primeira planta a rebrotar das cinzas, de maneira que os coletores clandestinos aproveitavam para fazer a coleta. Isso ocorreu por muitos anos e quase chegou a extinguir o ginseng”, relembra o produtor Misael Jefferson Nobre, sócio-presidente da Aspag.

Com mais de 15 anos em atividade, a associação conta hoje com 27 produtores, que comercializam as raízes de ginseng brasileiro já picadas, moídas e desidratadas. 

A organização dos agricultores fez com que a raiz, anteriormente ameaçada, deixasse de correr risco de extinção. A produção é toda orgânica, certificada pela Ecocert, maior certificadora de produtos orgânicos do mundo.

“É uma atividade lucrativa para pequenos agricultores da agricultura familiar, de maneira que hoje gera um lucro em torno de 150%. A mão de obra das famílias é bastante utilizada, sendo que apenas o preparo do solo é mecanizado, o restante é manual”, explica Misael.

CRESCIMENTO

A produção vem crescendo ano a ano, subindo de 140 toneladas no ano-safra 2019/2020 para 160 toneladas em 2020/2021. A previsão é alcançar uma produção de 170 toneladas até o final do ano safra 2021/2022, em 30 de junho do ano que vem, o que representa um crescimento superior a 20% em dois anos.

O maior desafio dos produtores hoje é ampliar a participação do ginseng brasileiro no mercado nacional. “Hoje nós exportamos 95% da produção e somente 5% fica no mercado interno”, compara. 

Os países importadores do ginseng produzidos pelos associados são China, Japão e França. China e Japão utilizam o ginseng para fins medicinais. Já a França faz uso para fabricação de cosméticos.

Com ação estimulante e revitalizante, o ginseng é ideal para quando a pessoa está muito cansada, estressada e precisa de um estímulo extra para continuar com as atividades diárias. Também vem sendo utilizado como componente de dermocosméticos, por conta das suas propriedades antioxidantes.

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