O Paraná é o segundo maior produtor de urucum do Brasil, com 15% de participação em nível nacional, segundo levantamento realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o instituto, o Paraná fica apenas atrás de São Paulo, com 49,8% de participação. Em terceiro lugar está Minas Gerais, com 7,8%. Juntos, os três estados respondem por quase 73% da produção nacional. Dados são relativos a 2024.

No Paraná, o urucum alcançou um VBP (Valor Bruto de Produção) de R$ 29,6 milhões em 2024, segundo levantamento realizado pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento.

O maior produtor de urucum do Paraná é Paranacity, no Noroeste do estado, com mais de 66% de participação na produção estadual e um VBP de R$ 19,7 milhões. Nesse município, o cultivo ocorreu em 800 hectares, com a produção de 960 toneladas.

Segundo o IBGE, Paranacity é também o maior produtor nacional de urucum, respondendo por 7,5% do volume da produção nacional em 2024.

ADAPTAÇÃO

André Luiz Moron, engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura de Paranacity, explica que a cultura do urucum, por se tratar de uma planta de origem tropical, se adaptou muito bem às condições climáticas e ao solo da Região Noroeste do Paraná, principalmente às altas temperaturas e à elevada incidência de luz solar. “Esses fatores favorecem alta produtividade e também alto teor de bixina (corante) das sementes de urucum produzidas em Paranacity e região”, destaca.

Hoje o município de Paranacity conta com 120 produtores de urucum, todos da agricultura familiar. “Além da mão de obra familiar, no período da colheita do urucum é exigido um grande número de pessoas para esta fase da lavoura, que ocorre entre fevereiro e agosto”, acrescenta.

DESTINO

Cerca de 80% da produção de urucum em Paranacity é destinada para as indústrias de corante de São Paulo, e o restante vai para indústrias de condimentos (colorau). Toda a produção local é comercializada in natura (sementes).

“As indústrias de corante natural de urucum abastecem as indústrias alimentícias (massas e laticínios), farmacêuticas e de cosméticos”, explica o técnico.

O urucum é uma planta originária da região amazônica, sendo mais conhecida por um dos seus subprodutos, o colorau, muito utilizado na culinária brasileira para dar textura e uma cor avermelhada aos pratos.

O pigmento encontrado na semente do urucum é a bixina, que tem propriedades coloríficas e medicinais, também utilizada como corante natural e como matéria-prima em várias indústrias, como alimentícia (embutidos, massas, sorvetes, laticínios), de tintas, tecidos, cosméticos e farmacêutica.

Sobre o desafio dos produtores de urucum de Paranacity, o técnico destaca que a maior dificuldade está na comercialização, devido à dependência de atravessadores.

“Esse desafio deve ser superado em breve após a organização dos produtores, por meio da criação de uma cooperativa de produtores de urucum, em fase de implantação.”

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Com o apoio do Sebrae, o urucum de Paranacity conquistou junto ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual), em maio de 2025, a IG (Indicação Geográfica) na modalidade Indicação de Procedência, que atesta e certifica a origem e a qualidade do produto.

Trata-se da primeira e única IG de urucum no Brasil. “Esse fato consolida Paranacity como a capital de urucum do Paraná, não só pela quantidade, mas principalmente pela qualidade do seu produto. Isso certamente trará agregação de valor, aumento da renda ao produtor e abertura de novos mercados no Brasil e no exterior”, atesta Moron.

O produtor Marcelo Henrique Santini conta hoje com 54 hectares cultivados de urucum em propriedades localizadas em Paranacity e Cruzeiro do Sul. Ele se dedica à cultura há 19 anos.

“O urucum veio como uma alternativa de plantio. A nossa região é uma região de solo arenoso e de média/baixa fertilidade. Além disso, o regime de chuva na região também não é regular, o que desfavorece a produção de outras culturas, como soja e milho. Então o urucum, por ser uma cultura perene, veio a se destacar, pois se adaptou bem na região.”

No ano passado, Santini produziu 50 toneladas de urucum. Neste ano, até o momento, o volume colhido foi de 38 toneladas.

“O mercado do urucum é muito volátil. Infelizmente não temos uma garantia de vendas e preço. No início de 2025 chegamos a vender o quilo na casa dos R$ 24. Hoje temos uma queda de quase 50% no valor, trabalhando com preços de R$ 12,50 e com tendência de queda.”.

Para obter o máximo de qualidade e produtividade, Santini mescla técnica, tecnologia e amor à cultura. “Em minhas lavouras sempre faço o melhor, adubo bem, faço um bom controle das plantas invasoras, realizo todas as operações no momento ideal, maximizando a eficiência e reduzindo os custos operacionais. Com relação à lucratividade, o mercado precisa melhorar, pois a margem de lucro já está bem estreita.”

Entre os desafios da atividade, Santini cita a falta de uma empresa na região que processe o urucum, além da falta de inovações tecnológicas para a cultura e de produtos para o controle de pragas e doenças, além da falta de mão de obra qualificada para a colheita.

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