Mulas prenhas desafiam a genética na região de Londrina
Experiência em inseminação tem tido resultados positivos com esses animais que, até então, por serem híbridos não se reproduziriam
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sábado, 29 de junho de 2019
Experiência em inseminação tem tido resultados positivos com esses animais que, até então, por serem híbridos não se reproduziriam
Katiuscia Mizokami 
Um fato curioso vem chamando a atenção de muita gente em uma propriedade localizada no município de Cambé. Quatro mulas da Agropecuária Roda Viva estão prenhas. O acontecimento é raro pelo motivo de as mulas serem estéreis. Os animais nascem do cruzamento do jumento com a água e, por conta do número de cromossomos, não são capazes de gerar filhotes naturalmente. O programa Multi Agro deste domingo (30) vai mostrar detalhes de como foi possível essa prenhez.
A contagem cromossômica é um dos principais diferenciais entre as mulas e um equino normal. “Elas possuem 63 cromossomos, enquanto os equinos 64”, explicou Leandro Augusto dos Santos, médico veterinário responsável pelo trabalho que é desenvolvido pelo CMG (Centro de Melhoramento Genético) de Equídeos da Agropecuária Roda Viva.
A consequência dessa diferenciação genética que as mulas possuem, de acordo com o profissional, é que esses animais acabam não produzindo óvulos. Cientificamente a explicação é que, com o rearranjo cromossômico entre as duas espécies, esses cromossomos não conseguem se parear. Isso acaba resultando na não produção de gametas e não gerando filhotes.
Contudo, existem casos isolados de mulas que foram mães naturalmente, o que pode sugerir que existe a possibilidade de haver outros mecanismos que influenciam a esterilidade. Além disso, o tempo gestacional também é diferenciado nelas. Enquanto na égua são 11 meses, nas mulas são 12. “As mulas também são mais leiteiras e mais mansas”, disse.
PROCEDIMENTO
Para que esses animais gerem filhotes é feito um transplante de embrião. Tudo começa no acasalamento do melhor garanhão e matriz. “É feita a inseminação e depois de sete dias retiramos o embrião e fazemos o implante na mula, dentro do melhor ciclo dela”, descreveu o médico veterinário. Com aproximadamente 16 dias é feita uma ultrassonografia para confirmar se o embrião já está fixo ou não.
Se tudo estiver dando certo com o embrião implantado, começam os trabalhos com progesterona, hormônio feminino que é produzido no ovário. A sua função durante o período gestacional é garantir o desenvolvimento do embrião por todo o período de prenhez, até o nascimento. Além disso, o hormônio tem um importante papel na produção de leite.
Portanto, são aplicadas doses semanais por cerca de 120 dias. “Se após esse período a receptora manter o feto, nós paramos com as aplicações e deixamos com que o próprio organismo produza a progesterona”, afirmou.
Antes de receber o embrião, contudo, existe uma preparação que deve ser realizada. As mulas são animais mais ariscos e rebeldes, por isso é necessário amansá-las. “tem todo um trabalho de cabresteamento, doma e escovação para tirar as cócegas. Tudo, justamente para que quando formos colocá-la na reprodução, não exista nenhum perigo”, esmiuçou.
Sobre o motivo pelo qual Leandro resolveu se arriscar com o procedimento, a resposta é uma só. “Fiz isso porque é diferente, né? Muita gente fala que mula não cria, então a gente está quebrando esse tabu. Vamos mostrar para o pessoal que elas têm condições de parir. E com o decorrer dos anos, a nossa intenção é fazer um plantel de mulas parindo”, garantiu.
O programa Multi Agro vai ao ar neste domingo (30) a partir das 8 da manhã na MultiTV (canais 20 e 520 da Net), com reprises diárias. Pode ser acompanhado também ao vivo pelo site (www.multitvcidades.com.br) ou pelo Portal Bonde (www.bonde.com.br).
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