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| Foto: Gina Mardones

Como todo trabalho de implantação de novas culturas na propriedade rural, o produtor precisa ter persistência, estudar o manejo de forma criteriosa, além de procurar parceiros técnicos para que todo esse conjunto gere rentabilidade. Não é uma ação simples, principalmente quando se trata dos alimentos orgânicos.

Werner Anderson Koch tem uma propriedade de sete alqueires em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) e, como bom agricultor familiar, tem expertise em diversas culturas. Já trabalhou com melão para exportação, plantou tomate convencional, e hoje tem horta e uma agroindústria de panificação para atender os programas governamentais com fomento da agricultura familiar, como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).

Em 2017, Koch quis implementar na cabeceira da propriedade os morangos no sistema orgânico. Não foi algo simples. Investimento de em torno de R$ 25 mil pelo Pronaf para uma estufa de 600 metros quadrados, cinco mil mudas chilenas e uma persistência enorme para fazer a produção emplacar. “Comecei a ver reportagens e todos só falavam do morango tradicional, que aplica muito veneno. Mas eu comprei o desafio de trabalhar com o orgânico na propriedade. No primeiro ano, em cinco meses de produção, consegui em torno de 300 gramas de morango por planta.”

No safra 2018, a tendência era que o cenário de produtividade melhorasse, mas Koch teve muitos problemas climáticos, inclusive chegou a perder a cobertura da estufa por duas vezes devido a fortes chuvas e ventos. Acabou sendo um ano pior do que o primeiro. “Como tive boas vendas do primeiro ano, apesar de pouco morango, achei que seria um bom negócio e resolvi persistir. Este ano, aliás, investi em uma nova estufa, um pouco menor, para quatro mil plantas.”

Vontade de trabalhar associado às recomendações da Emater e também da UEL (Universidade Estadual de Londrina). A expectativa é que este ano possa chegar a 700 gramas/ano da fruta por planta e também que a certificação de orgânicos seja aprovada.

Werner Anderson Koch aposta na produção orgânica e espera certificação para este ano ainda
Werner Anderson Koch aposta na produção orgânica e espera certificação para este ano ainda | Foto: Divulgação

O maior dos desafios do manejo é a adubação orgânica via água (fertirrigação). “Na adubação convencional, basta aplicar os sais, misturar na caixa d'agua e soltar. No orgânico, é preciso ferver o esterco, urina de vaca como fonte de nitrogênio... tem que procurar os meio orgânicos para a suprir a necessidade da planta.”

Em relação aos defensivos alternativos, Koch diz que é bem mais simples, usa produtos como própolis, leite de vaca e óleo de neem, mas segundo ele, o sucesso está em mudar o conceito da propriedade e de vida mesmo. “Tem gente que até acha que o morango está no meio da 'quiçaça', mas na verdade deixamos a natureza no convívio das plantas, no meio silvestre. Eu mesmo não precisei colocar o ácaro-predador, porque com um bom manejo de solo e capim ele acabou aparecendo naturalmente.”

Mesmo com a certificação ainda em stand-by – ele acredita que saia este ano – o retorno com os morangos já vem com o preço de orgânico: R$ 30 o quilo. “Quando a certificação sair vou continuar vendendo pelo mesmo preço. Hoje tenho uma clientela fiel, em torno de 50 pessoas, em grupo de WhatsApp que pedem o morango semanal e quinzenalmente.”

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