Mandirituba produz mais de 40% da camomila no Paraná
Produção alcançou 450 toneladas em 2024, com uma movimentação de quase R$ 6,3 mi
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de novembro de 2025
Produção alcançou 450 toneladas em 2024, com uma movimentação de quase R$ 6,3 mi
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Localizado na RMC (Região Metropolitana de Curitiba), Mandirituba é o maior produtor de camomila do Paraná. O município foi responsável por quase 42% de participação no VBP (Valor Bruto de Produção) da cultura no Estado em 2024 – quase R$ 6,3 milhões. Nesse mesmo ano, a camomila foi produzida em mil hectares de terras no território da cidade, onde foram cultivadas 450 toneladas da erva.
Em segundo lugar no ranking está São José dos Pinhais, também localizado na RMC, com VBP de R$ 2,5 milhões e quase 17% de participação da cultura no Estado. Na sequência vem Campo do Tenente, na mesma região, com VBP de R$ 2,1 milhões e 14% de participação.
Juntos, os três municípios da RMC concentram mais de 70% da produção de camomila no Paraná.
Joel Sebastião da Cruz, técnico agrícola do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural)-PR, explica que a camomila é uma cultura de inverno e precisa de temperaturas baixas para germinar e produzir flores. Essa característica explica a ausência dela em regiões com temperaturas mais elevadas no Paraná, como o Norte, por exemplo.
Além do clima adequado, o destaque de Mandirituba na produção de camomila também é resultado de outros fatores. “No passado, a camomila era cultivada por descendentes de ucranianos. Em meados dos anos 1980, uma empresa de São Paulo se instalou no município para trabalhar com ervas medicinais, entre elas a camomila. Essa empresa aumentou o plantio e também comprava dos produtores. A empresa fechou, mas o cultivo da camomila continuou”, destaca o técnico.
Mandirituba conta hoje com cerca de 60 produtores de camomila que comercializam a erva principalmente para São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e para a cidade de Curitiba. Dois deles exportam para outros países.
“Os produtores secam e classificam, tendo a estrutura necessária para beneficiar”, destaca. A camomila é utilizada na culinária (chás) ou no ramo de beleza (matéria-prima para cosméticos).
A safra 2024/25 da camomila foi concluída em setembro no Paraná. A colheita teve início em meados de julho. “Ainda não temos o volume estimado, mas por causa do clima neste ano, estimamos uma perda de aproximadamente 20%”, projeta o técnico.
DESAFIOS
Tiago Luis Samila, presidente da Camandi (Associação dos Produtores de Camomila de Mandirituba), destaca que o maior desafio hoje dos produtores é conseguir trabalhadores para a colheita. “A colheita da camomila demanda muita mão de obra”, pontua.
A Camandi conta hoje com oito famílias associadas. “Estamos em busca de novas oportunidades de negócios, novos investimentos e buscando outras maneiras de processar a camomila.”
A associação foi criada em 2022, e um dos ganhos até agora foi a conquista do selo de IG (Indicação Geográfica) em 2024, em parceria com o Sebrae. O registro é conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria, além de os distinguir em relação aos seus similares disponíveis no mercado.
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São produtos que apresentam uma qualidade única em função de recursos naturais como solo, vegetação, clima e know-how.
TURISMO
Os campos de camomila também fazem interface com o turismo. Uma vez por ano, Mandirituba promove a Caminhada da Natureza, um passeio que recebe inscrições para visitantes conhecerem as plantações. Além da contemplação da bela paisagem, a programação inclui um reforçado café da manhã rural.
O circuito conta com infraestrutura de apoio, incluindo carros de suporte, banheiros químicos e pontos de hidratação. Neste ano, a Caminhada foi realizada em agosto.
“Além desse evento oficial, alguns produtores, durante o ano, abrem informalmente os campos na época da floração da camomila para os turistas”, conclui o presidente da Camandi.
MINORIA
Segundo o Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), o cultivo da camomila está presente em apenas 4% dos municípios paranaenses – 16 entre 399 municípios do estado.
Os municípios produtores de camomila em 2024 foram, além do “top 3 do ranking” (Mandirituba, São José dos Pinhais e Campo do Tenente), Fazenda Rio Grande, Quitandinha, Lapa, Araucária, Campo Largo, Contenda, Prudentópolis, Tijucas do Sul, Imbituva, Turvo, Paulo Frontin, Rebouças e Inácio Martins.




