O setor agro no Paraná vem ganhando representatividade feminina nos últimos anos. Prova disso é a maior participação das mulheres nas diretorias dos Sindicatos Rurais.

Em 2020, 6% das diretorias dos Sindicatos Rurais do Paraná eram compostas por mulheres. Neste ano, o percentual quase dobrou, alcançando 11,7% de representatividade.

Os sindicatos rurais da região de Londrina têm mais representantes femininas na presidência na comparação com outras regiões do estado – as unidades de Porecatu, Rolândia, Uraí e Sertanópolis são comandadas atualmente por mulheres. No Paraná hoje, há sete presidentes de sindicato mulheres.

Ana Thereza da Costa Ribeiro é presidente do Sindicato Rural de Porecatu há cerca de 20 anos. A semente da liderança foi plantada por um diretor do sindicato, que segue com ela nesta gestão. “Fui levada para uma reunião e lá fui picada pelo mosquitinho sindical”, relembra. Hoje, a diretoria do sindicato conta com três mulheres.

Os sindicatos rurais da região de Londrina têm mais representantes femininas na presidência na comparação com outras regiões do Estado
Os sindicatos rurais da região de Londrina têm mais representantes femininas na presidência na comparação com outras regiões do Estado | Foto: Arquivo pessoal

Ela destaca que nunca gostou de ressaltar a condição de mulher no sindicato, nem na profissão (engenheira agrônoma) e nem na empresa familiar – hoje são três irmãs sócias, sendo uma veterinária que divide a gestão com ela.

“Foi natural a minha inserção no meio sindical. Procurei exercer meu papel com seriedade e competência, sempre aberta ao conhecimento. E como aprendi ao longo destes mais de 20 anos no sindicato e na Faep”, destaca.

Desde o início do mandato, Ribeiro trouxe a grade de cursos do Senar para os associados, funcionários e trabalhadores rurais.

“Foram muitos cursos profissionalizantes que representaram a chance de um emprego melhor, do conhecimento de uma tecnologia nova, da melhoria na gestão de propriedade, da adequação à legislação. Nunca me esqueci quando fechamos nossa primeira convenção coletiva de trabalho, um instrumento que promove segurança para patrões e empregados.”

Segundo ela, o principal desafio hoje é a sucessão. “Precisamos de pessoas jovens, homens e mulheres, que se interessem pelo sistema. Sonho que, num futuro próximo, a presença feminina no agro vai deixar de ser ressaltada como extraordinária. Os espaços estão para serem preenchidos por pessoas com competência, estudo e preparo, e essas ferramentas independem de gênero”, conclui.

COMISSÃO

Desde 2021, a Faep criou a CEMF (Comissão Estadual de Mulheres da Faep). A coordenadora é Lisiane Rocha Czech, presidente do Sindicato Rural de Teixeira Soares.

“Recebíamos uma cobrança de produtoras da região de Maringá há cerca de 20 anos pela criação desta comissão. Recebi o convite para a coordenação no final de 2020 e, em fevereiro de 2021, assumi como coordenadora”, relembra Czech.

Lisiane Czech é presidente do sindicato Rural de teixeira Soares e coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres da Faep
Lisiane Czech é presidente do sindicato Rural de teixeira Soares e coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres da Faep | Foto: Arquivo pessoal

De lá para cá, ela conta que houve muita evolução. Para se ter uma ideia, 65% dos Sindicatos Rurais do Paraná contam hoje com grupos locais de mulheres – entre os 161 sindicatos, 105 têm esse grupo.

Os grupos ficam sob a gestão de 16 coordenadoras regionais espalhadas pelo estado, com o cadastro de mais de 4 mil mulheres produtoras rurais.

Os grupos de mulheres formatam e promovem ações de consultoria e capacitação conforme a realidade de cada local. São cursos técnicos, dias de campo, palestras, entre diversas outras atividades, para fortalecer o protagonismo feminino no agro.

“Nossas ações focam a força política e a parte técnica, de gestão da propriedade. Outro pilar é o autoconhecimento, as relações pessoais, a liderança. Promovemos o desenvolvimento das mulheres, inserindo-as nos sindicatos para fortalecer o agro do Paraná e do Brasil”, destaca Czech.

SUCESSÃO

Sobre a sucessão rural, a coordenadora destaca que tem crescido o número de mulheres que se prontificam a comandar a propriedade em caso, por exemplo, de falecimento do pai ou viuvez. “Há um maior encorajamento”, pontua.

Sobre as diferenças de gestão feminina x masculina, Czech considera que a mulher tem um olhar mais aberto para algumas questões, como, por exemplo, o trato e o bem-estar dos funcionários da propriedade, o que resultaria em uma maior retenção de profissionais.

“As mulheres são multitarefas e costumam ser mais organizadas na parte financeira. Como os homens ficam muito no operacional, creio que não sobre tempo para essa questão do planejamento. A mulher, por sua vez, não tem vergonha de perguntar quando não sabe, é mais curiosa e costuma criar uma rede de contatos muito grande. Também tem um cuidado maior com o meio ambiente”, conclui.

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